A declaração do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, de que “essa coisa de ter apoio de 300 prefeitos não muda nada, representa nada”, provocou reação pública de gestores municipais no interior da Bahia. O prefeito de Pedro Alexandre, Yuri Andrade (PP), afirmou nesta quinta-feira (19/02/2026) ter apoiado ACM Neto no primeiro turno das eleições de 2022 e declarou não ter recebido qualquer contato de agradecimento após o pleito. A fala reacendeu críticas sobre a condução política do ex-prefeito junto às lideranças municipais e ampliou o debate sobre o peso institucional dos prefeitos na disputa eleitoral baiana.
Em manifestação pública, Yuri Andrade relatou que seu município foi o único da região onde ACM Neto venceu no primeiro turno de 2022. Segundo ele, mesmo após o resultado favorável, não houve retorno do então candidato.
“Apoiei ele no primeiro turno de 2022, e lá foi o único município que ele ganhou na região. Passou uma semana e não recebi sequer um telefonema, um zap de agradecimento”, afirmou o prefeito.
De acordo com o gestor, após a ausência de diálogo, o grupo político local decidiu apoiar Jerônimo Rodrigues no segundo turno, garantindo vantagem de aproximadamente três mil votos ao atual governador. Para Yuri Andrade, a declaração de que o apoio de prefeitos “não representa nada” desconsidera o esforço político e eleitoral das lideranças municipais.
Impacto entre prefeitos do interior
A fala de ACM Neto foi interpretada por diversos gestores como sinal de desprestígio institucional. Prefeitos aliados e interlocutores que mantêm diálogo com o grupo político do ex-prefeito avaliaram que a declaração minimiza o papel estratégico das administrações municipais na articulação eleitoral.
No interior da Bahia, prefeitos exercem influência direta sobre bases políticas locais, mobilização partidária e articulação regional. O apoio formal de gestores municipais costuma representar estrutura organizacional, presença territorial e capilaridade política — fatores considerados decisivos em disputas estaduais.
A repercussão sugere desconforto em setores do municipalismo, especialmente entre lideranças que participaram ativamente da campanha de 2022.
Histórico de críticas públicas
As críticas à condução política de ACM Neto não se restringem ao episódio atual. O prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Júnior Marabá (PP), já havia manifestado insatisfação quanto à articulação do ex-prefeito para o processo eleitoral de 2026.
Segundo Marabá, apesar de ter obtido cerca de 70% dos votos para ACM Neto em seu município na eleição passada, não identifica, atualmente, movimentação clara de liderança para o próximo pleito estadual.
A crítica foi reforçada pelo deputado Paulo Câmara (PSDB), que confirmou, em entrevista ao jornal A Tarde, relatos de ausência de retorno político após apoio expressivo. O parlamentar afirmou que a falta de resposta a mensagens e contatos é uma queixa recorrente no meio político.
O peso político dos prefeitos nas eleições estaduais
Historicamente, o apoio de prefeitos desempenha papel relevante nas eleições baianas. Municípios funcionam como polos de articulação partidária e logística eleitoral, influenciando votações proporcionais e majoritárias.
Embora o eleitorado não esteja juridicamente vinculado à orientação do prefeito, a liderança municipal costuma impactar:
- Organização de eventos e carreatas
- Mobilização de militância local
- Estrutura de campanha
- Capilaridade regional
A declaração de que o apoio de centenas de prefeitos “não representa nada” confronta essa lógica tradicional da política estadual, que valoriza alianças territoriais e construção de bases municipais.







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