O Brasil registrou 1.568 mulheres assassinadas em 2025, com pelo menos 1.248 homens apontados como autores dos crimes, segundo dados apresentados durante debate realizado no Congresso Nacional na quarta-feira (11/03/2026). As informações foram discutidas em reunião da comissão destinada ao combate da violência contra a mulher.
De acordo com os dados apresentados na audiência, 62,6% das vítimas eram mulheres negras e 66,3% dos assassinatos ocorreram dentro de casa, cenário que, segundo participantes, evidencia a persistência da violência de gênero no país.
Especialistas e parlamentares que participaram da reunião afirmaram que os números podem ser ainda maiores, devido a subnotificação e a casos que permanecem sem solução.
Debate no Congresso destacou necessidade de políticas públicas
A reunião foi conduzida pela presidente da comissão, deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), que afirmou que os dados reforçam a necessidade de ampliação de políticas públicas de prevenção e proteção.
Durante o encontro, a parlamentar citou a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, elaborada pelo DataSenado, como uma das principais bases de dados para formulação de políticas voltadas ao enfrentamento da violência de gênero.
Participantes também ressaltaram a importância da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, serviço nacional que recebe denúncias e orienta vítimas de violência.
Segundo a deputada, os dados indicam que quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil em razão do gênero, situação que exige resposta institucional.
Violência política e desigualdade de gênero também foram discutidas
Durante o debate, a secretária-executiva do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa Rodrigues Naves, destacou que a violência de gênero também ocorre no ambiente político.
Segundo ela, parlamentares mulheres enfrentam episódios de violência política de gênero, o que reforça o debate sobre igualdade e participação feminina nos espaços de poder.
A representante do ministério afirmou que a desigualdade de gênero compromete o funcionamento pleno da democracia, ao limitar direitos e a participação das mulheres na vida pública.
De acordo com a secretária-executiva, políticas de combate à violência devem considerar a garantia do direito à vida e à dignidade das mulheres.
Especialistas apontam aumento de diferentes tipos de violência
A representante do Consórcio Lei Maria da Penha, Rúbia Abs da Cruz, afirmou durante a audiência que a violência contra mulheres ocorre em diferentes ambientes da sociedade.
Ela destacou que, além da violência física, há crescimento de outros tipos de agressão, como violência psicológica, sexual, patrimonial, parental, vicária, política e digital.
Segundo a especialista, ações de prevenção e educação são consideradas fundamentais, especialmente em escolas e programas de formação social.
Rúbia também informou que organizações do movimento de mulheres estão elaborando uma proposta de legislação voltada ao combate à violência digital, com apoio do Ministério das Mulheres.
Mulheres negras concentram maior número de vítimas
Dados apresentados pela pesquisadora Juliana Brandão, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, indicam que mulheres negras representam a maioria das vítimas de assassinato no país.
Segundo a pesquisadora, 62,6% das vítimas fatais registradas em 2025 eram mulheres negras, muitas delas em idade reprodutiva.
Ela afirmou que a violência de gênero no Brasil apresenta relação com desigualdades raciais e sociais, o que amplia a vulnerabilidade de determinados grupos.
A servidora do Senado Maria Teresa Prado, do Observatório da Mulher contra a Violência, apresentou dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher 2025, destacando que, no Distrito Federal, nenhuma mulher com medida protetiva foi assassinada em 2025, o que aponta a relevância dessas medidas.
Ligue 180 é apontado como ferramenta de prevenção e denúncia
Durante o debate, a coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen dos Santos Costa, afirmou que o feminicídio é um crime que pode ser evitado com ações de prevenção e denúncia.
Segundo ela, o Ligue 180 funciona em todo o território nacional, permitindo atendimento por telefone ou internet.
A coordenadora destacou que a ligação ao serviço representa, em muitos casos, o início do rompimento do ciclo de violência por parte da vítima.
Ela também informou que cerca de 30% das denúncias recebidas são feitas por terceiros ou de forma anônima, indicando maior participação da sociedade na identificação de casos.
Representantes apontam necessidade de enfrentar violência estrutural
A vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, Sandrali Campos Bueno, afirmou que a violência contra mulheres está relacionada a desigualdades estruturais presentes na sociedade.
Segundo ela, fatores como racismo, desigualdade social, violência territorial e ausência de políticas públicas influenciam o cenário de violência.
A representante também destacou a necessidade de fortalecer políticas de proteção, educação e participação social na elaboração de políticas públicas.
Participaram da audiência representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade civil, incluindo Schuma Schumaher, dos Movimentos de Mulheres, além de Margareth Rose e Marina Andrade, da Frente de Mulheres Negras do Distrito Federal.
*Com informações da Agência Senado.











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