O Ministério da Educação (MEC) autorizou nesta quinta-feira (19/03/2026) o início das obras do Campus Poções do Instituto Federal da Bahia (IFBA), em cerimônia realizada nesta quinta-feira, 19 de março de 2026, no município do sudoeste baiano. A nova unidade contará com R$ 15 milhões para a execução da obra, com recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), além de outros R$ 10 milhões previstos para mobiliário e equipamentos na fase final de implantação. A iniciativa integra a política federal de expansão e fortalecimento da educação profissional e tecnológica, em um pacote mais amplo que destina R$ 110,7 milhões ao IFBA em obras vinculadas ao programa.
A autorização foi anunciada pelo ministro da Educação, Camilo Santana, durante agenda oficial na Bahia. Segundo ele, o estado está recebendo R$ 2,5 bilhões em investimentos do Novo PAC para a área da educação, com previsão de construção de 134 novas creches, 62 escolas de tempo integral e aquisição de 342 ônibus escolares para os municípios baianos. No caso específico dos institutos federais, a expansão busca ampliar a presença da rede em regiões que ainda dependem do deslocamento de estudantes para cidades vizinhas.
De acordo com o ministro, a criação do novo campus permitirá reduzir a necessidade de viagens diárias de alunos de Poções para outras unidades, em especial para Vitória da Conquista. Ele destacou que, com os novos campi previstos, a Bahia deverá alcançar 46 unidades de institutos federais, ampliando a capilaridade da rede no estado e reforçando a oferta de cursos técnicos e de qualificação profissional em áreas estratégicas.
Novo campus começa com sede provisória e cursos já definidos
Enquanto a estrutura definitiva não é concluída, o Campus Poções já funciona em sede provisória, cedida pela prefeitura municipal. O espaço foi reformado para receber os primeiros estudantes, permitindo o início das atividades antes da finalização das obras principais. O edital para seleção dos estudantes será aberto em 23 de março, e a previsão de início das aulas é 15 de abril.
Nesta etapa inicial, o IFBA ofertará cursos de qualificação profissional voltados à inserção rápida no mercado de trabalho e ao atendimento de demandas regionais. Estão previstos os cursos de microempreendedor individual, eletricista instalador predial de baixa tensão, eletricista de sistemas de energias renováveis e operador de computador. A escolha dessas formações indica uma estratégia de articulação entre educação pública, desenvolvimento local e capacitação técnica.
A estudante Sofia Amaral de Souza, representante dos alunos da rede pública estadual na solenidade, afirmou que a instalação da unidade representa um marco para o município. Em sua avaliação, a chegada do instituto deverá ampliar o acesso ao ensino técnico e superior, reduzindo barreiras geográficas e logísticas que historicamente dificultam a permanência de jovens na formação educacional.
Estrutura prevista e capacidade de atendimento
O novo campus terá como núcleo um prédio principal com cerca de 2,7 mil metros quadrados, reunindo pavilhão acadêmico e administrativo. O projeto inclui salas de aula, laboratórios, auditório, biblioteca, espaços de coordenação e refeitório, compondo a infraestrutura básica para o funcionamento regular da unidade. Trata-se de um modelo compatível com o padrão de implantação adotado na expansão da rede federal.
Atualmente, o IFBA possui 24 campi e um polo de inovação, atendendo mais de 31 mil estudantes em cursos técnicos, de graduação e de pós-graduação. A criação do Campus Poções se soma a esse processo de interiorização da educação pública federal, que tem sido apresentada pelo governo como um eixo estratégico para ampliar oportunidades formativas fora dos grandes centros urbanos.
A reitora do IFBA, Luzia Matos Mota, afirmou que a implantação da nova unidade reflete uma articulação entre diferentes esferas institucionais. Segundo ela, a construção do campus resulta da cooperação entre o instituto, a prefeitura de Poções, o governo estadual, parlamentares e o governo federal, em um arranjo que viabilizou tanto a sede provisória quanto a execução da obra definitiva.
Novo PAC destina recursos para consolidação e expansão dos institutos federais
Além da implantação de novos campi, o Novo PAC prevê recursos para a consolidação das unidades já existentes da Rede Federal. Nessa frente, o governo federal reservou R$ 1,4 bilhão, voltados prioritariamente para campi que ainda não dispõem de infraestrutura completa. Entre os investimentos previstos estão a construção de restaurantes estudantis, bibliotecas, blocos de salas de aula, laboratórios, quadras poliesportivas e instalações definitivas.
No caso do IFBA, os recursos destinados à consolidação somam R$ 10,8 milhões. Entre 2023 e 2025, já foram repassados R$ 4,6 milhões, incluindo R$ 651,9 mil em aditivo, com previsão de mais R$ 6,8 milhões. Esses valores se destinam ao aperfeiçoamento da estrutura das unidades já existentes, em paralelo à abertura de novos campi no estado.
Na frente de expansão, o governo federal prevê a implantação de mais de 100 novas unidades em todo o país, com investimento total de R$ 2,5 bilhões. A estimativa oficial é de criação de mais de 142 mil novas vagas de educação profissional e tecnológica. Cada campus deverá receber, em média, R$ 25 milhões e terá capacidade para atender aproximadamente 1,4 mil estudantes.
Bahia concentra novos investimentos em diferentes municípios
Para o IFBA, os recursos de expansão alcançam R$ 100 milhões, destinados à construção e ao aparelhamento de novos campi em municípios baianos além de Poções. Entre as cidades mencionadas estão Itabuna, Macaúbas e Salvador, o que demonstra que o plano de expansão não se limita a uma única região do estado, mas compõe uma estratégia mais abrangente de interiorização e reforço da rede.
A concentração de investimentos na Bahia coincide com a dimensão territorial do estado e com a demanda histórica por ampliação da oferta de ensino técnico e tecnológico em municípios do interior. A presença dos institutos federais, nesse contexto, tem sido associada à formação profissional, ao desenvolvimento regional e à criação de oportunidades educacionais para populações que antes dependiam de deslocamentos longos ou da migração para centros maiores.
Ao anunciar o conjunto de medidas, o MEC reforçou a diretriz de vincular infraestrutura educacional, expansão de vagas e qualificação profissional. No caso de Poções, a implantação do campus representa não apenas uma nova obra pública, mas também a abertura de uma estrutura permanente de formação técnica em uma área até então dependente de soluções provisórias ou do deslocamento cotidiano de estudantes.








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