O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu nesta quarta-feira (25/03/2026), por 5 votos a 2, declarar a inelegibilidade por oito anos do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), sob acusação de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A decisão, tomada na sessão de terça-feira (24), também determinou a cassação de diplomas, aplicação de multas e a realização de novas eleições majoritárias, além de encaminhar o caso ao Ministério Público Eleitoral para aprofundamento das investigações.
Decisão do TSE e fundamentos jurídicos
A maioria dos ministros acompanhou o voto da relatora, ministra Isabel Gallotti, reconhecendo que houve condutas vedadas e captação ilícita de recursos, com impacto direto na normalidade e legitimidade do pleito eleitoral.
Entre os principais elementos considerados estão:
- Desvio de finalidade da Fundação Ceperj, com uso de recursos para fins eleitorais
- Ampliação expressiva de programas sociais em ano eleitoral
- Contratação de mais de 27 mil servidores temporários sem justificativa técnica
- Uso da estrutura administrativa do Estado para favorecer candidaturas
A decisão também atingiu outros agentes públicos, incluindo o deputado estadual Rodrigo Bacellar, que teve o diploma cassado, e o ex-dirigente Gabriel Rodrigues Lopes, ambos declarados inelegíveis.
Sanções aplicadas e consequências eleitorais
O TSE determinou um conjunto de medidas com impacto direto no cenário político do Rio de Janeiro:
Sanções principais
- Inelegibilidade por 8 anos para Cláudio Castro e outros envolvidos
- Cassação de diploma de deputado estadual
- Multas de até 100 mil UFIRs para os principais responsáveis
- Multas menores (5 mil UFIRs) para agentes com menor grau de responsabilidade
Medidas eleitorais
- Realização de novas eleições majoritárias no estado
- Retotalização dos votos para deputado estadual, com exclusão dos votos irregulares
Além disso, o Tribunal determinou o envio dos autos ao Ministério Público Eleitoral para aprofundamento das investigações, inclusive envolvendo a Uerj.
Divergências entre os ministros
Apesar da maioria formada, houve divergências relevantes no julgamento, evidenciando controvérsias jurídicas sobre a extensão das provas e a responsabilização direta.
O ministro Nunes Marques votou pela manutenção da decisão do TRE-RJ, argumentando que:
- Não houve provas materiais robustas (como registros audiovisuais)
- Os depoimentos apresentados seriam insuficientes e pontuais
- Não ficou comprovado o impacto eleitoral direto das ações
Já o ministro André Mendonça reconheceu irregularidades, mas considerou insuficiente a prova da participação direta de Cláudio Castro, o que, em seu entendimento, afastaria a inelegibilidade, embora pudesse justificar outras sanções.
Avaliação da maioria: gravidade e impacto eleitoral
Os ministros que acompanharam a relatora enfatizaram dois aspectos centrais:
Aspecto qualitativo
- Elevado grau de reprovabilidade das condutas, com uso da máquina pública para fins eleitorais
Aspecto quantitativo
- Volume expressivo de recursos e número elevado de beneficiários, com potencial de influenciar o resultado do pleito
A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, destacou que houve:
- Falta de transparência e controle na execução dos programas
- Pagamentos em espécie a milhares de contratados
- Desvio da finalidade administrativa para obtenção de vantagem eleitoral








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