Pesquisa eleitoral da Realtime de março de 2026 mostra ACM Neto à frente de Jerônimo Rodrigues e indica disputa competitiva pelo Governo da Bahia em 2026 | Por Carlos Augusto

Pesquisa eleitoral estadual de março de 2026 divulgada pelo instituto Realtime Big Data aponta um cenário competitivo na disputa pelo governo da Bahia nas eleições de 2026. No principal cenário estimulado, ACM Neto (União Brasil) aparece com 44% das intenções de voto, enquanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT) registra 39%, configurando uma diferença de cinco pontos percentuais dentro da margem de erro de dois pontos. O levantamento também apresenta dados sobre rejeição, avaliação do governo estadual e cenários para o Senado Federal, além de indicar que a disputa baiana tende a ser influenciada pela polarização nacional entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

A pesquisa foi realizada entre os dias 10 e 11 de março de 2026, com 2.000 entrevistas em todo o estado da Bahia, margem de erro de ±2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Cenário eleitoral para o governo da Bahia

Disputa direta mostra vantagem de ACM Neto

No cenário estimulado apresentado pela pesquisa, o quadro eleitoral é o seguinte:

  • ACM Neto (União Brasil): 44%
  • Jerônimo Rodrigues (PT): 39%
  • José Carlos Aleluia (Novo): 2%
  • Ronaldo Mansur (PSOL): 2%
  • Nulo/Branco: 8%
  • Não sabem ou não responderam: 5%

Os números indicam uma vantagem inicial para ACM Neto, embora a disputa permaneça aberta dentro da margem de erro.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes não são apresentados ao eleitor, o grau de indefinição ainda é elevado:

  • ACM Neto: 14%
  • Jerônimo Rodrigues: 12%
  • Rui Costa: 2%
  • Bruno Reis: 1%
  • Nulo/Branco: 9%
  • Não sabem ou não responderam: 62%

O elevado percentual de indecisos indica que grande parte do eleitorado ainda não cristalizou preferências, o que é comum em fases iniciais do ciclo eleitoral.

Perfil do voto na Bahia

Idade

A distribuição por faixa etária revela diferenças relevantes:

  • 16 a 34 anos: ACM Neto 42% | Jerônimo 41%
  • 35 a 59 anos: ACM Neto 43% | Jerônimo 38%
  • Acima de 60 anos: ACM Neto 50% | Jerônimo 37%

O levantamento indica vantagem mais ampla de ACM Neto entre eleitores mais idosos, enquanto entre os jovens o quadro aparece praticamente equilibrado.

Renda

A divisão por renda apresenta outro padrão importante:

Até dois salários mínimos

  • Jerônimo Rodrigues: 43%
  • ACM Neto: 42%

Acima de cinco salários mínimos

  • ACM Neto: 53%
  • Jerônimo Rodrigues: 25%

Esse padrão reproduz uma divisão tradicional da política brasileira, com maior presença do eleitorado governista entre segmentos de renda mais baixa e maior apoio oposicionista entre eleitores de renda média e alta.

Avaliação do governo Jerônimo Rodrigues

O levantamento também mediu a avaliação da gestão estadual.

Aprovação do governo

  • Aprova: 47%
  • Desaprova: 50%
  • Não sabem: 3%

Na avaliação qualitativa:

  • Ótimo/Bom: 25%
  • Regular: 43%
  • Ruim/Péssimo: 31%

Os números sugerem um governo com avaliação relativamente equilibrada, com forte presença de eleitores que classificam a gestão como regular.

Rejeição eleitoral

A pesquisa também analisou rejeição dos candidatos.

  • Jerônimo Rodrigues: 43%
  • ACM Neto: 42%
  • José Carlos Aleluia: 33%
  • Ronaldo Mansur: 20%

O resultado revela níveis semelhantes de rejeição entre os dois principais adversários, o que tende a manter a disputa competitiva.

Cenários para o Senado Federal

A pesquisa também avaliou a disputa pelas duas vagas ao Senado.

No cenário principal:

  • Rui Costa (PT): 27%
  • Jaques Wagner (PT): 21%
  • Angelo Coronel: 18%
  • João Roma (PL): 14%

Quando analisado o primeiro voto:

  • Rui Costa: 38%
  • João Roma: 22%
  • Jaques Wagner: 19%
  • Angelo Coronel: 15%

Os números indicam vantagem de Rui Costa na disputa, enquanto a segunda vaga permanece mais aberta.

Prioridades apontadas pelo eleitorado

Ao serem questionados sobre as áreas prioritárias para o governo estadual, os entrevistados apontaram:

  • Segurança pública: 34%
  • Saúde: 22%
  • Economia: 12%
  • Transporte: 10%
  • Infraestrutura: 7%
  • Educação: 5%
  • Geração de empregos: 5%

A segurança pública aparece como principal preocupação do eleitorado baiano, tema que tende a ocupar posição central na campanha.

