A oposição no Senado Federal atingiu, nesta segunda-feira (19/01/2026), o número necessário de assinaturas para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o Caso Banco Master, envolvendo suspeitas de fraude e irregularidades financeiras que culminaram na liquidação da instituição pelo Banco Central. O requerimento reúne 42 assinaturas, superando o mínimo exigido pelo Regimento Interno, e intensifica a pressão política sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, responsável pela leitura formal do pedido em plenário.
O pedido de CPI foi apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), que defende um prazo inicial de 90 dias para os trabalhos da comissão. Paralelamente, tramitam no Congresso Nacional outros dois requerimentos: um para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) e outro para uma CPI na Câmara dos Deputados, evidenciando a amplitude institucional do caso e o interesse transversal de diferentes forças políticas.
Além da CPI no Senado, o pedido de CPMI já alcançou o número mínimo de assinaturas necessárias para ser protocolado oficialmente ainda em 31 de dezembro de 2025. A iniciativa é liderada pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), que articula a leitura do requerimento na primeira sessão conjunta do Congresso em 2026, passo indispensável para o início das investigações.
De acordo com parlamentares envolvidos nas articulações, o objetivo é garantir que ao menos um dos colegiados seja efetivamente instalado, evitando que a apuração fique restrita a iniciativas isoladas ou seja esvaziada por manobras regimentais. Tanto no Senado quanto na Câmara, a leitura do requerimento pelo presidente da respectiva Casa é condição formal para a constituição da comissão.
Apoio plural expõe dimensão política do caso
O requerimento apresentado por Eduardo Girão recebeu apoio de lideranças da oposição, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS), o senador Carlos Portinho (PL-RJ), Mecias de Jesus (Republicanos-RR) e Carlos Viana (Podemos-MG).
Ao mesmo tempo, o pedido também contou com assinaturas de líderes da base governista, como Eduardo Braga (MDB-AM) e Omar Aziz (PSD-AM), indicando que o caso ultrapassa divisões tradicionais entre governo e oposição e reforça o potencial de desgaste institucional caso a investigação não avance.
Caso Banco Master e atuação do Banco Central
O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, foi liquidado pelo Banco Central após a identificação de graves irregularidades. O episódio provocou prejuízos a investidores, acionou mecanismos de proteção como o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e levantou questionamentos sobre falhas de fiscalização, governança e supervisão do sistema financeiro.
As investigações parlamentares pretendem esclarecer as causas da liquidação, eventuais responsabilidades de gestores e agentes públicos, além de apurar se houve omissões regulatórias ou práticas fraudulentas que tenham colocado em risco a estabilidade do mercado e a confiança dos investidores.
Trâmite regimental e próximos passos
Para que a CPI do Senado seja instalada, o requerimento precisa ser lido em plenário por Davi Alcolumbre. No caso da CPMI, a leitura deve ocorrer em sessão conjunta do Congresso Nacional. Somente após esse procedimento serão indicados os membros titulares e suplentes, eleito o presidente do colegiado e definido o plano de trabalho.
Durante o recesso parlamentar, líderes partidários intensificaram as articulações para assegurar que a leitura dos requerimentos ocorra logo no início do ano legislativo, evitando adiamentos que possam enfraquecer a iniciativa ou diluir o foco das investigações.
Linha do tempo — Caso Banco Master
- 2025: Banco Central identifica irregularidades graves na operação do Banco Master.
- Segundo semestre de 2025: Instituição é liquidada pelo Banco Central; FGC inicia procedimentos de ressarcimento a clientes.
- 31/12/2025: Requerimento de CPMI atinge assinaturas necessárias no Congresso Nacional.
- 19/01/2026: Oposição no Senado alcança 42 assinaturas para CPI do Caso Banco Master.
- Início de 2026: Parlamentares articulam leitura dos requerimentos na primeira sessão legislativa do ano.
Pressão institucional e risco de esvaziamento
O avanço simultâneo de pedidos de CPI e CPMI revela a gravidade política e institucional do Caso Banco Master, bem como a percepção, no Congresso, de que o episódio não pode ser tratado apenas como um problema pontual do sistema financeiro. A adesão de parlamentares da base governista sugere preocupação com a repercussão pública e com a necessidade de demonstrar compromisso com a transparência.
Ao mesmo tempo, a centralidade da decisão nas mãos da presidência do Senado expõe uma tensão recorrente entre iniciativa parlamentar e controle da agenda legislativa. O histórico recente do Congresso mostra que CPIs com amplo apoio formal podem ser retardadas ou esvaziadas por fatores políticos, o que torna decisiva a condução dos próximos dias.
Há, ainda, um desafio estrutural: transformar a CPI em um instrumento efetivo de apuração, e não em palco de disputas retóricas. A credibilidade da investigação dependerá da delimitação clara do objeto, do acesso a documentos técnicos e da disposição de enfrentar eventuais responsabilidades que transcendam interesses partidários.











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