TSE suspende julgamento que pode cassar governador Cláudio Castro

O ministro Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pediu vista e suspendeu na terça-feira (10/03/2026) o julgamento que analisa a possível cassação do mandato do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, acusado de abuso de poder político e econômico durante a campanha à reeleição em 2022.

Até o momento, o placar do julgamento está em 2 votos a 0 pela cassação do mandato, posição adotada pela relatora do caso, ministra Maria Isabel Galotti, e acompanhada pelo ministro Antônio Carlos Ferreira.

Com o pedido de vista, a análise do processo foi interrompida e deverá ser retomada no dia 24 de março, quando os demais ministros do tribunal poderão apresentar seus votos. Ainda faltam cinco votos para a conclusão do julgamento.

Relatora e segundo voto defendem cassação do mandato

O primeiro voto pela cassação de Cláudio Castro foi apresentado em novembro de 2025 pela relatora Maria Isabel Galotti. Na ocasião, a análise foi suspensa após pedido de vista do ministro Antônio Carlos Ferreira.

Na sessão realizada nesta terça-feira (10/03/2026), Ferreira apresentou voto acompanhando integralmente o entendimento da relatora, reforçando o placar parcial de dois votos favoráveis à cassação do mandato do governador.

Caso o entendimento seja mantido pela maioria do tribunal, Cláudio Castro poderá perder o mandato e ficar inelegível por oito anos, conforme prevê a legislação eleitoral.

Julgamento também envolve outras autoridades

Além do governador, os votos apresentados até agora também apontam responsabilização de outras autoridades citadas no processo.

Entre os citados estão o ex-vice-governador Thiago Pampolha, o ex-presidente da Fundação Ceperj Gabriel Rodrigues Lopes e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-secretário de governo do estado.

De acordo com os votos apresentados, as acusações envolvem suposta utilização da estrutura administrativa do estado para obtenção de vantagem eleitoral durante o período de campanha.

Recurso questiona decisão do TRE-RJ que absolveu acusados

O julgamento no Tribunal Superior Eleitoral ocorre após recurso apresentado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e por coligação ligada ao ex-deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ).

O objetivo do recurso é reverter decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) que, em maio de 2024, absolveu o governador e os demais investigados.

A ação judicial analisa supostas contratações irregulares realizadas pela Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Acusação aponta contratações e repasses de recursos

Segundo o Ministério Público Eleitoral, o governador teria obtido vantagem eleitoral com a contratação de servidores temporários sem respaldo legal e com a descentralização de projetos sociais que transferiram recursos para entidades externas à administração pública estadual.

De acordo com a acusação, o mecanismo teria permitido a contratação de 27.665 pessoas, com gastos estimados em R$ 248 milhões.

O processo sustenta que essas medidas teriam sido utilizadas para ampliar a base de apoio político durante o período eleitoral.

Defesa afirma que governador apenas sancionou legislação

Antes da suspensão do julgamento, o advogado Fernando Neves, que representa Cláudio Castro no processo, apresentou a defesa durante a sessão do tribunal.

Segundo o advogado, o governador apenas sancionou uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e editou decreto regulamentando a atuação da Ceperj, sem participação direta em eventuais irregularidades administrativas.

A defesa argumenta que não há elementos que comprovem responsabilidade direta do governador nas contratações questionadas.

*Com informações da Agência Brasil.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading