O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou na quarta-feira (18/02/2026) em Nova Délhi, capital da Índia, para cumprir agenda oficial a convite do primeiro-ministro Narendra Modi. O primeiro compromisso ocorre na quinta-feira (19/02/2026), com participação na cúpula internacional sobre o impacto da inteligência artificial (IA), que reúne chefes de Estado, ministros e executivos do setor de tecnologia.
O encontro integra o chamado Processo de Bletchley, série de reuniões intergovernamentais voltadas à segurança, governança e cooperação global em IA, com debates sobre regulação, financiamento, uso social da tecnologia e mitigação de riscos. Esta é a primeira vez que um presidente brasileiro participa de um evento global de alto nível dedicado ao tema.
Além da cúpula, a visita prevê reuniões bilaterais, assinatura de memorandos de cooperação e fóruns empresariais, com foco em comércio, inovação, energia, saúde e transformação digital.
Cúpula de IA e defesa de governança global
Na plenária principal, Lula defendeu um modelo de governança internacional da inteligência artificial liderado pela Organização das Nações Unidas, com participação multilateral e regras comuns para desenvolvimento e uso da tecnologia.
O presidente argumentou que a expansão da IA impacta produtividade industrial, serviços públicos, saúde e segurança alimentar, mas também pode gerar desinformação, manipulação de processos eleitorais e crimes digitais, exigindo coordenação entre países.
O governo brasileiro também organiza, na sexta-feira (20/02/2026), o evento paralelo “IA para o bem de todos”, com a presença de ministros das áreas de ciência, tecnologia, educação, saúde e comunicações, para apresentar diretrizes nacionais de uso responsável da IA.
Parcerias bilaterais e comércio Brasil–Índia
Brasil e Índia mantêm parceria estratégica desde 2006. Durante a visita, estão previstas negociações sobre minerais críticos e terras raras, além da assinatura de declaração sobre cooperação digital. O governo também pretende avançar nas tratativas para ampliação do acordo comercial entre Mercosul e Índia.
Outro ponto da agenda é a extensão do prazo de validade de vistos de negócios e turismo de cinco para dez anos, medida destinada a facilitar intercâmbio empresarial. Lula também participa da inauguração do escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, que organiza fórum com mais de 300 empresários brasileiros.
Em 2025, a corrente de comércio bilateral alcançou US$ 15,2 bilhões, com exportações brasileiras concentradas em petróleo bruto, açúcar, óleos vegetais e minério de ferro. A Índia figura entre os principais destinos de produtos nacionais.
Saúde, tecnologia e cooperação industrial
Na área de saúde, o governo brasileiro manifestou interesse em parcerias para produção de medicamentos e vacinas, aproveitando a capacidade industrial indiana no setor farmacêutico. A proposta inclui cooperação entre laboratórios públicos e empresas privadas dos dois países.
Também estão em debate iniciativas de saúde digital e uso de inteligência artificial na gestão de sistemas públicos, com intercâmbio de experiências para modernização de serviços e ampliação do acesso da população.
A agenda econômica contempla ainda defesa, aviação civil, energia, agricultura, mineração e inovação tecnológica, com expectativa de novos investimentos e joint ventures em segmentos estratégicos.
Próxima etapa na Ásia
Lula permanece em Nova Délhi até sábado (21/02/2026) e, em seguida, segue para Seul, na Coreia do Sul, onde cumpre agenda entre 22 e 24 de fevereiro. Estão previstos encontros com o presidente Lee Jae Myung, reuniões com executivos e assinatura do Plano de Ação Trienal 2026-2029, com foco em comércio, ciência, tecnologia e cooperação industrial.
O governo brasileiro avalia que a missão à Ásia busca diversificar mercados, ampliar exportações e fortalecer parcerias estratégicas, reduzindo dependência de destinos tradicionais e ampliando a inserção internacional do país.
*Com informações da Agência Brasil e RFI.








Deixe um comentário