A gratuidade na oferta de sacolas plásticas em estabelecimentos comerciais tende a aumentar o consumo de descartáveis e agravar o impacto ambiental, avalia a Associação Baiana de Supermercados (Abase). Segundo a entidade, a medida vai na contramão de um movimento já consolidado no Brasil e no exterior, que busca reduzir o uso de plásticos de uso único por meio de incentivos à mudança de comportamento do consumidor, alinhando práticas comerciais à sustentabilidade ambiental.
A Abase sustenta que a cobrança pelas sacolas plásticas, adotada em diferentes mercados internacionais e em várias regiões do país, não tem caráter arrecadatório, mas educativo. A experiência acumulada demonstra que a retirada da gratuidade estimula o uso de sacolas reutilizáveis, reduz o descarte inadequado e contribui para a diminuição da pressão sobre sistemas de coleta e destinação de resíduos.
O setor supermercadista baiano afirma manter compromisso com responsabilidade ambiental, buscando conciliar orientação ao consumidor, eficiência operacional e adesão a boas práticas reconhecidas internacionalmente. Para a entidade, políticas públicas e decisões regulatórias devem considerar evidências de impacto ambiental e resultados observados em outros contextos.
Tendência nacional e internacional
Em diversos países da Europa, da América do Norte e da América Latina, a não gratuidade das sacolas integra políticas mais amplas de gestão de resíduos sólidos. O objetivo central é internalizar o custo ambiental do plástico descartável, tornando visível ao consumidor o impacto de escolhas cotidianas. No Brasil, iniciativas semelhantes foram adotadas em capitais e estados, com reduções significativas no consumo após períodos de adaptação.
Especialistas em sustentabilidade apontam que a oferta gratuita desestimula alternativas reutilizáveis, perpetuando hábitos de consumo incompatíveis com metas de redução de resíduos e economia circular. A Abase alinha-se a essa leitura ao defender que a gratuidade fragiliza a pedagogia ambiental construída nos últimos anos.
Impactos ambientais e gestão de resíduos
O uso massivo de sacolas plásticas está associado a poluição de cursos d’água, danos à fauna e aumento do volume de resíduos em aterros. Embora leves, essas embalagens possuem alta persistência ambiental e baixo índice de reciclagem efetiva. A entidade ressalta que a mudança de comportamento do consumidor é elemento-chave para mitigar tais impactos.
Nesse contexto, o setor supermercadista afirma investir em campanhas educativas, incentivo a sacolas retornáveis e adequação de processos, defendendo que medidas estruturais produzem resultados mais duradouros do que a simples ampliação da oferta gratuita de descartáveis.








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