Bahia lidera produção de café no Nordeste e projeta safra de 227,9 mil toneladas em 2026

Nesta terça-feira (14/04/2026), data em que se celebra o Dia Mundial do Café, a Bahia reafirma sua relevância no cenário agrícola brasileiro ao projetar uma safra de 227,9 mil toneladas em 2026, consolidando-se como líder no Nordeste e ocupando a quarta posição nacional, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho reflete a combinação de condições naturais favoráveis, avanço tecnológico e políticas públicas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva do café no estado.

A produção cafeeira baiana representa 5,9% do total nacional, evidenciando o peso estratégico do estado no setor. Além do volume expressivo, o café também ocupa posição relevante na economia agrícola local, sendo responsável pelo quarto maior valor da produção agrícola, com R$ 4,023 bilhões, equivalente a 8,5% do total estadual.

De acordo com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri), o desempenho é resultado da integração entre fatores naturais — como clima e solo — e a modernização produtiva, com destaque para a inovação tecnológica aplicada ao campo.

O secretário Vivaldo Góis ressaltou que a estratégia do governo estadual inclui apoio contínuo à cadeia produtiva, com foco em políticas públicas capazes de ampliar a competitividade e a qualidade do café baiano no mercado nacional e internacional.

Predominância do conilon e diversificação produtiva

Desde 2016, o café canephora (conilon) tornou-se predominante na Bahia, devendo representar cerca de 60% da produção em 2026, com estimativa de 133 mil toneladas. A variedade se destaca pela resistência a pragas e maior produtividade, características que atendem à crescente demanda da indústria.

Já o café arábica, reconhecido por sua qualidade sensorial superior, deverá atingir 94,8 mil toneladas, correspondendo a 41,6% da produção. Essa dualidade produtiva permite à Bahia atender tanto ao mercado de commodities quanto ao segmento de cafés especiais.

As principais regiões produtoras incluem o Extremo Sul, Sudoeste e Chapada Diamantina, com destaque para municípios como Itamaraju, Prado e Barra da Estiva, que lideram o ranking estadual de produção.

Expansão territorial e certificação de origem

O avanço da cafeicultura na Bahia não se limita às áreas tradicionais. O Oeste baiano emerge como novo polo produtivo, beneficiado por condições geográficas favoráveis e pela conquista do selo de Indicação Geográfica (IG) junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que certifica a origem e a qualidade do café arábica da região.

A Chapada Diamantina, por sua vez, possui IG na categoria Denominação de Origem, destacando-se pela produção de cafés especiais com características sensoriais diferenciadas, resultado da combinação entre altitude elevada, clima ameno e práticas tradicionais de pós-colheita.

Outras regiões, como o Vale do São Francisco, também apresentam potencial de expansão, especialmente para o cultivo irrigado de café conilon, aproveitando a infraestrutura agrícola já consolidada.

Tecnologia, sustentabilidade e organização produtiva

O crescimento da cafeicultura baiana está diretamente ligado à incorporação de tecnologia, mecanização e irrigação, fatores que elevam a produtividade e garantem padronização para o mercado internacional.

Na região de Vitória da Conquista, a produção de arábica é marcada pela forte presença da agricultura familiar, com crescente adesão a certificações de sustentabilidade e práticas de cooperativismo, agregando valor ao produto.

Além disso, regiões como o Baixo Sul e o Recôncavo despontam como alternativas estratégicas para diversificação agrícola, permitindo a integração do café em sistemas agroflorestais e reduzindo riscos climáticos e econômicos.

Políticas públicas e fortalecimento da cadeia produtiva

A atuação do governo estadual, por meio da Seagri, tem sido decisiva para consolidar a cafeicultura como setor estratégico. Entre as principais iniciativas estão:

  • Assistência técnica especializada
  • Investimentos em infraestrutura
  • Fortalecimento de cooperativas
  • Apoio à certificação de origem
  • Articulação de câmaras setoriais

O estado também coordena o Fórum Baiano de Indicação Geográfica e Marcas Coletivas, responsável por impulsionar o reconhecimento de produtos agrícolas baianos no mercado.


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