Nesta segunda-feira (23/02/2026), em Seul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia de encerramento do Fórum Empresarial Brasil–Coreia do Sul, encontro que reuniu autoridades governamentais, lideranças empresariais e representantes de 230 corporações brasileiras e sul-coreanas. Durante o evento, o governo brasileiro apresentou oportunidades de investimento em diversos setores estratégicos, incluindo exportação de carne bovina, indústria farmacêutica, cosméticos, mineração de minerais críticos, tecnologia, agricultura e setor aeroespacial. Em seu discurso, Lula destacou a importância da cooperação econômica entre os dois países e afirmou que “fortes laços humanos e vínculos empresariais demonstram que confiança e cooperação valem a pena”, defendendo o diálogo e a negociação como caminhos para ampliar parcerias comerciais em um cenário internacional marcado por tensões e tendências protecionistas.
Parcerias comerciais e fortalecimento da relação bilateral
O fórum empresarial teve como objetivo aprofundar o diálogo econômico entre Brasil e República da Coreia, ampliando oportunidades de cooperação entre governos e empresas. O encontro reuniu representantes de setores estratégicos como tecnologia, economia criativa, alimentos, açúcar, álcool, indústria farmacêutica, agricultura e pecuária, além de autoridades dos dois países.
Durante sua intervenção, Lula ressaltou que a presença consolidada de empresas sul-coreanas no Brasil demonstra o potencial de expansão dessa relação econômica. O presidente observou que empresas como Samsung, Hyundai e LG já possuem forte presença no mercado brasileiro, consolidando o país como principal destino de investimentos coreanos na América Latina.
Segundo o governo brasileiro, o estoque de investimentos da Coreia do Sul no Brasil alcança aproximadamente 9 bilhões de dólares, posicionando o país asiático como o quarto maior investidor asiático na economia brasileira. Lula afirmou que esse volume pode crescer com novas parcerias industriais e tecnológicas.
Agronegócio brasileiro e abertura do mercado de carne bovina
O agronegócio brasileiro foi apresentado como um dos principais atrativos para investimentos e parcerias comerciais. Lula destacou o desempenho da produção agrícola brasileira e mencionou que o país registrou, em 2025, a maior safra de grãos de sua história, com cerca de 350 milhões de toneladas.
Nesse contexto, o presidente reafirmou o interesse brasileiro em acessar o mercado de carne bovina da Coreia do Sul, atualmente altamente regulado. Lula mencionou o tradicional prato coreano bulgogi, um tipo de churrasco preparado com carne bovina, afirmando que o produto brasileiro poderia integrar esse mercado.
Segundo ele, o governo brasileiro está disposto a avançar nos procedimentos sanitários necessários para viabilizar a exportação da carne brasileira ao país asiático. Lula também sugeriu que esse processo poderia estimular a instalação de frigoríficos brasileiros na Coreia do Sul, ampliando o intercâmbio industrial.
Diversificação econômica e cenário global
Em seu discurso, Lula também destacou a importância da diversificação da base econômica e das relações comerciais, sobretudo em um contexto internacional marcado por tensões comerciais e crescimento de políticas protecionistas.
De acordo com o presidente, a parceria com a Coreia do Sul pode contribuir para reduzir a dependência brasileira de mercados tradicionais e ampliar a inserção do país em cadeias produtivas mais sofisticadas.
Nesse sentido, Lula apontou que o Brasil busca expandir suas relações econômicas com parceiros estratégicos, especialmente em áreas que combinam inovação tecnológica, produção industrial e sustentabilidade.
Minerais críticos e transição tecnológica
Outro tema abordado no fórum foi o potencial de cooperação entre os dois países na exploração de minerais críticos, insumos fundamentais para as cadeias globais de tecnologia.
A Coreia do Sul ocupa posição relevante na produção de semicondutores e baterias, enquanto o Brasil possui reservas importantes de minerais utilizados na fabricação de eletrônicos, veículos elétricos e equipamentos industriais avançados.
Lula destacou que o objetivo brasileiro é superar o papel histórico de exportador de matérias-primas, buscando parcerias que permitam agregar valor industrial e desenvolver tecnologia em território nacional.
Segundo o presidente, a cooperação com a indústria coreana pode contribuir para fortalecer cadeias produtivas de alto valor agregado, especialmente nos setores de tecnologia e energia.
Cooperação científica e indústria farmacêutica
O presidente também abordou as possibilidades de colaboração no campo da pesquisa científica e da indústria farmacêutica. Ele mencionou o avanço brasileiro na construção do laboratório de biossegurança Órion, projeto que deverá ser conectado a um acelerador de partículas.
De acordo com Lula, essa infraestrutura poderá contribuir para pesquisas sobre doenças, desenvolvimento de métodos de diagnóstico e prevenção de epidemias, além de abrir novas oportunidades para cooperação internacional.
Instituições brasileiras como Fiocruz e fundações estaduais de saúde já mantêm iniciativas de colaboração com centros de pesquisa sul-coreanos. O governo brasileiro pretende ampliar essa cooperação para produção conjunta de vacinas, medicamentos e insumos médicos.
Cooperação no setor aeroespacial
A cooperação no setor aeroespacial também foi mencionada como uma área promissora de parceria bilateral. Lula citou a atuação da start-up sul-coreana Innospace, que participa de projetos ligados ao Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão.
Segundo o presidente, a colaboração entre os dois países poderá transformar Alcântara em um polo internacional de lançamentos espaciais, fortalecendo o desenvolvimento tecnológico brasileiro.
Lula afirmou ainda que o diálogo entre agências espaciais brasileiras e sul-coreanas pode gerar avanços científicos relevantes e ampliar a participação brasileira na economia espacial global.
Aprendizado com o modelo de desenvolvimento coreano
Durante o discurso, Lula também comparou as trajetórias econômicas de Brasil e Coreia do Sul. O presidente destacou que, na década de 1960, o PIB per capita coreano era inferior à metade do brasileiro, mas atualmente supera o do Brasil em cerca de três vezes.
Ele atribuiu parte dessa transformação ao investimento contínuo da Coreia do Sul em educação, tecnologia e políticas industriais voltadas para setores estratégicos.
Segundo Lula, a experiência coreana demonstra que políticas públicas robustas, voltadas à inovação e à qualificação da mão de obra, são fundamentais para países que buscam acelerar seu processo de industrialização e desenvolvimento tecnológico.
Programas brasileiros para atração de investimentos
O presidente também mencionou programas econômicos implementados pelo governo federal com o objetivo de atrair investimentos estrangeiros e estimular a inovação industrial.
Entre as iniciativas citadas estão:
- Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)
- Nova Indústria Brasil (NIB)
- Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER)
- Plano de Transformação Ecológica
Segundo Lula, essas políticas públicas oferecem condições favoráveis para investimentos internacionais, especialmente em setores ligados à tecnologia, sustentabilidade e inovação.
O presidente afirmou ainda que o Brasil busca consolidar um ambiente de estabilidade econômica, política e jurídica, capaz de atrair investidores estrangeiros interessados em desenvolver projetos de longo prazo no país.








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