A Filarmônica 25 de Março realiza no sábado (28/02/2026), às 19h, no coreto da Praça da Matriz, em Feira de Santana, a segunda apresentação do Projeto Retreta, iniciativa cultural que busca resgatar a tradição das apresentações musicais em praça pública. Nesta edição, a banda feirense recebe como convidada a Sociedade Lítero Musical Minerva Cachoeirana, da histórica cidade de Cachoeira, em um encontro que reforça o intercâmbio entre filarmônicas e valoriza o patrimônio musical do interior da Bahia.
O evento integra uma proposta de revitalização das tradicionais retretas, apresentações instrumentais realizadas em espaços públicos que marcaram a vida cultural de diversas cidades brasileiras ao longo do século XIX e grande parte do século XX. A programação também inclui a exposição fotográfica “Notas de um Tempo Antigo: Imagens que Contam Histórias”, reunindo registros históricos de Feira de Santana e ampliando o diálogo entre música, memória e patrimônio cultural.
Tradição das retretas e ocupação cultural do espaço público
Criado em dezembro, o Projeto Retreta tem como objetivo valorizar o acervo musical da Filarmônica 25 de Março e recuperar o hábito das apresentações em praças, prática que historicamente aproximou bandas filarmônicas da população.
As retretas representaram, por décadas, uma das formas mais populares de acesso à música instrumental no Brasil, sobretudo em cidades do interior. O projeto procura reafirmar esse papel histórico das bandas, transformando novamente o espaço público em ambiente de convivência, lazer cultural e difusão musical.
A iniciativa também reforça a importância das filarmônicas como instituições culturais de formação e preservação da memória musical, desempenhando papel relevante na educação artística e na transmissão de repertórios tradicionais.
Intercâmbio cultural entre filarmônicas da Bahia
Nesta edição do projeto, a Sociedade Lítero Musical Minerva Cachoeirana participa como banda convidada, fortalecendo o intercâmbio entre instituições musicais do estado.
Com sede na cidade de Cachoeira, um dos principais centros históricos da Bahia, a Minerva Cachoeirana possui trajetória marcada pela participação em eventos culturais, celebrações cívicas e manifestações tradicionais. A banda integra frequentemente procissões religiosas, desfiles cívicos e festividades populares, consolidando-se como referência cultural no Recôncavo Baiano.
Entre os eventos de maior visibilidade está a presença da filarmônica no cortejo do 2 de Julho, em Salvador, celebração que marca a consolidação da independência da Bahia. Ao longo de sua história, a instituição também recebeu premiações em festivais e convites para encontros culturais em diferentes regiões do estado.
A participação da Minerva Cachoeirana no Projeto Retreta evidencia a continuidade de uma rede histórica de cooperação entre filarmônicas, tradição que ajudou a formar gerações de músicos e a preservar repertórios da música instrumental brasileira.
Formação musical e inclusão social
Além das apresentações públicas, a Minerva Cachoeirana mantém a Escola de Iniciação Musical Alcides Santos, iniciativa voltada à formação de crianças e jovens.
No projeto educacional, os estudantes têm acesso à leitura de partituras, prática musical em conjunto e formação instrumental, além de experiências coletivas que estimulam valores como cooperação, escuta e disciplina.
A maioria dos participantes é oriunda de escolas públicas e famílias de baixa renda, muitos sem contato prévio com instrumentos musicais. Nesse contexto, a filarmônica desempenha um papel social relevante, oferecendo oportunidades de aprendizado e inclusão cultural.
Historicamente, as filarmônicas do interior baiano funcionam como espaços de educação musical comunitária, contribuindo para a formação de músicos que posteriormente atuam em bandas, orquestras, escolas e projetos culturais.
Filarmônica 25 de Março e a preservação da tradição musical feirense
A Sociedade Filarmônica 25 de Março, responsável pela realização do projeto, ocupa posição histórica na vida cultural de Feira de Santana.
A banda é regida pelo maestro Antônio Neves, também autor do Projeto Retreta e responsável pela condução da escolinha de música da instituição, voltada à formação de novos instrumentistas.
Por meio dessa estrutura pedagógica, a filarmônica busca garantir a continuidade da tradição musical local, formando novas gerações de músicos e preservando repertórios que integram a memória cultural da cidade.
O Projeto Retreta insere-se nessa estratégia de valorização cultural ao combinar apresentações musicais, formação artística e recuperação da memória histórica.
Estrutura de produção e apoio institucional
O Projeto Retreta é uma produção da Sociedade Filarmônica 25 de Março, realizada por meio da Lei Rouanet, instrumento federal de incentivo à cultura.
A iniciativa conta com patrocínio da Rede Menor Preço, DPC Distribuidora e Bartofil, além de apoio institucional da Fundação Senhor dos Passos.
A realização é do Ministério da Cultura e do Governo do Brasil, integrando políticas públicas voltadas ao incentivo à produção cultural e à valorização de manifestações artísticas tradicionais.








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