Impacto da polarização nacional na eleição baiana

Sob a perspectiva da ciência política, a eleição para o governo da Bahia tende a ser fortemente influenciada pela polarização nacional entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PK), que se posiciona como principal representante do campo bolsonarista após o ciclo político de Jair Bolsonaro.

Historicamente, eleições estaduais no Brasil apresentam certo grau de autonomia em relação ao cenário federal. No entanto, contextos de polarização nacional intensa tendem a reduzir essa autonomia, transformando disputas regionais em extensões do embate nacional.

Nesse contexto, Jerônimo Rodrigues tende a representar o campo político ligado ao lulismo, enquanto ACM Neto passa a dialogar com o eleitorado conservador e com setores alinhados ao bolsonarismo, ainda que sua trajetória política tenha sido originalmente vinculada ao campo de centro-direita tradicional.

Estratégias eleitorais possíveis

Para Jerônimo Rodrigues, a estratégia eleitoral tende a se apoiar em três pilares:

  • associação política com o governo Lula
  • continuidade da gestão petista iniciada em 2007 na Bahia
  • defesa de políticas sociais e investimentos federais no estado

Essa estratégia busca mobilizar o eleitorado historicamente favorável ao PT no Nordeste.

ACM Neto pode explorar um caminho diferente. Sua candidatura pode se fortalecer a partir de:

  • discurso de oposição ao governo estadual
  • aproximação com o eleitorado conservador
  • capital político acumulado na prefeitura de Salvador

Nesse cenário, a proximidade com o campo bolsonarista — especialmente com a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro — pode ampliar seu alcance junto ao eleitorado mais crítico ao PT.

Cenários possíveis para 2026

A disputa pelo governo da Bahia tende a se organizar em três cenários principais:

1. Consolidação do voto governista
Se o governo Lula mantiver níveis elevados de aprovação no Nordeste, Jerônimo Rodrigues poderá consolidar o apoio do eleitorado alinhado ao PT.

2. Crescimento do campo oposicionista
Caso a candidatura de Flávio Bolsonaro mobilize o eleitorado conservador nacionalmente, ACM Neto poderá ampliar seu desempenho entre setores anti-PT.

3. Disputa regionalizada
Há ainda a possibilidade de a eleição baiana manter certa autonomia, com temas locais — segurança pública, economia e infraestrutura — predominando sobre a polarização nacional.

Em qualquer desses cenários, os dados da pesquisa indicam que a eleição de 2026 na Bahia tende a ser uma das mais competitivas das últimas décadas, com dois campos políticos consolidados disputando o eleitorado.

Dados de registro da pesquisa eleitoral Realtime de março de 2026

A pesquisa eleitoral registrada sob o número BA-08855/2026 foi realizada pelo instituto Realtime Big Data, divulgada na quinta-feira (12/03/2026), para medir o cenário político do estado da Bahia no início do ciclo eleitoral de 2026. O levantamento foi divulgado em 12 de março de 2026 e teve como objetivo avaliar a intenção de voto para o governo do estado e para o Senado Federal, além de aferir a avaliação do governo estadual e as principais demandas da população.

De acordo com o registro oficial, a pesquisa foi conduzida com 2.000 entrevistas presenciais com eleitores baianos, realizadas entre os dias 10 e 11 de março de 2026. O estudo apresenta margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%, parâmetros estatísticos considerados padrão em levantamentos eleitorais de abrangência estadual.

A amostra foi estruturada para representar a composição demográfica do eleitorado da Bahia. Entre os entrevistados, 53% são mulheres e 47% homens. No recorte por faixa etária, 32% têm entre 16 e 34 anos, 47% estão entre 35 e 59 anos, e 21% possuem mais de 60 anos. No que se refere à escolaridade, 43% têm até o ensino fundamental completo, 45% possuem ensino médio completo e 12% têm ensino superior incompleto ou mais.

O levantamento também considerou o perfil socioeconômico dos eleitores. Segundo a pesquisa, 67% dos entrevistados têm renda familiar de até dois salários mínimos, 23% recebem entre dois e cinco salários mínimos, e 10% possuem renda superior a cinco salários mínimos.

Além das intenções de voto para os principais cargos em disputa nas eleições de 2026, o questionário aplicado aos entrevistados incluiu temas relacionados à avaliação da gestão estadual, rejeição e potencial de voto dos candidatos, bem como as áreas consideradas prioritárias pela população para os próximos anos de governo.

O registro formal da pesquisa no sistema eleitoral tem como finalidade assegurar transparência e rastreabilidade metodológica, permitindo a verificação pública de aspectos como universo pesquisado, período de coleta de dados, tamanho da amostra e critérios estatísticos adotados. Esses procedimentos são exigidos pela legislação eleitoral brasileira para garantir maior controle institucional sobre pesquisas de opinião divulgadas durante o período pré-eleitoral.

Com amostra ampla e parâmetros estatísticos considerados robustos, o levantamento oferece um retrato do cenário político baiano no início da disputa eleitoral de 2026, contribuindo para a compreensão das tendências iniciais do eleitorado no estado.


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