Safra de grãos da Bahia deve bater recorde em 2026, com alta na soja e revisão positiva do algodão, aponta IBGE

A Bahia deve alcançar em 2026 a maior safra de grãos da série histórica do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), com produção estimada em 13.256.520 toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas, segundo a estimativa de abril do IBGE. O volume representa crescimento de 3,2% em relação ao recorde registrado em 2025, quando o estado colheu 12.839.577 toneladas. A revisão positiva foi puxada principalmente pela soja, principal cultura agrícola baiana, e pelo algodão herbáceo, que teve forte ajuste para cima na comparação com a previsão divulgada em março.

Bahia deve produzir 13,257 milhões de toneladas de grãos em 2026

A quarta estimativa do IBGE para a safra baiana de grãos indica acréscimo de 416.943 toneladas em relação ao resultado de 2025. Na comparação com a estimativa de março, quando a produção projetada era de 12.887.308 toneladas, houve revisão positiva de 2,9%, equivalente a 369.212 toneladas adicionais.

O desempenho reforça a posição da Bahia como uma das principais fronteiras agrícolas do país, especialmente no oeste baiano, região de forte presença da soja, do algodão e do milho. A estimativa também confirma a relevância do estado no conjunto da produção nacional de grãos.

De acordo com o IBGE, a safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve atingir 348,7 milhões de toneladas em 2026, alta de 0,7% frente a 2025. Na comparação com março, a projeção nacional também avançou, com acréscimo de 334.277 toneladas.

Soja responde por mais de dois terços da safra de grãos da Bahia

A soja permanece como o principal produto agrícola da Bahia e deve responder por 67,4% da safra estadual de grãos em 2026. A produção estimada é de 8.929.800 toneladas, novo recorde para a cultura no estado.

O volume representa crescimento de 3,8% em relação a 2025, com acréscimo de 323,6 mil toneladas. Em relação à estimativa de março, a previsão subiu 2,5%, o equivalente a 221,6 mil toneladas.

A revisão positiva está associada ao aumento do rendimento médio da lavoura, que deve alcançar 4.100 quilos por hectare, alta de 2,8% na comparação mensal. Esse dado indica ganho de produtividade e reforça o peso da tecnologia agrícola, do manejo e das condições de campo no desempenho da oleaginosa.

Algodão tem revisão expressiva e reforça posição da Bahia no país

O algodão herbáceo também teve papel decisivo na revisão positiva da safra baiana. A estimativa de abril aponta produção de 1.845.000 toneladas em 2026, alta de 19,0% em relação ao previsto em março, com acréscimo de 294,5 mil toneladas.

Com o novo cálculo, a safra baiana de algodão passou a ser estimada em 2,8% acima do resultado de 2025, o que representa 51 mil toneladas adicionais.

A Bahia deve permanecer como a segunda maior produtora nacional de algodão, responsável por 20,5% da safra brasileira. O estado fica atrás apenas de Mato Grosso, cuja produção estimada é de 6.154.986 toneladas, equivalente a 68,4% do total nacional de aproximadamente 9 milhões de toneladas.

Feijão tem queda na estimativa mensal, mas ainda supera 2025

Apesar do cenário geral positivo, a estimativa de abril trouxe redução relevante para a 1ª safra de feijão na Bahia. A produção projetada passou para 100.800 toneladas, queda de 24,1% em relação ao previsto em março, com redução de 32,1 mil toneladas.

Mesmo com o recuo mensal, a previsão ainda indica desempenho superior ao de 2025. Na comparação anual, a produção da 1ª safra de feijão deve crescer 16,7%, frente às 86.400 toneladas registradas no ano anterior.

O dado mostra que a revisão negativa não elimina a perspectiva de recuperação anual da cultura, embora indique maior instabilidade em relação às estimativas anteriores. Em culturas mais sensíveis a condições climáticas e regionais, como o feijão, ajustes sucessivos ao longo do ciclo são frequentes.

Bahia deve manter sétima maior safra de grãos do Brasil

Com a previsão atual, a Bahia deve manter em 2026 a sétima maior safra de grãos do país, respondendo por 3,8% da produção nacional. A liderança permanece com Mato Grosso, responsável por 30,9% do total brasileiro.

Na sequência aparecem Paraná, com 13,5%, e Rio Grande do Sul, com 10,8%. O ranking confirma a concentração da produção nacional nas grandes regiões produtoras, mas também evidencia o peso da Bahia como principal polo agrícola do Nordeste.

No cenário nacional, o IBGE informou que arroz, milho e soja permanecem como as três principais culturas da safra brasileira, respondendo conjuntamente por 92,7% da produção estimada e por 87,6% da área a ser colhida. A soja brasileira deve alcançar 174,1 milhões de toneladas, novo recorde da série histórica do instituto.

Estimativa aponta alta em 18 das 26 safras investigadas na Bahia

Além dos grãos, o IBGE acompanha outros produtos agrícolas no estado. Considerando o conjunto das 26 safras investigadas sistematicamente na Bahia, a estimativa de abril passou a indicar crescimento em 18 culturas na comparação com 2025.

Em março, a previsão era de alta em 16 safras. A mudança ocorreu principalmente por causa das revisões no algodão herbáceo, com avanço de 19,0%, e no café canephora, cuja estimativa subiu 53,4%. Esses ajustes fizeram com que as projeções para 2026 ficassem acima dos resultados do ano anterior.

Entre os maiores crescimentos absolutos, a liderança passou a ser da soja, com acréscimo estimado de 323.610 toneladas, ou 3,8%. Em seguida aparecem o milho 1ª safra, com aumento de 156.000 toneladas, ou 8,1%, e o algodão herbáceo, com alta de 51.000 toneladas, ou 2,8%.

Cana-de-açúcar, milho 2ª safra e mandioca têm maiores quedas absolutas

Apesar da predominância de resultados positivos, algumas culturas relevantes devem apresentar retração em 2026. A maior queda absoluta projetada é a da cana-de-açúcar, com redução de 741.472 toneladas, equivalente a 11,9%.

Também aparecem entre as principais baixas o milho 2ª safra, com queda de 92.400 toneladas, ou 11,5%, e a mandioca, com recuo de 34.127 toneladas, ou 3,8%.

Esses números indicam que o avanço da safra baiana não ocorre de forma homogênea. O resultado recorde dos grãos é sustentado sobretudo por culturas de grande escala, como soja e algodão, enquanto produtos tradicionais ou mais sujeitos a variações regionais apresentam desempenho desigual.

O que é o LSPA do IBGE

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola é realizado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e acompanha estimativas de área, produção e rendimento médio das principais culturas agrícolas do país.

O grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas — frequentemente tratado como grãos — inclui produtos como arroz, milho, aveia, centeio, cevada, sorgo, trigo, triticale, amendoim, feijão, caroço de algodão, mamona, soja e girassol.

Por ter divulgação mensal, o LSPA registra revisões ao longo do ciclo agrícola, refletindo alterações de produtividade, área plantada, condições climáticas, ritmo de colheita e informações atualizadas de campo. Por isso, os números podem ser ajustados até a consolidação da safra.


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