Safra de grãos na Bahia deve cair 4,7% em 2026, aponta IBGE; soja e algodão puxam recuo

Na quinta-feira (12/02/2026), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a primeira estimativa para a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas na Bahia em 2026. De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), o estado deve colher 12,2 milhões de toneladas de grãos, volume 4,7% inferior ao recorde de 2025, quando foram registradas 12,8 milhões de toneladas. A retração projetada decorre principalmente das quedas previstas para soja e algodão herbáceo, dois dos principais produtos da pauta agrícola baiana, embora o milho apresente desempenho misto entre as duas safras.

Produção total e posição nacional

A estimativa inicial aponta que a produção baiana de grãos em 2026 deve alcançar 12.235.097 toneladas, representando uma redução de 604.480 toneladas em comparação com o resultado do ano anterior.

Mesmo com o recuo, a Bahia deve manter a sétima maior safra de grãos do país, com participação estimada em 3,6% do total nacional, levemente inferior aos 3,7% registrados em 2025.

No ranking nacional, a liderança permanece com Mato Grosso, responsável por 30,3% da produção, seguido por Paraná (13,9%) e Rio Grande do Sul (11,8%).

Soja concentra maior impacto negativo

A soja, que responde por 66,3% de toda a produção de grãos da Bahia, é o principal fator de redução da safra em 2026.

A previsão indica produção de 8.114.659 toneladas, o que representa uma queda de 5,7% em relação às 8.606.190 toneladas colhidas em 2025. Em termos absolutos, a retração chega a 491.531 toneladas.

A diminuição está associada principalmente à redução de 5,8% na área colhida, que deve passar de 2,144 milhões para 2,019 milhões de hectares.

O comportamento da soja na Bahia contrasta com o cenário nacional. No Brasil, a safra do grão deve crescer 3,9% em 2026, atingindo 172,5 milhões de toneladas, novo recorde histórico.

Algodão herbáceo também deve recuar

O algodão herbáceo, outro produto de grande peso na economia agrícola do estado, também deve registrar redução significativa.

A produção estimada para 2026 é de 1.480.440 toneladas, o que representa uma queda de 17,5% em comparação com as 1.794.000 toneladas colhidas em 2025. A redução corresponde a 313.560 toneladas.

Apesar do recuo, a Bahia deve permanecer como o segundo maior produtor de algodão do país, respondendo por 16,8% da produção nacional, atrás apenas de Mato Grosso.

Milho apresenta comportamento distinto entre as safras

No caso do milho, o desempenho esperado para 2026 é heterogêneo:

1ª safra

A produção deve crescer 8,1%, alcançando 2.088.000 toneladas, com aumento absoluto de 156.000 toneladas.

2ª safra

Já a segunda safra deve registrar queda de 11,5%, com produção estimada em 714.000 toneladas, redução de 92.400 toneladas frente ao ano anterior.

Situação nacional da safra de grãos

A redução prevista para a Bahia acompanha a tendência nacional. No Brasil, a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas deve atingir 342,7 milhões de toneladas em 2026, o que representa queda de 1,0% em relação ao recorde de 346,1 milhões de toneladas obtido em 2025.

Desempenho das demais culturas agrícolas no estado

Considerando todos os 26 produtos agrícolas acompanhados sistematicamente pelo IBGE na Bahia, a previsão é de que 15 culturas apresentem crescimento em 2026 frente a 2025.

Entre as maiores altas absolutas previstas estão:

  • Milho 1ª safra: +156.000 toneladas (+8,1%)
  • Feijão 1ª safra: +30.500 toneladas (+35,3%)
  • Cacau: +6.297 toneladas (+5,3%)

Por outro lado, as maiores quedas devem ocorrer em:

  • Cana-de-açúcar: -741.472 toneladas (-11,9%)
  • Soja: -491.531 toneladas (-5,7%)
  • Algodão herbáceo: -313.560 toneladas (-17,5%)

O grupo de grãos analisado pelo LSPA inclui produtos como arroz, milho, trigo, sorgo, feijão, amendoim, algodão, mamona, soja e girassol, entre outros.

A primeira estimativa do IBGE para 2026 indica que a Bahia deve colher 12,2 milhões de toneladas de grãos, queda de 4,7% em relação ao recorde de 2025. O recuo será puxado principalmente pela redução nas produções de soja e algodão, enquanto o milho terá desempenho misto entre as safras. Mesmo com a retração, o estado deve manter a sétima maior produção de grãos do país, respondendo por 3,6% do total nacional.


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