A Caravana de Direitos Humanos realizou 820 atendimentos na comunidade quilombola Jequitibá, em Mundo Novo, na terça e quarta-feira (07 e 08/04/2026), por meio de ação promovida pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) em parceria com órgãos estaduais e a Prefeitura. A iniciativa teve como objetivo ampliar o acesso a serviços públicos e fortalecer o exercício da cidadania em comunidades tradicionais da Bahia.
As atividades ocorreram no Colégio Regional de Jequitibá, na zona rural do município, e também atenderam moradores de outras localidades, como o território quilombola de Flores, em Ruy Barbosa, além das comunidades Indaí, Santo Antônio e Fazenda Laranjeiras, em Mundo Novo. A programação incluiu emissão de documentos, orientações e serviços sociais.
Entre os principais atendimentos estiveram a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), segunda via de certidões de nascimento e casamento, renegociação de dívidas com o Procon-BA, acesso ao Passe Livre Intermunicipal, solicitação da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA), além de consultas jurídicas e pedidos de exame de DNA via Ministério Público. Também foram oferecidos serviços como vacinação contra Influenza, cadastro no ID Jovem, consultas de vagas de emprego pelo SineBahia e orientações sobre crédito para empreendedores.
Serviços de cidadania e acesso à documentação
A ação concentrou serviços voltados à regularização documental e acesso a políticas públicas, com foco em populações quilombolas e comunidades rurais. A emissão da CIN foi um dos atendimentos mais demandados, junto à atualização de registros civis e acesso a benefícios sociais.
A estudante da rede de apoio comunitário, Maria Benilda Pereira, presidente da Associação dos Remanescentes de Quilombos Flores, buscou atendimento para emissão de documento e informações sobre o programa CrediAfro. A iniciativa, vinculada à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) em parceria com a Desenbahia, oferece crédito de até R$ 50 mil para empreendedores negros.
Segundo Maria Benilda Pereira, o programa foi apresentado como possibilidade de apoio ao desenvolvimento de atividades produtivas locais, incluindo iniciativas de mulheres que atuam em cozinha comunitária e produção de polpas de frutas, com necessidade de capital de giro.
Formação e ações educativas em direitos humanos
A programação incluiu atividades formativas voltadas à educação em direitos humanos, com ações direcionadas a estudantes e equipes técnicas. Foram realizadas contação de histórias, oficinas de pintura e formações sobre bullying e uso responsável da internet.
Também integraram a agenda capacitações sobre letramento racial, direitos da população LGBTQIAPN+ e direitos das mulheres, com participação de profissionais vinculados à Universidade Aberta do Brasil, com foco na ampliação do acesso à informação e fortalecimento de políticas de direitos humanos nos territórios atendidos.
Impacto territorial e abrangência da Caravana
A Bahia concentra a maior população quilombola do país, com 397.502 pessoas, segundo dados do Censo do IBGE (2022). O território do Piemonte do Paraguaçu reúne comunidades em municípios como Mundo Novo, Ruy Barbosa e Santa Teresinha, que também recebe ações da Caravana.
Representantes locais destacaram o alcance coletivo da iniciativa. O coordenador da comunidade quilombola de Jequitibá, Luís Carlos Mendes, afirmou que os serviços atendem não apenas moradores autodeclarados quilombolas, mas também comunidades vizinhas, ampliando o acesso regional a políticas públicas.
A assessoria da SJDH informou que a Caravana de Direitos Humanos reúne mais de 20 órgãos estaduais e federais e tem como proposta a oferta itinerante de serviços essenciais em territórios vulnerabilizados.
Resultados gerais da Caravana em 2025
Em 2025, a Caravana de Direitos Humanos ultrapassou 31 mil atendimentos em 31 edições realizadas. A estratégia reúne instituições públicas para ofertar documentação, assistência social, saúde, orientação jurídica e ações formativas em diferentes regiões da Bahia.
A iniciativa segue sendo implementada em territórios quilombolas e comunidades tradicionais, com o objetivo de ampliar a presença do Estado em áreas com menor acesso a serviços públicos e fortalecer políticas de cidadania.








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