Pesquisa eleitoral de março de 2026 do instituto RealTime Big Data indica vantagem ampla do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Bahia em cenários para a eleição presidencial de 2026, ao mesmo tempo em que aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL) como principal nome da direita no estado. O levantamento, realizado com 2.000 eleitores baianos, mostra Lula liderando com mais de 50% das intenções de voto nos cenários estimulados e revela ainda elevada rejeição ao candidato bolsonarista. Os dados também indicam impactos diretos na política estadual, especialmente na disputa pelo governo da Bahia entre o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).
Intenção espontânea de voto para presidente
Na pergunta espontânea — quando o eleitor cita nomes sem lista prévia — Lula aparece isolado na liderança.
Intenção espontânea
- Lula: 37%
- Flávio Bolsonaro: 14%
- Jair Bolsonaro: 6%
- Ratinho Jr.: 1%
- Ciro Gomes: 1%
- Outros: 3%
- Nulo ou branco: 6%
- Não sabe ou não respondeu: 32%
O percentual elevado de indecisos indica que o ambiente eleitoral ainda permanece aberto, apesar da vantagem clara do atual presidente.
Cenários estimulados para a eleição presidencial
Cenário 1
Quando os nomes são apresentados aos eleitores, Lula amplia a vantagem.
- Lula (PT): 55%
- Flávio Bolsonaro (PL): 22%
- Ratinho Jr. (PSD): 5%
- Romeu Zema (Novo): 3%
- Aldo Rebelo (DC): 1%
- Renan Santos (Missão): 1%
- Nulo ou branco: 6%
- Não sabe: 7%
Cenário 2
Com a inclusão de Eduardo Leite no lugar de Ratinho Jr., o quadro permanece praticamente inalterado.
- Lula (PT): 56%
- Flávio Bolsonaro (PL): 23%
- Romeu Zema (Novo): 3%
- Eduardo Leite (PSD): 2%
- Aldo Rebelo (DC): 1%
- Renan Santos (Missão): 1%
- Nulo ou branco: 6%
- Não sabe: 8%
Cenário 3
Com o governador Ronaldo Caiado entre os candidatos:
- Lula (PT): 56%
- Flávio Bolsonaro (PL): 23%
- Ronaldo Caiado (PSD): 3%
- Romeu Zema (Novo): 3%
- Aldo Rebelo (DC): 1%
- Renan Santos (Missão): 1%
- Nulo ou branco: 6%
- Não sabe: 7%
Em todos os cenários, Lula supera 50% das intenções de voto, índice que, em uma eleição real, indicaria possibilidade de vitória em primeiro turno no estado.
Avaliação do governo Lula
A pesquisa também mediu a percepção dos eleitores baianos sobre o governo federal.
Aprovação geral
- Aprova: 58%
- Desaprova: 36%
- Não sabe: 6%
Avaliação do governo
- Ótimo ou bom: 36%
- Regular: 32%
- Ruim ou péssimo: 29%
- Não sabe: 3%
Os números indicam saldo positivo de aprovação, fator que costuma influenciar diretamente o comportamento eleitoral.
Rejeição dos candidatos
O levantamento também analisou rejeição eleitoral.
Rejeição múltipla
- Flávio Bolsonaro: 54%
- Eduardo Leite: 31%
- Lula: 26%
- Ratinho Jr.: 25%
- Aldo Rebelo: 23%
- Romeu Zema: 22%
- Ronaldo Caiado: 22%
- Renan Santos: 19%
Apesar de liderar o campo da direita, Flávio Bolsonaro apresenta o maior índice de rejeição entre os candidatos testados.
Distribuição do voto por renda e idade
Renda
Entre eleitores de menor renda, Lula apresenta vantagem expressiva.
- Até 2 salários mínimos: 58% para Lula, 19% para Flávio Bolsonaro
- Entre 2 e 5 salários mínimos: 55% para Lula, 25% para Flávio Bolsonaro
- Acima de 5 salários mínimos: 37% para Lula, 33% para Flávio Bolsonaro
A diferença diminui entre eleitores de renda mais elevada.
Idade
Entre eleitores com mais de 60 anos, Lula alcança 63% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 19%.
O dado indica forte fidelização do eleitorado mais velho ao petismo no estado.
Impacto na política estadual da Bahia
Os resultados do levantamento possuem repercussões diretas na disputa pelo governo estadual.
Vantagem estrutural para Jerônimo Rodrigues
Do ponto de vista de ciência política, o cenário presidencial na Bahia reforça uma vantagem estrutural para o governador Jerônimo Rodrigues, aliado direto de Lula.
A forte liderança do presidente no estado tende a produzir o chamado efeito de arrasto eleitoral, fenômeno em que candidatos apoiados por um líder popular se beneficiam de sua aprovação.
Esse padrão foi observado em eleições anteriores no Nordeste e pode favorecer a reeleição de Jerônimo, sobretudo em municípios do interior e entre eleitores de baixa renda.
Desafio estratégico para ACM Neto
Para ACM Neto, principal liderança da oposição na Bahia e aliado político do campo bolsonarista, o cenário apresenta desafios relevantes.
Embora o ex-prefeito de Salvador possua base política consolidada no estado, a elevada rejeição do bolsonarismo na Bahia pode limitar a transferência de votos vindos do campo conservador nacional.
Nesse contexto, cientistas políticos avaliam que ACM Neto pode ser pressionado a adotar uma estratégia de distanciamento moderado da polarização nacional, buscando preservar sua imagem como liderança regional.
Polarização nacional e comportamento eleitoral na Bahia
A pesquisa evidencia a persistência de um padrão eleitoral que se consolidou ao longo das últimas duas décadas: a Bahia permanece como um dos principais bastiões eleitorais do lulismo no país.
Esse fenômeno é explicado por fatores estruturais, como políticas sociais federais, alianças políticas regionais e a presença histórica do PT na administração estadual.
O levantamento também mostra que Flávio Bolsonaro emerge como principal herdeiro eleitoral do bolsonarismo, concentrando o voto do campo conservador.
Entretanto, a alta rejeição registrada indica que o candidato enfrentaria obstáculos significativos para ampliar sua base eleitoral no estado.
Possíveis desdobramentos eleitorais
Para analistas políticos, três cenários podem se consolidar até 2026:
- Manutenção da polarização Lula versus bolsonarismo
- Fragmentação da direita entre governadores e lideranças regionais
- Fortalecimento do bloco governista no Nordeste
Na Bahia, esses fatores tendem a influenciar diretamente a disputa estadual entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto, tornando o cenário presidencial um elemento central da estratégia política local.








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