Escalada militar no Oriente Médio: Israel intensifica ataques ao Irã e guerra regional provoca crise humanitária no Líbano

 

Neste sábado (07/03/2026), o conflito militar envolvendo Israel, Irã e Estados Unidos entrou no oitavo dia consecutivo de escalada, com novos bombardeios israelenses de grande escala contra infraestruturas governamentais em Teerã e outras regiões iranianas. Ao mesmo tempo, o presidente iraniano Massoud Pezeshkian pediu desculpas publicamente a países vizinhos atingidos por mísseis iranianos desde o início da guerra, iniciada em 28 de fevereiro, enquanto reafirmou que Teerã não aceitará pressões de Washington e Tel Aviv. A intensificação da ofensiva ampliou a instabilidade regional, provocando ataques cruzados, deslocamentos massivos de civis no Líbano e interrupções em importantes centros logísticos do Golfo.

Israel amplia ofensiva aérea contra o Irã

A madrugada de sábado foi marcada por bombardeios israelenses de grande amplitude contra o território iraniano. Segundo as Forças de Defesa de Israel (FDI), a operação foi iniciada após a detecção de uma nova salva de mísseis disparados pelo Irã contra Israel.

A ofensiva mobilizou mais de 80 aeronaves de combate, responsáveis por atingir aproximadamente 400 alvos militares no oeste do Irã, incluindo:

  • lançadores de mísseis balísticos
  • depósitos de drones
  • estruturas associadas à logística militar iraniana

Na capital Teerã, os ataques atingiram instalações governamentais e áreas estratégicas próximas ao Aeroporto Internacional de Mehrabad, gerando grandes colunas de fumaça e incêndios visíveis em diversos pontos da cidade.

No sul do país, em Chiraz, autoridades locais informaram que os bombardeios provocaram 20 mortes e cerca de 30 feridos, ampliando o número de vítimas civis do conflito.

Irã mantém resposta militar e pede desculpas a países vizinhos

Apesar da pressão militar, o governo iraniano reafirmou sua disposição de continuar reagindo aos ataques. Em discurso transmitido pela televisão estatal, o presidente Massoud Pezeshkian declarou que o país apenas responde a agressões externas.

Durante a mensagem, o líder iraniano apresentou um pedido público de desculpas aos países vizinhos afetados por mísseis disparados durante a escalada militar.

Segundo Pezeshkian:

  • o Irã não pretende atingir países da região
  • os ataques ocorreram no contexto de operações defensivas
  • o país não se renderá aos Estados Unidos nem a Israel

Mesmo após a declaração conciliatória, novos mísseis iranianos foram disparados contra Israel, provocando explosões em Tel Aviv na manhã de sábado.

Campanha militar liderada por EUA e Israel

A atual guerra regional se insere na operação militar conjunta conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, após uma série de incidentes militares e tensões envolvendo o programa nuclear iraniano e milícias aliadas de Teerã no Oriente Médio.

Na sexta-feira (06/03/2026), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que busca a “capitulação” do regime iraniano.

Trump também afirmou que Washington pretende participar da definição do sucessor do líder supremo Ali Khamenei, morto no fim de semana anterior durante a escalada do conflito.

A Casa Branca reiterou que:

  • não haverá negociações diplomáticas
  • os ataques continuarão até que o Irã deixe de representar ameaça aos EUA
  • a operação “Fúria Épica” continuará até que seus objetivos militares sejam alcançados

Ataques atingem países do Golfo e ampliam tensão regional

O conflito ultrapassou as fronteiras iranianas e israelenses, afetando diversos países do Oriente Médio.

Entre os principais incidentes registrados:

  • Emirados Árabes Unidos: nove mísseis balísticos iranianos foram interceptados
  • Iraque: drones e foguetes atingiram áreas próximas ao aeroporto de Bagdá
  • Catar: autoridades afirmaram ter interceptado dez drones iranianos
  • Azerbaijão: governo anunciou a neutralização de supostos complôs terroristas ligados ao Irã

Esses episódios ampliam o risco de regionalização do conflito, com potencial envolvimento direto de outros países.

Aeroporto de Dubai suspende operações

A escalada militar também provocou impactos diretos no sistema internacional de transporte aéreo.

O Aeroporto Internacional de Dubai, considerado o mais movimentado do mundo em tráfego internacional, suspendeu temporariamente todas as operações após a interceptação de projéteis nas proximidades da área aeroportuária.

Segundo autoridades dos Emirados Árabes Unidos, a medida foi adotada para garantir a segurança de passageiros e equipes.

A companhia aérea Emirates anunciou a suspensão de todos os voos de e para Dubai até novo aviso e orientou passageiros a não se deslocarem ao terminal.

Líbano enfrenta crise humanitária com deslocamento em massa

A guerra também atingiu diretamente o Líbano, após o grupo Hezbollah, aliado do Irã, lançar ataques contra Israel no início da semana.

A resposta israelense desencadeou bombardeios intensos contra o sul do país, provocando uma grave crise humanitária.

De acordo com autoridades libanesas:

  • mais de 450 mil pessoas foram deslocadas
  • cerca de 110 mil estão em centros de acolhimento
  • quase 300 pessoas morreram desde o início dos ataques
  • centenas ficaram feridas

A ministra libanesa dos Assuntos Sociais, Haneen Sayed, afirmou que o país enfrenta uma situação de emergência humanitária sem precedentes recentes.

Operação israelense em reduto do Hezbollah

Na noite de sexta-feira (06/03/2026), forças especiais israelenses realizaram uma incursão aérea na localidade de Nabi Sheet, no leste do Líbano, área considerada reduto do Hezbollah.

Segundo o Exército israelense, a missão tinha como objetivo localizar restos mortais do piloto Ron Arad, capturado por grupos xiitas após a queda de seu avião em 1986.

A operação deixou:

  • 41 mortos, incluindo três soldados
  • 40 feridos
  • grande destruição em edifícios da localidade

Apesar da ofensiva, Israel informou não ter encontrado vestígios ligados ao piloto desaparecido.

Ron Arad é considerado morto pelas autoridades israelenses desde a década de 1990, mas permanece um símbolo histórico na memória militar do país.

*Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Poder360, Metrópoles, CNN, Revista Veja e Agências Brasil, Reuters, RFI, Sputnik e BBC Brasil.


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