O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na segunda-feira (23/02/2026) que Brasil e Coreia do Sul iniciam uma nova etapa de cooperação estratégica bilateral, com ampliação de parcerias em comércio, tecnologia, saúde e inovação industrial. Durante visita oficial a Seul, Lula participou de encontros diplomáticos com o presidente sul-coreano Lee Jae-myung, do Fórum Empresarial Brasil–Coreia do Sul e da assinatura de dez acordos bilaterais, que incluem investimentos em tecnologia médica, integração produtiva, cooperação científica e fortalecimento do comércio internacional. A agenda também incluiu discussões sobre retomada das negociações comerciais entre Coreia do Sul e Mercosul, além de iniciativas voltadas à transição energética, minerais críticos, inteligência artificial e modernização do sistema de saúde brasileiro.
Parceria estratégica amplia cooperação econômica entre Brasil e Coreia
A visita oficial marcou a elevação do relacionamento bilateral ao status de Parceria Estratégica, acompanhada do lançamento de um plano de ação com iniciativas para os próximos três anos. Segundo Lula, a complementaridade entre as economias dos dois países abre espaço para expansão do comércio e intensificação de projetos conjuntos em setores de alto valor tecnológico.
O presidente destacou que o intercâmbio comercial entre Brasil e Coreia do Sul alcança cerca de US$ 11 bilhões, valor considerado ainda modesto diante do potencial econômico das duas nações. Atualmente, a Coreia do Sul ocupa a quarta posição entre os parceiros comerciais do Brasil na Ásia.
Durante declaração à imprensa, Lula ressaltou que os dois países possuem vantagens competitivas complementares, especialmente em áreas como transição energética, minerais críticos, semicondutores e inteligência artificial.
“A transição energética abre novas frentes de complementaridade entre os setores produtivos. Há também amplo espaço para cooperação em tecnologias avançadas, como semicondutores e inteligência artificial”, afirmou o presidente brasileiro.
O presidente sul-coreano Lee Jae-myung também destacou a convergência entre as economias dos dois países e afirmou que a cooperação bilateral já se expande para setores estratégicos como biofarmácia, indústria cultural e exploração espacial.
Acordos bilaterais abrangem tecnologia, agricultura e inovação
Durante a cerimônia oficial em Seul, representantes dos dois governos assinaram dez instrumentos de cooperação bilateral, abrangendo diversas áreas estratégicas.
Entre os principais atos celebrados estão:
- Acordo-Quadro de Integração Comercial e Produtiva, voltado à facilitação do comércio e harmonização regulatória
- Memorando de cooperação financeira entre os ministérios da Fazenda e da Economia da Coreia
- Acordos de cooperação agrícola, envolvendo o Ministério da Agricultura do Brasil e instituições sul-coreanas
- Parcerias em ciência, tecnologia e inovação, incluindo biotecnologia e comunicações digitais
- Memorando de cooperação policial entre a Polícia Federal e a Agência Nacional de Polícia da Coreia
- Parcerias em empreendedorismo e apoio a pequenas e médias empresas
Também foram firmados memorandos envolvendo instituições como:
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)
- Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA)
- Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
Os acordos incluem cooperação em bioeconomia, segurança alimentar, adaptação climática e tecnologias agroindustriais.
Cooperação em saúde prevê transferência de tecnologia e novos medicamentos
A missão brasileira também resultou na assinatura de parcerias estratégicas na área da saúde, com previsão de investimentos de até R$ 1,104 bilhão no primeiro ano.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou da formalização de três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) destinadas à fabricação no Brasil de medicamentos de alto custo utilizados no tratamento de doenças graves.
Entre os fármacos contemplados estão:
- Bevacizumabe, utilizado em tratamentos oncológicos
- Eculizumabe, indicado para hemoglobinúria paroxística noturna
- Aflibercepte, empregado no tratamento de degeneração macular
As iniciativas envolvem transferência de tecnologia e produção nacional em parceria com instituições como:
- Fundação Ezequiel Dias (Funed)
- Bahiafarma
- Bionovis S.A.
- Samsung Bioepis
De acordo com o Ministério da Saúde, os projetos visam fortalecer a base industrial da saúde no Brasil, reduzir a dependência de importações e ampliar o acesso da população a tratamentos especializados.
Inovação biomédica e hospitais inteligentes entram na agenda bilateral
Além da produção de medicamentos, os dois países assinaram seis novos acordos de cooperação tecnológica em saúde, incluindo desenvolvimento de testes diagnósticos e soluções digitais para gestão hospitalar.
Entre as iniciativas está um Memorando de Entendimento entre os ministérios da saúde dos dois países, que prevê colaboração em:
- inovação biomédica e farmacêutica
- terapias avançadas e biotecnologia
- saúde digital e gestão de dados médicos
- formação de profissionais de saúde
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) firmou acordos tecnológicos com empresas sul-coreanas, como:
- Optolane Technologies
- GenBody
- Green Cross Corporation
As parcerias incluem transferência de tecnologia para testes moleculares, kits de diagnóstico e dispositivos médicos, voltados ao combate a doenças como dengue, malária, tuberculose e infecções virais.
A cooperação também prevê intercâmbio de especialistas e a adoção de tecnologias utilizadas pela Coreia do Sul na implantação de hospitais inteligentes, considerados referência mundial em digitalização da gestão hospitalar.
Negociações comerciais entre Coreia do Sul e Mercosul podem ser retomadas
Outro ponto central da agenda bilateral foi a discussão sobre a retomada das negociações para um acordo de livre comércio entre a Coreia do Sul e o Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
As negociações estavam suspensas desde 2021, mas autoridades dos dois países demonstraram interesse em reativar as tratativas.
Segundo Lula, serão criadas comissões técnicas para reavaliar os termos do acordo, com possibilidade de conclusão ainda em 2026.
A retomada das discussões ocorre em um contexto de reorganização das cadeias globais de produção e aumento das tensões comerciais internacionais, cenário que tem incentivado novos acordos econômicos entre blocos regionais.
Cooperação política e defesa do multilateralismo
Durante declaração conjunta, Lula e Lee Jae-myung também ressaltaram a convergência entre Brasil e Coreia do Sul na defesa do multilateralismo, do direito internacional e da democracia.
O presidente brasileiro destacou que os dois países possuem experiências políticas semelhantes, tendo superado períodos autoritários e consolidado processos de redemocratização nas décadas recentes.
Lula também ressaltou o fortalecimento da política externa brasileira voltada para a Ásia, considerada um dos centros dinâmicos da economia global. Nos últimos anos, o presidente visitou China, Índia, Indonésia, Japão, Malásia e Vietnã, além de participar de uma cúpula da ASEAN.
Comunidade coreana no Brasil e intercâmbio cultural
O presidente brasileiro também destacou a importância dos vínculos culturais entre os dois países.
O Brasil abriga a maior comunidade coreana da América Latina, estimada em cerca de 50 mil pessoas, concentradas principalmente em São Paulo.
Ao mesmo tempo, aproximadamente dois mil brasileiros vivem atualmente na Coreia do Sul, número que tende a crescer com o avanço das relações comerciais e acadêmicas entre as duas nações.
Segundo Lula, o fortalecimento da cooperação bilateral também deve ampliar intercâmbios educacionais, culturais e tecnológicos.
Próximos compromissos da agenda internacional
Após concluir os compromissos na Coreia do Sul, Lula seguiu para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde participará de reuniões com o presidente Mohammed bin Zayed Al Nahyan.
A agenda inclui discussões sobre investimentos, comércio internacional e cooperação política, além de iniciativas voltadas ao desenvolvimento econômico e à estabilidade internacional.









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