Ferrovia Transnordestina avança em testes operacionais e transporta sorgo entre Piauí e Ceará

A Ferrovia Transnordestina realizou neste domingo (11/01/2026) novo teste operacional, transportando sorgo entre o Piauí e o Ceará. A operação reforça o avanço técnico da obra, impulsionada por investimentos federais que já superam R$ 5,3 bilhões. Com 100% da execução contratada, o projeto avança para a fase de consolidação, tendo como desafio central a ligação ao Porto de Pecém e o cumprimento do cronograma até 2028.
Ferrovia Transnordestina avança com novo teste de carga entre Piauí e Ceará, reforçando investimentos federais e a consolidação da logística no Nordeste.

A Ferrovia Transnordestina realizou neste domingo (11/01/2026) mais uma operação experimental de transporte de carga, reforçando o avanço do empreendimento rumo à consolidação de sua infraestrutura logística. A composição, formada por 20 vagões carregados de sorgo, partiu às 14h do município de Bela Vista (PI) com destino ao Terminal Integrador de Iguatu (TIPI), no município de Iguatu (CE), com previsão de chegada na madrugada de segunda-feira (12), entre 5h e 6h.

A operação ocorre 24 dias após o primeiro teste operacional, realizado em 18 de dezembro de 2025, quando mil toneladas de milho foram transportadas ao longo do mesmo trajeto, em uma viagem de aproximadamente 12 horas, cobrindo 585 quilômetros. Os testes sucessivos indicam a transição da obra para uma etapa de verificação operacional, fundamental para validar sistemas, trechos e capacidade logística da ferrovia.

Testes de carga e avanço técnico da ferrovia

A repetição do percurso entre o Piauí e o Ceará, agora com outra commodity agrícola, tem como objetivo avaliar a regularidade da operação, o desempenho do material rodante e a integração entre os trechos já concluídos. Técnicos acompanham indicadores como tempo de viagem, estabilidade da via permanente, desempenho dos vagões e funcionamento dos terminais.

Segundo o cronograma oficial, a ferrovia avança de forma progressiva para a consolidação da infraestrutura implantada, etapa indispensável antes da entrada em operação comercial contínua. A expectativa do governo federal é que a obra esteja integralmente concluída até 2028, com a primeira fase operacional prevista para 2027.

A retomada consistente dos testes é apontada como sinal de superação de entraves históricos que marcaram o projeto por mais de uma década, período em que a ferrovia acumulou atrasos, revisões contratuais e dificuldades de financiamento.

Investimentos federais e papel do FDNE

O avanço da Transnordestina está diretamente associado ao reforço do financiamento federal. Em 22 de dezembro de 2025, foram liberados R$ 700 milhões para o empreendimento, recursos oriundos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), instrumento administrado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

Com essa liberação, os investimentos do FDNE na ferrovia ultrapassaram R$ 5,3 bilhões. Desde 2023, a estruturação financeira do projeto vem sendo conduzida pela Secretaria Nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros (SNFI). Além disso, o ministério contribuiu para a liberação de R$ 800 milhões provenientes do leilão do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor).

Para o superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Francisco Alexandre, a liberação recente consolida uma mudança de patamar do projeto. Segundo ele, a ferrovia “deixou de ser uma promessa de longo prazo para se afirmar como uma realidade operacional”, ressaltando o impacto logístico e econômico esperado para a região.

Execução contratada e ligação com o Porto de Pecém

Atualmente, a Transnordestina conta com 100% de sua execução contratada. Nos últimos meses, foram assinadas as ordens de serviço dos lotes 9 e 10, considerados os trechos de maior complexidade técnica do projeto.

O lote 9, entre Baturité e Aracoiaba, possui 46 quilômetros, enquanto o lote 10, entre Aracoiaba e Caucaia, soma 51 quilômetros. Esses trechos são estratégicos para viabilizar a conexão da ferrovia ao Porto de Pecém, no Ceará, elemento central para a integração logística do Nordeste aos mercados nacional e internacional.

De acordo com o assessor da SNFI, José Alberto da Silva Filho, os recursos recentemente liberados têm como objetivo manter o ritmo acelerado das obras, garantindo a continuidade dos contratos em execução e a conclusão da Fase 1 do projeto, prevista para 2027.

Projeto estruturante para o Nordeste

Com cerca de 1.200 quilômetros de extensão, a Ferrovia Transnordestina é considerada um dos principais projetos estruturantes do Nordeste brasileiro. Seu traçado foi concebido para integrar áreas produtoras do interior aos portos do litoral, reduzindo custos logísticos, ampliando a competitividade das cadeias produtivas e estimulando o desenvolvimento regional.

Além do impacto direto sobre o escoamento de grãos e outras commodities, a ferrovia é apontada como vetor de geração de emprego e renda, fortalecimento da infraestrutura de transporte e redução das desigualdades regionais, ao conectar áreas historicamente afastadas dos grandes eixos logísticos do país.


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