O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) criticou neste sábado (28/02/2026) a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que suspendeu os efeitos da quebra de sigilo da empresa Marídi, determinada pela CPI do Crime Organizado no Senado. Segundo o parlamentar, a medida judicial apresenta inconsistências processuais e pode comprometer o avanço das investigações que buscam esclarecer supostas conexões entre o Caso Banco Master, a empresa Reag e possíveis operações de lavagem de dinheiro associadas ao crime organizado, incluindo menções a recursos ligados ao PCC.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Vieira afirmou que a decisão judicial exige esclarecimentos. “A CPI do Crime Organizado vai recorrer e enfrentar a decisão do ministro Gilmar Mendes que suspendeu os efeitos da quebra de sigilo da empresa Marídi”, declarou o senador. Para ele, a decisão é “tão absurda na forma e no mérito que exige uma contextualização detalhada para que a sociedade entenda o que está acontecendo”.
CPI do Crime Organizado determinou quebra de sigilo da empresa
A CPI do Crime Organizado, instalada no Senado para investigar redes de lavagem de dinheiro e possíveis conexões financeiras com organizações criminosas, aprovou por unanimidade a quebra de sigilo da empresa Marídi.
A decisão também incluiu a convocação dos sócios conhecidos da empresa, que, segundo informações apresentadas na comissão, seriam irmãos do ministro do STF Dias Toffoli.
Segundo Alessandro Vieira, a medida foi fundamentada em indícios que surgiram durante as apurações parlamentares. “A CPI decidiu por unanimidade pela quebra de sigilo da Marídi e pela convocação dos sócios conhecidos da empresa, que são irmãos do ministro Dias Toffoli”, afirmou.
Durante a manifestação, o senador também mencionou suspeitas relacionadas à estrutura societária da empresa.
“Há informações de que Dias Toffoli seria sócio oculto da empresa, o que torna necessário aprofundar a investigação”, declarou.
Habeas corpus apresentado por familiares de ministro do STF
Após a decisão da CPI, os irmãos de Dias Toffoli teriam apresentado habeas corpus ao ministro André Mendonça, relator de processos relacionados ao Caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal.
De acordo com Vieira, Mendonça concedeu o direito de não comparecimento obrigatório para depoimento, entendimento que segue jurisprudência consolidada do STF quando o convocado possui condição de investigado, garantindo proteção contra autoincriminação.
O senador reconheceu que essa decisão não representa irregularidade processual.
“O ministro André Mendonça deferiu o direito de não serem obrigados a comparecer justamente porque são investigados. Essa jurisprudência é consistente no Supremo”, afirmou.
Questionamentos sobre a decisão de Gilmar Mendes
A crítica central apresentada por Alessandro Vieira diz respeito ao caminho processual adotado posteriormente pela empresa Marídi.
Segundo o senador, em vez de recorrer ao relator do caso ou solicitar distribuição regular no Supremo, a empresa teria apresentado pedido diretamente ao ministro Gilmar Mendes, utilizando um mandado de segurança já arquivado desde março de 2023.
Vieira relatou que a movimentação processual chamou atenção pela forma como ocorreu. “A empresa não peticiona ao relator do caso, que é o ministro André Mendonça, nem faz livre distribuição. Ela peticiona diretamente ao ministro Gilmar Mendes em um mandado de segurança que estava arquivado há quase três anos”, disse.
Na sequência, segundo o parlamentar, o ministro teria adotado um procedimento incomum. “O ministro Gilmar Mendes desarquiva esse mandado de segurança, decide pela nulidade das quebras de sigilo e depois volta a arquivar o processo”, declarou.
O mandado de segurança citado corresponde ao MS 38.187.
Suspeitas financeiras envolvendo o Caso Banco Master
As investigações mencionadas pela CPI envolvem movimentações financeiras consideradas suspeitas, associadas ao Caso Banco Master e a operações envolvendo a empresa Reag.
Segundo Vieira, as apurações indicam circulação de recursos que poderiam estar relacionados a esquemas de lavagem de dinheiro. “Existem notícias consistentes de circulação de recursos para fins de lavagem de dinheiro, inclusive recursos do PCC”, afirmou.
Esses elementos, segundo o senador, justificaram a decisão da CPI de aprofundar as investigações e determinar a quebra de sigilos bancário e fiscal da empresa investigada.
Senado promete recorrer da decisão
Diante da suspensão determinada pelo STF, Alessandro Vieira afirmou que a CPI do Crime Organizado pretende recorrer da decisão judicial.
Segundo ele, a investigação parlamentar não pode ser interrompida diante da gravidade das suspeitas. “Nesse emaranhado de decisões atípicas e de movimentações milionárias e suspeitas, uma coisa é imperiosa: esse escândalo é grande demais para ser empurrado para debaixo do tapete”, afirmou.
O senador acrescentou que o Senado deverá insistir no esclarecimento dos fatos.
“A Comissão Parlamentar de Inquérito e o Senado terão que cumprir o seu papel e enfrentar essa situação”, declarou.
Tensões institucionais entre CPI e STF
O episódio evidencia mais um capítulo das tensões institucionais entre investigações parlamentares e decisões do Supremo Tribunal Federal. As CPIs possuem poderes relevantes de investigação, incluindo a possibilidade de determinar quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico, mas suas decisões frequentemente são contestadas judicialmente.
No caso específico, o debate envolve duas dimensões distintas. De um lado, estão os questionamentos processuais apresentados pelo senador Alessandro Vieira sobre o trâmite do mandado de segurança no STF. De outro, surgem as suspeitas financeiras relacionadas ao Caso Banco Master e às operações investigadas pela CPI, que incluem possíveis conexões com lavagem de dinheiro.
O desfecho do episódio dependerá tanto das decisões judiciais que venham a ser tomadas no Supremo quanto da capacidade da CPI de reunir provas que sustentem suas medidas investigativas. A situação também evidencia a sensibilidade institucional quando investigações parlamentares alcançam pessoas ou empresas relacionadas a integrantes do próprio Judiciário.
Principais frases do senador Alessandro Vieira
- “A CPI do Crime Organizado vai recorrer e enfrentar a decisão do ministro Gilmar Mendes.”
- “Essa decisão é tão absurda na forma e no mérito que exige uma contextualização detalhada.”
- “A CPI decidiu por unanimidade pela quebra de sigilo da empresa Marídi.”
- “Os sócios conhecidos da empresa são irmãos do ministro Dias Toffoli.”
- “Há notícias consistentes de circulação de recursos para fins de lavagem de dinheiro, inclusive recursos do PCC.”
- “A empresa não peticiona ao relator do caso e nem faz livre distribuição.”
- “Ela peticiona diretamente ao ministro Gilmar Mendes em um processo que estava arquivado há quase três anos.”
- “O ministro desarquiva o mandado de segurança, anula a quebra de sigilo e depois arquiva novamente.”
- “Esse escândalo é grande demais para ser empurrado para debaixo do tapete.”
- “A CPI e o Senado terão que cumprir o seu papel.”
Confira vídeo








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