O diretório nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) aprovou neste sábado (07/03/2026) resoluções que definem a estratégia da legenda para as eleições presidenciais de 2026. O partido formalizou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde o primeiro turno, mas decidiu rejeitar a proposta de formação de uma federação partidária com o Partido dos Trabalhadores (PT). Ao mesmo tempo, a sigla optou por renovar a federação já existente com a Rede Sustentabilidade por mais quatro anos, consolidando uma estratégia de cooperação eleitoral sem fusão orgânica com o partido do presidente.
A decisão foi tomada durante reunião virtual do diretório nacional, que reuniu dirigentes e representantes de diferentes correntes internas da legenda. A resolução aprovada estabelece que a prioridade política do PSOL nas eleições presidenciais é construir unidade entre setores progressistas e movimentos populares para enfrentar a extrema-direita, mantendo, porém, a autonomia partidária.
O resultado da votação interna evidenciou divergências estratégicas dentro da legenda, especialmente em relação à possibilidade de aproximação institucional mais profunda com o PT.
PSOL define estratégia eleitoral para 2026
Durante o encontro, os dirigentes do partido aprovaram oficialmente o apoio à candidatura de Lula já no primeiro turno, movimento que, segundo a resolução política aprovada, busca fortalecer uma frente ampla de forças progressistas no cenário nacional.
De acordo com o documento aprovado, o partido considera que o momento político exige articulação entre organizações da esquerda e setores populares para impedir o avanço de forças classificadas pela legenda como de extrema-direita. Nesse contexto, o apoio antecipado à candidatura do presidente é visto como instrumento de convergência política.
A presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, afirmou em nota que o debate interno ocorreu dentro dos mecanismos democráticos do partido.
“O tema foi acolhido e debatido de modo democrático e amplo, conforme nossa tradição partidária. Vamos seguir agora orientados pelas decisões hoje tomadas, sempre com respeito às posições divergentes.”
Apesar da convergência em torno do apoio eleitoral, a legenda optou por preservar sua autonomia organizativa, rejeitando a proposta de federação partidária com o PT.
Diretório rejeita federação com o PT
A proposta de federação com o Partido dos Trabalhadores foi submetida à votação do diretório nacional e acabou rejeitada por ampla maioria. Foram 47 votos contrários e 15 favoráveis à formação da aliança institucional.
A decisão mantém a separação orgânica entre os dois partidos, mesmo diante da convergência eleitoral em torno da candidatura presidencial.
A rejeição da federação tem significado político relevante dentro da história do PSOL. O partido surgiu em 2004 a partir de uma dissidência interna do próprio PT, formada por parlamentares e militantes críticos à condução política e econômica do governo petista naquele período.
Quase duas décadas depois, a possibilidade de recomposição institucional voltou ao debate interno da legenda, mas a maioria da direção optou por preservar a identidade partidária e evitar a integração formal com o PT.
Federação PSOL-Rede é renovada por quatro anos
Ao mesmo tempo em que recusou a proposta de federação com o PT, o diretório nacional aprovou a renovação da federação partidária com a Rede Sustentabilidade pelos próximos quatro anos.
Segundo a resolução aprovada, o balanço da experiência atual é considerado positivo pela direção do partido. A federação tem sido vista como um instrumento para superar a cláusula de barreira e ampliar a presença parlamentar das legendas.
O documento também destaca que a parceria permitiu construção de convergência programática em temas centrais, mantendo diálogo entre as duas organizações mesmo diante de diferenças políticas.
A resolução afirma ainda que a federação contribuiu para o crescimento político das siglas em um cenário considerado adverso para os partidos de esquerda.
Debate interno e impacto na corrente ligada a Guilherme Boulos
A decisão de rejeitar a federação com o PT foi interpretada nos bastidores do partido como uma derrota para a corrente política associada ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que vinha defendendo maior aproximação institucional com o partido do presidente.
Nas semanas anteriores à votação, setores da legenda pressionaram pela formação da federação, argumentando que a medida poderia fortalecer a articulação política e ampliar a competitividade eleitoral da esquerda.
Contudo, a resistência de outras correntes internas prevaleceu no diretório nacional.
A votação revelou que parte significativa da direção do PSOL prefere manter cooperação eleitoral sem fusão institucional, preservando a autonomia da legenda no sistema partidário brasileiro.
Cláusula de barreira influencia decisões estratégicas
Um dos fatores que permeiam o debate interno é a cláusula de barreira, mecanismo previsto na legislação eleitoral brasileira que estabelece requisitos mínimos de desempenho para que partidos tenham acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão.
Para superar a cláusula nas eleições de 2026, os partidos precisarão cumprir pelo menos um dos seguintes critérios:
- Alcançar 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos nove estados, com mínimo de 1,5% em cada um deles
- Eleger pelo menos 13 deputados federais, também distribuídos em nove estados
A federação com a Rede é vista pela direção do PSOL como instrumento para facilitar o cumprimento dessas exigências, mantendo a presença institucional no Congresso Nacional.
Desempenho eleitoral da federação PSOL-Rede
Nas eleições de 2022, quando concorreram em federação, PSOL e Rede Sustentabilidade elegeram 14 deputados federais, número que posteriormente aumentou com a reversão de um resultado eleitoral no Amapá.
Atualmente, a federação possui 15 parlamentares na Câmara dos Deputados, sendo:
- 11 deputados do PSOL
- 4 deputados da Rede Sustentabilidade
A base parlamentar está concentrada principalmente nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, com exceções como Célia Xakriabá (MG) e Fernanda Melchionna (RS).
Perspectivas eleitorais e desafios para o partido
Mesmo entre os setores contrários à federação com o PT, dirigentes do PSOL reconhecem que cumprir a cláusula de barreira pode se tornar mais desafiador sem ampliar alianças partidárias.
Por outro lado, há avaliação dentro da legenda de que o partido pode ampliar sua votação e atrair novas lideranças políticas, fortalecendo sua bancada no Congresso Nacional.
Esse cenário faz com que a estratégia aprovada combine apoio presidencial ao governo Lula com preservação da autonomia partidária, buscando equilibrar alianças eleitorais e identidade política.
*Com informações do Jornal O Globo, Revista Veja e UOL.











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