Presidente interina da Venezuela agradece apoio do Brasil e anuncia diálogo diplomático para retomada de relações com os Estados Unidos

Presidente interina venezuelana cita solidariedade de Lula, líderes internacionais e reforça aposta na diplomacia após sequestro de Nicolás Maduro.
Presidente interina venezuelana cita solidariedade de Lula, líderes internacionais e reforça aposta na diplomacia após sequestro de Nicolás Maduro.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, agradeceu publicamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao povo brasileiro pelo apoio e pela solidariedade manifestados após os acontecimentos envolvendo o governo venezuelano. A declaração foi divulgada em mensagem publicada na sexta-feira (09/01/2026), em meio ao agravamento da crise diplomática entre a Venezuela e os Estados Unidos.

Segundo Delcy Rodríguez, o reconhecimento ocorre após “momentos críticos” vividos pelo país, em referência ao sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cília Flores, ocorrido no dia 3 de janeiro de 2026, em operação conduzida por militares dos Estados Unidos, sob ordem do governo norte-americano. O casal permanece detido em Nova York, de acordo com informações divulgadas pelo governo venezuelano.

Além do presidente brasileiro, Delcy afirmou ter mantido contatos com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, para tratar do cenário político e diplomático após os acontecimentos.

Relatos de ataques e apelo ao direito internacional

Em sua manifestação, a presidente interina informou que compartilhou com os chefes de governo detalhes sobre ataques armados contra o território venezuelano, que, segundo Caracas, resultaram na morte de mais de 100 civis e militares. Delcy Rodríguez afirmou que os episódios configuram violações do direito internacional e atingem diretamente a soberania do país.

A dirigente venezuelana declarou que reafirmou aos interlocutores internacionais a posição do governo de enfrentar a crise exclusivamente por meio de canais diplomáticos, definidos como o “único caminho” para a defesa da soberania nacional e para a preservação da paz regional.

Delcy também destacou que as conversas abordaram o que classificou como violação da imunidade de jurisdição, relacionada à detenção do presidente Maduro e da primeira-dama, tema que, segundo ela, deve integrar uma agenda internacional de debate.

Diálogo regional e contatos com líderes internacionais

No diálogo com o presidente colombiano Gustavo Petro, Delcy Rodríguez afirmou haver compromisso bilateral para enfrentar problemas comuns, com base no respeito mútuo e na cooperação regional. A Venezuela e a Colômbia compartilham uma extensa fronteira terrestre, fator considerado estratégico nas tratativas.

Sobre o contato com o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, a presidente interina agradeceu a posição do governo da Espanha em condenar a ação contra a Venezuela e manifestou interesse em ampliar a agenda bilateral, com foco em benefícios mútuos para os dois países.

Em outra manifestação pública, Delcy também agradeceu ao emir do Catar, Tamim bin Hamad bin Khalifa Al-Thani, destacando a disposição do país em contribuir para a construção de uma agenda de diálogo entre Estados Unidos e Venezuela.

Venezuela anuncia processo para retomada de relações com os EUA

Na sexta-feira (09/01/2026), o governo venezuelano anunciou a abertura de um processo exploratório diplomático com os Estados Unidos, voltado ao restabelecimento das relações diplomáticas, rompidas desde 2019. O comunicado foi divulgado pelo chanceler Yván Gil e menciona que o diálogo tratará, entre outros pontos, da detenção de Nicolás Maduro e Cília Flores.

Segundo o texto oficial, a iniciativa ocorre quase uma semana após a operação militar norte-americana em território venezuelano, classificada por Caracas como agressão ilegítima e ilegal, com violação da soberania nacional e do direito internacional.

O governo venezuelano afirma que o diálogo deverá ocorrer dentro do marco do direito internacional, com respeito à soberania dos Estados e aos princípios da chamada diplomacia de paz defendida pelo país.

Reação do Brasil e posicionamento na OEA

O governo brasileiro classificou o sequestro do presidente venezuelano como grave, durante reunião extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA). Na ocasião, o embaixador do Brasil junto à entidade, Benoni Belli, afirmou que o episódio remete a práticas consideradas superadas na região, mas que voltam a ameaçar a América Latina e o Caribe.

Diante do cenário, o presidente Lula intensificou contatos com líderes regionais. Na quinta-feira (08/01/2026), Lula conversou por telefone com o presidente colombiano Gustavo Petro, para discutir os desdobramentos da crise. Brasil e Colômbia possuem as maiores fronteiras terrestres com a Venezuela, com mais de 2 mil quilômetros cada uma.

Em nota oficial, o Palácio do Planalto informou que os dois presidentes manifestaram preocupação com o uso da força contra um país sul-americano, destacando riscos à paz e à segurança regionais.

Declarações de Petro e cenário político regional

Em entrevista concedida na sexta-feira (09/01/2026) ao jornal espanhol El País, o presidente colombiano Gustavo Petro afirmou que temeu ser capturado pelos Estados Unidos, à semelhança do que ocorreu com Nicolás Maduro. Segundo Petro, uma conversa telefônica com o presidente norte-americano Donald Trump, realizada na quarta-feira (07/01/2026), pode ter reduzido temporariamente as tensões.

Petro relatou que Trump mencionou a possibilidade de ações militares na Colômbia, mas afirmou acreditar que as ameaças tenham sido “congeladas” após o diálogo. Apesar disso, disse não ter reforçado sua segurança pessoal e destacou que sua principal proteção seria o apoio popular.

O presidente colombiano defendeu que eventuais soluções para a crise venezuelana, incluindo propostas de transição política e eleições, devem surgir do diálogo interno da Venezuela, sem imposições externas, com apoio facilitador da comunidade internacional.

*Com informações da Agência Brasil.


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