O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quarta-feira (25/03/2026) da apresentação do F-39E Gripen, o primeiro caça supersônico produzido integralmente no Brasil, em cerimônia realizada na unidade da Embraer. O projeto, desenvolvido em parceria com a empresa sueca Saab, marca a entrada do país no grupo restrito de nações com capacidade de produzir aeronaves de combate de alta complexidade e consolida o Brasil como o primeiro da América Latina a dominar essa tecnologia estratégica.
O evento reuniu autoridades civis e militares, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Defesa José Múcio, o comandante da Aeronáutica Marcelo Damasceno, além de executivos da Embraer e da Saab. Durante a cerimônia, Lula destacou o caráter simbólico do projeto, associando-o à soberania nacional e ao investimento em tecnologia de ponta.
Produção nacional e transferência de tecnologia ampliam capacidade estratégica
O programa Gripen integra o Projeto FX-2, iniciado em 2014, com investimentos totais estimados em R$ 28,5 bilhões até 2033, incluindo aquisição, produção e transferência de tecnologia. Parte significativa desse montante — R$ 10,5 bilhões — está inserida no Novo PAC, com foco na produção de 23 aeronaves entre 2023 e 2030.
A cooperação com a Saab prevê a transferência de conhecimento técnico e capacitação de engenheiros brasileiros, permitindo o desenvolvimento de competências industriais avançadas. Segundo a Embraer, o projeto já envolveu mais de um milhão de horas de trabalho em desenvolvimento e produção, além de 600 mil horas de treinamento especializado.
O caça F-39E é classificado como multiemprego, capaz de executar missões de controle aeroespacial, defesa aérea, reconhecimento, inteligência e ataque ao solo. Equipado com radar avançado, mísseis de longo alcance e sistemas de guerra eletrônica, o modelo representa um salto tecnológico para a Força Aérea Brasileira.
Reequipamento da Força Aérea e impacto industrial
O programa prevê a aquisição de 36 aeronaves, sendo 15 produzidas no Brasil, na planta de Gavião Peixoto. A produção envolve uma cadeia industrial ampla, com participação de empresas como AEL Sistemas, Akaer e Atech, além da Saab Aeroestruturas, responsável por componentes estruturais fabricados em São Bernardo do Campo.
Entre os principais impactos econômicos e industriais, destacam-se:
- Geração estimada de 13 mil empregos, sendo 2.200 diretos e 10.800 indiretos
- Fortalecimento da indústria nacional de defesa
- Ampliação da cadeia de fornecedores tecnológicos
- Redução da dependência externa em sistemas estratégicos
A linha de produção brasileira também está preparada para atender futuras encomendas internacionais, com potencial de exportação para países da América Latina, como a Colômbia.
Cronograma e evolução do programa
O cronograma de entregas do Gripen inclui aeronaves já incorporadas à FAB e novas unidades previstas:
- 2022: 3 aeronaves entregues
- 2023: 3 aeronaves entregues
- 2024: 2 aeronaves entregues
- 2025: 2 aeronaves entregues
- 2026: previsão de entrega das primeiras unidades produzidas no Brasil
A produção nacional teve início em 2023 e representa a fase mais avançada do projeto, consolidando a transição da dependência externa para a autonomia industrial.
Infraestrutura e inovação tecnológica
Durante a visita, Lula também conheceu a pista da Embraer em Gavião Peixoto — com cinco quilômetros de extensão, considerada a maior do hemisfério sul — e acompanhou a demonstração do eVTOL, veículo elétrico de decolagem vertical desenvolvido pela Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer.
O protótipo, voltado para mobilidade aérea urbana, encontra-se em fase avançada de testes, com ensaios em voo iniciados em dezembro de 2025, indicando a diversificação tecnológica do setor aeronáutico nacional.








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