Brasil registra desemprego de 5,8% e atinge menor taxa da série histórica no trimestre encerrado em fevereiro de 2026

O Brasil registrou taxa de desocupação de 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, o menor nível de toda a série histórica da PNAD Contínua Mensal, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa queda de 1 ponto percentual em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando a taxa estava em 6,8%, e confirma a retirada de mais de 1 milhão de pessoas da condição de desemprego em 12 meses, com o contingente de desocupados passando de 7,3 milhões para 6,2 milhões. Em comparação com o mesmo trimestre de 2022, quando a taxa era de 11,2%, a redução acumulada chega a 5,4 pontos percentuais.

O levantamento também aponta um novo recorde no rendimento médio mensal real habitualmente recebido, que alcançou R$ 3.679, com alta de 2% no trimestre e de 5,2% no acumulado de 12 meses. Ao mesmo tempo, a massa de rendimento real habitual somou R$ 371,1 bilhões, crescendo 6,9% em um ano, o equivalente a mais R$ 24,1 bilhões. Os números reforçam um cenário de mercado de trabalho mais aquecido, acompanhado por sinais de formalização em segmentos como comércio e serviços.

Além da redução do desemprego, a pesquisa mostra estabilidade em categorias relevantes do mercado de trabalho, como os empregados com carteira assinada no setor privado, os trabalhadores por conta própria e os empregados domésticos. A taxa de informalidade também recuou para 37,5% da população ocupada, indicando leve melhora na composição das ocupações no país. Os dados, segundo o próprio IBGE, refletem um ambiente de maior demanda por trabalhadores e melhora gradual na qualidade da inserção ocupacional.

Queda do desemprego reforça trajetória de recuperação do mercado de trabalho

A taxa de desocupação de 5,8% registrada entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026 se consolidou como o melhor resultado da série histórica da PNAD Contínua. O indicador mede o percentual de pessoas sem trabalho que procuraram emprego ativamente nos 30 dias anteriores à pesquisa. Nesse recorte, o desempenho sugere continuidade do movimento de recuperação observado nos últimos anos, agora em um patamar mais baixo de desemprego.

Na comparação anual, a população desocupada caiu de 7,3 milhões para 6,2 milhões, uma redução superior a 1 milhão de pessoas. Esse recuo revela não apenas melhora estatística, mas um alívio concreto sobre o mercado de trabalho brasileiro, especialmente após períodos recentes marcados por taxas significativamente mais elevadas. Frente ao mesmo trimestre de 2022, a retração de 5,4 pontos percentuais evidencia a dimensão da mudança.

Os dados também trazem sinalização importante sobre o comportamento da força de trabalho. A melhora da ocupação ocorre em paralelo à manutenção de parte dos vínculos formais e à ampliação do rendimento real, o que indica que o avanço não se restringe ao simples aumento de ocupações precárias, embora a informalidade ainda permaneça em nível elevado.

Renda média bate recorde e massa salarial cresce

Outro ponto de destaque do levantamento foi o avanço do rendimento médio mensal real habitualmente recebido por todas as pessoas ocupadas. O valor de R$ 3.679 representa o maior patamar da série e reforça a percepção de fortalecimento do mercado de trabalho sob a ótica da remuneração. No trimestre, houve crescimento de 2%, enquanto no comparativo anual o avanço foi de 5,2%.

A massa de rendimento real habitual, que expressa o total de recursos recebidos mensalmente pelos trabalhadores ocupados, chegou a R$ 371,1 bilhões. O montante ficou estável no trimestre, mas cresceu 6,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, com acréscimo de R$ 24,1 bilhões. Esse dado é relevante porque amplia a leitura sobre o dinamismo da economia, ao indicar maior volume de renda circulando entre as famílias.

Segundo a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, esse crescimento do rendimento vem sendo impulsionado pela forte demanda por trabalhadores, acompanhada da tendência de maior formalização sobretudo nas atividades de comércio e serviços. A observação do instituto sugere que a melhora da renda não decorre de um fator isolado, mas de uma combinação entre emprego, atividade econômica e composição ocupacional.

Desalento recua e mostra melhora no ambiente de busca por trabalho

A pesquisa também registrou redução da população desalentada, grupo formado por pessoas em idade ativa que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar emprego por não encontrar oportunidades adequadas ou por frustrações anteriores no mercado. O total ficou em 2,7 milhões de pessoas, estável no trimestre, mas com queda de 14,9% em relação ao ano anterior.

Em números absolutos, isso representa menos 477 mil pessoas nessa condição na comparação anual. O percentual de desalentados foi de 2,4%, mantendo estabilidade no trimestre e recuando 0,4 ponto percentual em 12 meses. Trata-se de um indicador relevante porque ajuda a medir a confiança do trabalhador em relação à possibilidade real de inserção no mercado.

A redução do desalento costuma ser interpretada como um sinal complementar de melhora econômica. Quando menos pessoas desistem de procurar ocupação, há indícios de que o ambiente de contratação se tornou menos restritivo, ainda que persistam desigualdades regionais e setoriais que a pesquisa agregada não detalha neste recorte.

Emprego formal se mantém estável e informalidade recua

No setor privado com carteira assinada, o Brasil contabilizou 39,2 milhões de trabalhadores, número que permaneceu estável tanto no trimestre quanto no comparativo anual. A estabilidade nesse segmento tem peso importante, pois o emprego formal costuma ser observado como um dos principais termômetros da consistência do mercado de trabalho.

Já o contingente de empregados sem carteira assinada no setor privado foi de 13,3 milhões, com redução de 342 mil pessoas no trimestre e estabilidade no ano. O resultado sugere que parte da melhora recente pode estar associada à redução de ocupações mais vulneráveis, embora o nível absoluto ainda permaneça elevado. Entre os trabalhadores por conta própria, o total foi de 26,1 milhões, estável no trimestre e com crescimento de 3,2% em 12 meses, equivalente a mais 798 mil pessoas.

No caso dos trabalhadores domésticos, o total ficou em 5,5 milhões, sem variação relevante no trimestre e no ano. Já a taxa de informalidade recuou para 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,3 milhões de trabalhadores, abaixo dos 37,7% observados no trimestre encerrado em novembro e dos 38,1% registrados no trimestre de dezembro de 2024 a janeiro de 2025. A queda é modesta, mas indica uma melhora gradual na estrutura ocupacional.

O que é a PNAD Contínua e por que seus dados são relevantes

A PNAD Contínua é a principal pesquisa do país sobre mercado de trabalho e força ocupacional. Seu alcance nacional a transforma em referência para a formulação de políticas públicas, análises econômicas e acompanhamento da dinâmica do emprego, da renda e da informalidade no Brasil.

A amostra da pesquisa abrange 211 mil domicílios distribuídos em 3.500 municípios, visitados a cada trimestre. Aproximadamente 2 mil entrevistadores participam do levantamento, vinculados a mais de 500 agências do IBGE em todo o território nacional. Essa abrangência confere robustez estatística ao estudo e permite mapear tendências com maior precisão.

Por essa razão, a divulgação de uma mínima histórica para o desemprego ganha relevância institucional e econômica. Mais do que um dado isolado, o resultado passa a integrar uma série de indicadores que ajudam a avaliar o momento do mercado de trabalho brasileiro e sua capacidade de sustentar renda, consumo e atividade econômica.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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