O ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, afirmou na quarta-feira (25/03/2026), durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que o Banco Master teria coordenado fraudes em empréstimos consignados e participado de operações financeiras suspeitas envolvendo recursos públicos. Senadores questionaram as declarações e destacaram a necessidade de aprofundamento das investigações.
Segundo Taques, o banco teria atuado por meio de uma rede de instituições financeiras que induziriam servidores públicos à contratação de crédito consignado, com dificuldades de acesso às informações contratuais e possível atuação sem autorização do Banco Central do Brasil.
O ex-governador afirmou que cerca de 45 mil servidores de Mato Grosso estariam vinculados a contratos com empresas relacionadas ao banco.
Suposta rede de crédito consignado e endividamento de servidores
Durante o depoimento, Taques relatou que aposentados teriam até 60% da renda comprometida, com juros entre 4% e 5% ao mês e múltiplos contratos simultâneos.
Ele apontou que instituições utilizariam nomes que remetem a bancos para conferir aparência de legitimidade, o que poderia induzir consumidores ao erro.
O relator da CPI, Alessandro Vieira, afirmou que o modelo investigado pode ter alcançado 23 estados e mais de 160 prefeituras, indicando possível abrangência nacional.
Operações financeiras e suspeitas de lavagem de dinheiro
Taques também declarou que o Banco Master teria movimentado R$ 308 milhões provenientes de devoluções tributárias para empresas ligadas a aliados políticos em Mato Grosso.
De acordo com o relato, os valores teriam sido operacionalizados por meio de fundos de investimento, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro.
O presidente da CPI, Fabiano Contarato, questionou se haveria articulação entre estados para facilitar operações semelhantes, hipótese que, segundo Taques, deve ser investigada.
CAE derruba sigilo de auditorias do TCU
Na terça-feira (24/03/2026), a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado decidiu derrubar o sigilo de auditorias do Tribunal de Contas da União relacionadas ao Banco Master.
O presidente da comissão, Renan Calheiros, afirmou que os documentos serão tornados públicos, com exceção de dados protegidos por lei.
A medida atende a requerimentos de parlamentares que defendem maior transparência nas investigações sobre o sistema financeiro.
Propostas legislativas e atuação no STF
Durante a reunião, foram apresentadas propostas para coibir fraudes financeiras, incluindo projetos que ampliam a fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários e estabelecem penas mais rigorosas para crimes no mercado.
Paralelamente, senadores protocolaram pedido no Supremo Tribunal Federal para instalação de uma CPI específica sobre o Banco Master, alegando que a demora pode comprometer a apuração.
O grupo sustenta que a criação de CPIs é um direito constitucional das minorias parlamentares, desde que atendidos os requisitos formais.
Contexto político e questionamentos no Senado
Durante a sessão, parlamentares levantaram questionamentos sobre o contexto político envolvendo Taques e o atual governador de Mato Grosso, Mauro Mendes.
Senadores também pediram esclarecimentos sobre os métodos de investigação utilizados e a origem das informações apresentadas.
A CPI deve seguir com novas oitivas e análise de documentos para verificar a consistência das acusações e eventuais responsabilidades.
*Com informações da Agência Senado.








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