O deputado estadual Pedro Tavares (União Brasil) cobrou, nesta terça-feira (27/01/2026) providências urgentes do Governo da Bahia e do governo federal para a proteção da lavoura cacaueira baiana, setor que, segundo o parlamentar, enfrenta prejuízos econômicos severos, queda expressiva nos preços e risco sanitário decorrente da importação de cacau africano. A crítica foi direcionada à ausência de políticas públicas eficazes para conter a desvalorização do produto local e evitar a introdução de doenças que podem comprometer a produção em uma das regiões agrícolas mais tradicionais do estado.
De acordo com Pedro Tavares, os produtores de cacau da Bahia atravessam um período de forte instabilidade econômica. As cotações recentes apontam valores em torno de R$ 240 por arroba, patamar que, segundo relatos do setor produtivo, torna a manutenção da atividade economicamente insustentável para pequenos e médios agricultores.
O deputado afirma que a combinação entre preços baixos e custos elevados de produção compromete a renda dos produtores e ameaça a continuidade da lavoura. Para ele, a situação é agravada pela falta de medidas de proteção por parte dos governos estadual e federal, que, em sua avaliação, não têm atuado de forma proporcional à importância econômica e social do cacau para a Bahia.
Importação de cacau africano e risco sanitário
Outro ponto central da crítica do parlamentar diz respeito à importação de cacau africano, prática que, segundo ele, contribui diretamente para a queda dos preços internos e expõe a região produtora ao risco de introdução de pragas e doenças. Tavares questiona a lógica econômica e sanitária dessa política, argumentando que o cacau baiano possui qualidade reconhecida internacionalmente, superior ao produto importado.
Para o deputado, a importação com o objetivo de regular preços ignora os impactos estruturais sobre a cadeia produtiva local. Ele sustenta que a eventual entrada de doenças pode comprometer não apenas a safra atual, mas todo o futuro da região cacaueira, que ainda se recupera de crises históricas.
Ligação familiar e memória da crise da vassoura-de-bruxa
Pedro Tavares também destacou sua ligação pessoal e familiar com a lavoura cacaueira. Bisneto, neto e filho de cacauicultores, o parlamentar relembrou os efeitos devastadores da vassoura-de-bruxa, doença que, a partir da década de 1990, provocou uma profunda crise econômica e social no sul da Bahia.
Segundo ele, o recente processo de recuperação da cultura do cacau vinha trazendo esperança aos produtores, após anos de desvalorização e perdas. A importação de cacau estrangeiro, nesse contexto, surge como uma nova ameaça a um setor que ainda busca estabilidade e reconstrução.
Histórico de cobranças por políticas públicas
O deputado afirmou que, desde 2013, tem cobrado no Parlamento estadual a adoção de políticas públicas efetivas para a proteção da lavoura cacaueira baiana. Ele ressalta que a região acumula perdas econômicas significativas ao longo dos anos e que necessita, mais do que nunca, de atenção estratégica das autoridades.
Tavares reforçou que continuará atuando como representante do setor na Assembleia Legislativa da Bahia, defendendo medidas que garantam segurança sanitária, estabilidade de preços e valorização do cacau produzido no estado. Para o parlamentar, a sobrevivência da lavoura está diretamente ligada à preservação da economia regional e à geração de emprego e renda no sul da Bahia.











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