O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou, nesta quinta-feira (15/01/2026), uma reunião no Palácio do Planalto com autoridades de diferentes esferas para definir um plano conjunto de combate ao crime organizado, elevando o tema ao status de ação de Estado. O encontro reuniu representantes do Executivo, do sistema de Justiça e de órgãos estratégicos de controle e investigação, com o objetivo de articular uma atuação integrada, permanente e institucional diante do avanço das organizações criminosas no país.
Participaram da reunião o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, o presidente do Banco Central Gabriel Galípolo, o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues, além de ministros de Estado como Fernando Haddad (Fazenda) e Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública). A iniciativa foi divulgada inicialmente pelo portal UOL e confirmada em entrevista coletiva concedida após o encontro.
Diretriz presidencial e decisão compartilhada
Ao anunciar as conclusões da reunião, o ministro da Justiça afirmou que o combate ao crime organizado passará a ser tratado como uma política de Estado, e não como ação isolada de governo. Segundo ele, houve decisão expressa do presidente, compartilhada por todos os participantes, de ampliar a coordenação entre os órgãos responsáveis pela persecução penal, fiscalização econômica e julgamento.
De acordo com Wellington César Lima, a avaliação comum é que a relevância e a complexidade do crime organizado no Brasil exigem uma resposta coordenada, contínua e acima de agendas circunstanciais. “O tamanho do problema impõe a necessidade de uma atuação conjunta de todos os órgãos do Estado”, afirmou o ministro, ao destacar a dimensão econômica, estrutural e transnacional das organizações criminosas.
A diretriz presidencial reconhece que ações fragmentadas — ainda que eficientes em determinados casos — não são suficientes para enfrentar grupos que operam com elevado grau de sofisticação financeira, logística e jurídica.
Atuação coordenada entre Executivo, MP e Judiciário
A proposta apresentada prevê que Polícia Federal e Receita Federal sigam atuando na persecução penal e fiscal, em sintonia institucional com o Ministério Público e o Poder Judiciário, de modo a garantir maior efetividade às investigações, denúncias e decisões judiciais.
Segundo o ministro da Justiça, a articulação busca ajustar a sintonia entre os órgãos previstos na estrutura constitucional brasileira, respeitando as competências de cada instituição. “Órgãos de investigação e fiscalização não conseguem, isoladamente, produzir resultados concretos se as medidas não avançarem pelo Ministério Público e pelo Judiciário”, afirmou.
A coordenação institucional envolverá também os conselhos nacionais do Ministério Público e da Justiça, com a criação de um espaço permanente de cooperação, voltado à padronização de fluxos, troca de informações e definição de prioridades estratégicas.
Apoio institucional e limites constitucionais
De acordo com Wellington César Lima, houve manifestação de apoio do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, no sentido de viabilizar a cooperação entre os Poderes.
O ministro ressaltou que a articulação será conduzida com absoluto respeito às autonomias institucionais e aos limites constitucionais, preservando o equilíbrio entre os Poderes e a institucionalidade democrática. A diretriz, segundo ele, busca fortalecer o Estado brasileiro sem sobreposição de funções ou interferências indevidas.
Integração operacional e cooperação internacional
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a integração entre órgãos já vem produzindo resultados concretos e será aprofundada com a nova orientação presidencial. Ele destacou a cooperação com o Banco Central, a Receita Federal e a Controladoria-Geral da União, além da atuação conjunta com autoridades estrangeiras.
Como exemplo, citou uma operação recente que resultou na apreensão de quase 10 toneladas de drogas na Espanha, considerada a maior da história daquele país, fruto de investigações iniciadas no Brasil em cooperação internacional.
Segundo Rodrigues, a atuação integrada tem permitido maior alcance investigativo, especialmente em casos de lavagem de dinheiro, tráfico internacional e crimes financeiros de alta complexidade.
Descapitalização das organizações criminosas
Outro eixo central da estratégia anunciada é o enfrentamento do poder econômico das organizações criminosas. A Polícia Federal, segundo Andrei Rodrigues, tem priorizado ações de inteligência voltadas a atingir o chamado “andar de cima” do crime organizado.
“Enfrentar o poder econômico do crime organizado é essencial para alcançar resultados efetivos e perenes”, afirmou. A descapitalização envolve bloqueio de ativos, rastreamento financeiro e cooperação com órgãos de controle, com foco em desarticular a base econômica que sustenta as atividades ilícitas.
Próximos passos e cooperação federativa
O ministro da Justiça informou que novas medidas estruturantes serão detalhadas em reuniões posteriores, incluindo a organização interna da equipe do ministério e o aprofundamento da cooperação federativa com estados e governadores.
Segundo ele, a decisão presidencial representa um marco na resposta do Estado brasileiro ao crime organizado, ao reconhecer que o enfrentamento do problema exige atuação integrada, contínua e institucional, acima de ciclos políticos e governos.








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