Suprema Corrupção: PGR e ministros do STF defendem afastamento do ministro Dias Toffoli do caso Banco Master em meio a suspeitas envolvendo empresa familiar

Interlocutores do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) informaram nesta quinta-feira (12/02/2026) que aumentou, nas duas instituições, a defesa de que o ministro Dias Toffoli se afaste da relatoria de questões relacionadas ao caso Banco Master. A expectativa é de que o magistrado seja aconselhado a deixar o processo durante reunião da Corte prevista para a tarde desta quinta-feira, em meio à intensificação das pressões internas e a novos elementos investigativos.

Segundo fontes ligadas à Procuradoria-Geral da República, o afastamento voluntário de Toffoli é visto como medida para reduzir a tensão institucional e preservar a imagem das instituições. Caso o ministro resista à orientação, interlocutores afirmam que o próprio procurador-geral avalia a possibilidade de rever a posição até então adotada de não pedir formalmente a suspeição do magistrado.

Pressão interna e mecanismos legais para afastamento

Pela legislação vigente, a suspeição de um ministro do STF pode ser arguida por ele próprio ou pela Procuradoria-Geral da República. Há ainda uma terceira hipótese: o presidente do Supremo admitir a suspeição e submeter a decisão ao plenário da Corte. Essa alternativa, no entanto, é considerada improvável neste momento.

Fontes do Ministério Público apontam que o procurador-geral tem atuado para conter a pressão de parlamentares que pedem o afastamento imediato de Toffoli. Ainda assim, procuradores ouvidos indicam que a maioria da categoria defende o afastamento como medida preventiva.

Empresa ligada a Toffoli entra no foco das investigações

A pressão aumentou após informações divulgadas por investigadores da Polícia Federal no âmbito do caso Banco Master. De acordo com os agentes, foram encontradas, no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, mensagens com menções a pagamentos de ao menos R$ 20 milhões à empresa ligada ao ministro.

A empresa citada é a Maridt Participações S.A., da qual Toffoli é sócio. O empreendimento possui capital social declarado de R$ 150 e funciona em uma casa residencial na cidade de Marília, interior de São Paulo, conforme dados do contrato social.

O nome do ministro não consta formalmente no quadro societário registrado na Junta Comercial, pois, segundo a estrutura da companhia, apenas administradores precisam aparecer nos documentos. Entre os sócios declarados estão o irmão do ministro, José Eugênio Dias Toffoli, e o sobrinho Igor Pires Toffoli.

Criada em 2020, a Maridt declara atuar em participações societárias e compra e venda de imóveis. A empresa foi sócia do resort Tayaya até o início de 2025, quando vendeu sua participação ao Fundo Arllen e posteriormente à empresa PHD Holding.

Defesa do ministro e posição oficial

Em nota divulgada nesta quinta-feira, o gabinete de Toffoli afirmou que a Maridt é uma empresa familiar de capital fechado, regularmente registrada e com declarações anuais à Receita Federal.

O comunicado ressalta que a Lei Orgânica da Magistratura permite que juízes integrem o quadro societário de empresas e recebam dividendos, desde que não exerçam funções administrativas. O gabinete também afirmou que o ministro não tem relação pessoal com Daniel Vorcaro e que jamais recebeu valores do banqueiro ou de eventuais intermediários.

Os investigadores da Polícia Federal destacaram que, embora tenham sido encontradas referências a pagamentos, ainda não há provas de que os valores tenham sido efetivamente transferidos ao ministro ou a terceiros.

Repercussões políticas e institucionais

O caso já provocou reações no Congresso Nacional. Parlamentares articulam medidas para apurar o episódio, incluindo pedidos de quebra de sigilo e até iniciativas voltadas à abertura de processo de impeachment contra o ministro.

Dentro do Ministério Público, o tema também mobiliza procuradores, que veem no eventual afastamento uma forma de preservar a credibilidade das investigações e evitar questionamentos futuros sobre a imparcialidade das decisões.


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