O ministro da Casa Civil, Rui Costa, reagiu nesta sexta-feira (27/03/2026) de forma crítica à confirmação do prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), como candidato a vice-governador na chapa de ACM Neto (União Brasil) nas eleições estaduais de 2026. Em declaração pública registrada em áudio, o ex-governador da Bahia afirmou ter sido “traído politicamente” pelo gestor municipal, detalhando episódios de apoio institucional e eleitoral que, segundo ele, teriam sido decisivos para a ascensão de Cocá.
A manifestação ocorre em meio à consolidação de alianças no estado e marca um novo capítulo na disputa entre os blocos políticos liderados pelo grupo governista e pela oposição. A confirmação da chapa reforça a estratégia de ampliação da base oposicionista no interior baiano, ao mesmo tempo em que explicita rupturas relevantes no campo político estadual.
Rui Costa relatou que teve papel direto na trajetória política de Zé Cocá, desde sua inserção em funções administrativas até o apoio em disputas eleitorais no município de Jequié.
Segundo o ministro, Cocá foi convidado a atuar na organização de consórcios de saúde e posteriormente nomeado para cargos públicos. O apoio teria se intensificado durante a eleição municipal, quando Cocá solicitou ajuda para viabilizar sua candidatura.
“Ele me procurou várias vezes pedindo apoio, inclusive para a formação da chapa. Nós ajudamos na campanha, mobilizamos equipe e familiares”, afirmou Rui Costa.
O ex-governador também destacou que participou ativamente da campanha, diante de um cenário eleitoral adverso, classificando a vitória como apertada no primeiro mandato.
Críticas após confirmação da aliança com ACM Neto
Com a confirmação de Zé Cocá como vice na chapa de ACM Neto, Rui Costa afirmou que houve quebra de confiança e incoerência política, especialmente após declarações públicas do prefeito atribuindo sua trajetória a outro grupo político.
O ministro relatou ter confrontado Cocá diretamente após a divulgação dessas declarações, questionando a mudança de posicionamento.
“Quando ouvi ele dizendo que tudo que conquistou devia a outro grupo, questionei. Ele reconheceu que o apoio havia sido nosso. Isso demonstra um problema de coerência política”, declarou.
Rui também mencionou episódios envolvendo a condução da escolha de vice na eleição municipal de Jequié, classificando a situação como inadequada do ponto de vista ético.
Eleições 2026: ACM Neto consolida chapa com base no interior
A confirmação de Zé Cocá como vice de ACM Neto representa um movimento estratégico da oposição para fortalecer sua presença no interior da Bahia.
ACM Neto, que disputou o governo estadual em 2022, mantém protagonismo no campo oposicionista e busca ampliar alianças com lideranças municipais de peso. A escolha de Cocá, prefeito de um município relevante do sudoeste baiano, indica tentativa de consolidar capilaridade eleitoral fora da capital e da Região Metropolitana de Salvador.
Principais elementos da estratégia oposicionista:
- Integração de lideranças do interior, com base eleitoral consolidada
- Ampliação do alcance regional da campanha
- Reposicionamento político após o pleito de 2022
- Disputa direta com o grupo governista liderado pelo PT
Cenário político e impactos da nova aliança
A oficialização da chapa ACM Neto–Zé Cocá ocorre em um contexto de intensificação das articulações para 2026, com movimentações simultâneas entre oposição e governo.
Rui Costa, apontado como potencial candidato ao Senado, permanece como uma das principais lideranças do grupo governista e a mente capaz de organizar a campanha à reeleição de Jerônimo Rodrigues, o que torna o embate ainda mais relevante do ponto de vista político.
Levantamentos e análises já publicados por Carlos Augusto, editor do Jornal Grande Bahia indicam que a eleição de 2026 tende a ser marcada por disputa acirrada, elevada polarização e crescente valorização de alianças regionais, especialmente em municípios estratégicos do interior do estado.
O cenário aponta para uma tendência de fortalecimento da pré-campanha de Jerônimo Rodrigues, impulsionada pela sua vinculação ao lulopetismo, que mantém capilaridade eleitoral relevante na Bahia, sobretudo entre segmentos populares e no interior. Por outro lado, observa-se um quadro de estagnação e perda de competitividade de ACM Neto, associado ao acúmulo de críticas à gestão de Salvador, particularmente em áreas sensíveis como mobilidade, desigualdade urbana e serviços públicos.
Além disso, a aproximação de ACM Neto com o bolsonarismo surge como fator de risco político, diante de sua baixa aceitação social no eleitorado baiano e elevado índice de rejeição, o que tende a limitar a expansão de sua base eleitoral em um estado historicamente alinhado a projetos de centro-esquerda.
Em síntese, o ambiente eleitoral se desenha sob forte influência de identidades políticas consolidadas, desempenho administrativo recente e capacidade de articulação territorial, elementos que devem ser determinantes para o equilíbrio de forças na disputa de 2026.











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