O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), reafirmou nesta sexta-feira (02/01/2026) que mantém sua pré-candidatura à Presidência da República nas eleições de 2026, afastando rumores de desistência e negando a existência de conflitos internos no partido. Em declaração à revista Veja, Caiado afirmou que segue com a mesma programação política e que está plenamente alinhado com a direção da legenda, inclusive com o vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto.
A manifestação ocorre em um contexto de intensas especulações sobre o futuro do União Brasil no cenário presidencial, marcado por negociações de bastidores, pela formação de federações partidárias e pela possibilidade de o partido abrir mão de uma candidatura própria em favor de uma composição mais ampla no campo do Centrão.
Candidatura mantida e discurso de unidade partidária
Ao comentar os rumores sobre uma possível retirada de seu nome da disputa, Caiado foi categórico ao afirmar que não houve qualquer alteração em seus planos eleitorais. Segundo ele, a pré-candidatura permanece ativa e inserida no cronograma político previsto pelo partido para o primeiro semestre de 2026.
O governador também rejeitou informações sobre supostos atritos entre seu grupo político e o de ACM Neto, figura central do União Brasil e responsável pela articulação nacional da legenda. Caiado relatou que ambos mantêm diálogo frequente e que um encontro recente, realizado na Bahia no fim de dezembro, transcorreu sem divergências, reforçando o discurso de coesão interna.
Ainda no campo eleitoral, o governador destacou que a primeira-dama de Goiás, Gracinha Caiado, permanece como pré-candidata ao Senado Federal, integrando o projeto político do grupo para as eleições de outubro.
O xadrez do União Brasil e a pressão do calendário eleitoral
A indefinição sobre o protagonismo do União Brasil na disputa presidencial é intensificada pela proximidade da chamada janela de registro das candidaturas, que se inicia em agosto. Até lá, o partido precisará decidir se sustenta uma candidatura própria ou se opta por integrar uma chapa mais ampla, alinhada às forças do Centrão.
Nos bastidores, dirigentes e aliados avaliam que uma campanha presidencial isolada poderia ter dificuldades de competitividade nacional. Nesse cenário, ganha força a hipótese de apoio a uma candidatura encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apontado por pesquisas como o nome com maior potencial entre os governadores identificados com o campo bolsonarista para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno.
A federação do União Brasil com o PP adiciona complexidade às negociações, uma vez que amplia o número de interesses regionais e nacionais a serem acomodados na definição da estratégia eleitoral.
Cenários alternativos e sucessão em Goiás
Caso a candidatura presidencial não se consolide, o calendário eleitoral impõe a Caiado uma decisão estratégica até abril: permanecer no União Brasil ou buscar nova filiação partidária para disputar uma vaga no Senado Federal. A alternativa é vista como viável diante de sua projeção política e do encerramento de seu ciclo no Executivo estadual.
Após dois mandatos consecutivos à frente do governo de Goiás, Caiado está impedido de disputar a reeleição. Para a sucessão no Palácio das Esmeraldas, ele aposta no atual vice-governador, Daniel Vilela, nome que deve herdar o apoio formal do grupo governista nas eleições estaduais.
Entre ambição presidencial e pragmatismo partidário
A reafirmação pública da pré-candidatura de Ronaldo Caiado cumpre, sobretudo, um papel político defensivo: preservar espaço nas negociações nacionais e evitar que seu nome seja descartado prematuramente em acordos de cúpula. Em um sistema partidário fragmentado, a simples manutenção da candidatura já funciona como ativo estratégico.
Por outro lado, a postura do União Brasil revela uma tensão recorrente da política brasileira contemporânea: o contraste entre projetos pessoais e o pragmatismo eleitoral do Centrão, historicamente inclinado a apoiar nomes com maior viabilidade imediata. A eventual preferência por Tarcísio de Freitas expõe essa lógica e relativiza o discurso de protagonismo partidário.
Por fim, a ausência de um posicionamento definitivo mantém o partido em estado de ambiguidade calculada, prolongando indefinições que podem fortalecer o poder de barganha, mas também gerar desgaste interno caso a decisão final contrarie expectativas regionais consolidadas.
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