Nesta segunda-feira (09/03/2026), o Porto de Aratu-Candeias, localizado na Região Metropolitana de Salvador, iniciou oficialmente uma nova etapa em sua trajetória operacional ao realizar, pela primeira vez em 51 anos de funcionamento, operações de granéis vegetais. A atividade ocorre no terminal ATU 18, com a movimentação inicial de 35 mil toneladas de sorgo, provenientes do oeste da Bahia. A operação inaugura uma nova frente logística para o escoamento da produção agrícola do estado, ampliando o papel estratégico do complexo portuário na cadeia de exportação do agronegócio.
A mudança representa uma diversificação relevante no perfil operacional do porto, historicamente voltado ao atendimento do Polo Petroquímico de Camaçari e à movimentação de cargas ligadas aos setores petroquímico e mineral. Com a implantação de infraestrutura especializada para granéis sólidos, o terminal passa a integrar a logística agrícola baiana, fortalecendo o corredor de exportação da produção do interior do estado.
Expansão da infraestrutura portuária
Criado na década de 1970, o Porto de Aratu consolidou-se como um dos principais polos logísticos da Bahia. Ao longo de sua história, entretanto, suas operações permaneceram concentradas em cargas industriais. A inauguração dos terminais ATU 12 e ATU 18, voltados ao processamento de granéis sólidos, permitiu ampliar o escopo operacional do complexo portuário.
Com essa nova estrutura, o porto passa a ter condições de receber, armazenar e embarcar produtos agrícolas como soja, milho e sorgo, integrando-se de forma mais direta à dinâmica econômica do agronegócio do estado.
Segundo o presidente da Companhia das Docas do Estado da Bahia (CODEBA), Antonio Gobbo, o início das operações de granéis vegetais representa um marco para o desenvolvimento logístico regional.
De acordo com Gobbo, os investimentos realizados no terminal incluem ampliação da retroárea, implantação de quatro silos com capacidade de 30 mil toneladas cada, além da automatização das operações por meio de modernas esteiras transportadoras. O dirigente afirma que as melhorias devem reduzir custos logísticos, acelerar o tempo de carregamento e ampliar a competitividade do porto.
A expectativa da autoridade portuária é de que a modernização resulte em crescimento superior a 20% na movimentação de cargas, além de impulsionar novas operações também no Porto de Salvador, que já registra volumes recordes de movimentação.
Investimento superior a R$ 400 milhões no terminal ATU 18
A modernização do terminal ATU 18 foi conduzida pela CS Portos, empresa controlada pela CS Infra, do Grupo SIMPAR. Ao todo, foram investidos mais de R$ 400 milhões em obras de revitalização e implantação de infraestrutura logística voltada ao manuseio e armazenagem de granéis vegetais.
Entre as estruturas instaladas estão:
- Classificadores de grãos
- Tombadores para caminhões
- Moegas rodoviárias
- Pátio logístico para veículos
- Sistema de armazenagem com quatro silos de grande capacidade
O terminal também recebeu equipamentos especializados para aumentar a eficiência operacional e reduzir gargalos logísticos no processo de exportação agrícola.
Para o diretor-presidente da CS Portos, Marcos Tourinho, a entrada do Porto de Aratu no mercado de granéis vegetais representa uma transformação estrutural para a logística do agronegócio na Bahia.
Segundo ele, a modernização do terminal busca posicionar o complexo portuário como um ativo estratégico para o escoamento da produção agrícola do estado, reduzindo custos de transporte e aumentando a competitividade das exportações.
Tecnologia e aumento da produtividade operacional
Um dos principais equipamentos instalados no terminal é um shiploader dedicado exclusivamente à exportação de grãos, capaz de operar com capacidade de até duas mil toneladas por hora.
Com esse sistema, a produtividade média do terminal poderá alcançar até 30 mil toneladas por dia, ampliando significativamente a eficiência do embarque de cargas agrícolas.
A capacidade operacional projetada para o ATU 18 é de 3,5 milhões de toneladas de grãos por ano. Para o primeiro ciclo operacional, entretanto, a estimativa é movimentar até 3 milhões de toneladas, com capacidade estática inicial de armazenagem de 120 mil toneladas.
A perspectiva de expansão futura também já está prevista no planejamento logístico do terminal. Após novas etapas de investimento e ampliação da infraestrutura, a movimentação anual poderá atingir até 7,5 milhões de toneladas, consolidando o porto como um dos principais pontos de exportação agrícola da região Nordeste.
Novo corredor logístico para o agronegócio baiano
A entrada do Porto de Aratu-Candeias no mercado de granéis vegetais fortalece a logística de exportação da produção agrícola do oeste da Bahia, uma das regiões de maior crescimento do agronegócio brasileiro.
Historicamente, parte significativa dessa produção era escoada por portos de outros estados, devido à limitação da infraestrutura portuária local para o manuseio de grãos. Com a operação do ATU 18, produtores e tradings passam a contar com uma alternativa logística dentro do próprio território baiano.
Esse novo corredor logístico tende a reduzir custos de transporte, encurtar distâncias até os portos de exportação e aumentar a eficiência da cadeia produtiva agrícola.
Estrutura empresarial da operação
A CS Portos, responsável pela operação dos terminais ATU-12 e ATU-18, atua na gestão dos serviços de embarque, desembarque e armazenagem de cargas no Porto de Aratu, em Candeias.
Os contratos de concessão possuem prazos de 25 anos para o ATU-12 e 15 anos para o ATU-18, com possibilidade de prorrogação por até 70 anos.
Além de grãos e fertilizantes, os terminais também movimentam outros produtos estratégicos para a economia regional, incluindo concentrado de cobre, minério de ferro e magnesita.
A empresa integra a CS Infra, plataforma de gestão de concessões do Grupo SIMPAR, criada em 2021 para atuar na modernização de ativos logísticos e de infraestrutura no Brasil.
Entre os projetos administrados pela CS Infra estão concessões rodoviárias, sistemas de transporte urbano, operações logísticas e projetos de revitalização urbana em diferentes regiões do país.











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