Conselho de Segurança da ONU veta resolução sobre Estreito de Ormuz, expõe impasse geopolítico e amplia riscos ao abastecimento global

Nesta terça-feira (07/04/2026), o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) rejeitou uma resolução que buscava garantir a reabertura da navegação no Estreito de Ormuz, após veto de China e Rússia, apesar de ampla maioria favorável entre os membros. A proposta, apresentada pelo Bahrein e apoiada por países do Golfo, surge em meio à intensificação do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, com impactos diretos sobre o fluxo global de energia, a segurança marítima e o equilíbrio geopolítico internacional.

Votação expõe divisão estrutural entre potências

A proposta submetida ao Conselho obteve 11 votos favoráveis, dois contrários e duas abstenções, superando o mínimo necessário para aprovação. Ainda assim, os votos contrários de China e Rússia, ambos membros permanentes com poder de veto, foram suficientes para barrar a medida.

O texto defendia a adoção de medidas urgentes para:

  • Garantir a liberdade de navegação
  • Proteger infraestruturas civis estratégicas
  • Evitar a escalada de riscos no transporte marítimo internacional

A votação evidenciou a persistente fragmentação do Conselho em temas sensíveis à segurança global, sobretudo quando envolvem interesses diretos de grandes potências.

Crise no Estreito de Ormuz agrava tensão energética

O Estreito de Ormuz permanece no centro da crise. As interrupções na navegação começaram após os ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã, seguidos por contra-ataques iranianos em 28 de fevereiro, desencadeando uma sequência de incidentes que comprometeram a circulação de navios comerciais.

A importância estratégica da região é incontornável:

  • Aproximadamente 20% do petróleo e gás consumidos no mundo passam pelo estreito
  • A rota conecta os principais produtores do Golfo aos mercados globais
  • Qualquer restrição provoca efeitos imediatos nos preços e na oferta de energia

Nas últimas semanas, relatos de ataques, alertas militares e riscos à navegação ampliaram a percepção de instabilidade sistêmica, com reflexos diretos sobre cadeias logísticas e mercados internacionais.

Presidência do Bahrein critica fracasso do Conselho

Durante a sessão, o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid al Zayani, que presidia o Conselho neste mês, expressou frustração com o resultado e alertou para as consequências institucionais da decisão.

“A falha em aprovar esta resolução não altera a grave realidade que ocorre na região”, afirmou o chanceler, acrescentando que “a credibilidade do Conselho de Segurança está em jogo”.

A declaração reflete o sentimento de impasse diplomático diante de uma crise que evolui rapidamente no campo militar e econômico.

Escalada militar e efeitos em cadeia no Oriente Médio

O veto ocorre em um cenário de escalada contínua do conflito regional, com múltiplos desdobramentos:

  • Ataques aéreos e operações militares em território iraniano
  • Expansão do conflito para países vizinhos, como o Líbano
  • Alertas de forças armadas para embarcações em zonas de risco
  • Ameaças de retaliação envolvendo infraestruturas energéticas

Além disso, declarações de lideranças políticas ampliaram a tensão. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a afirmar que “uma civilização inteira morrerá” caso não haja acordo com Teerã, enquanto autoridades iranianas reiteraram que não reabrirão o Estreito de Ormuz sob pressão externa.

Impactos econômicos e pressão sobre mercados globais

A crise já se traduz em efeitos concretos na economia internacional. A interrupção parcial do fluxo no estreito compromete o fornecimento global e eleva a volatilidade dos preços.

Estimativas recentes indicam:

  • Redução significativa da oferta de petróleo no mercado internacional
  • Elevação dos preços físicos do barril, com registros próximos a US$ 150 em alguns mercados
  • Risco de prolongamento da instabilidade energética mesmo após eventual reabertura da rota

Agências internacionais alertam que a normalização do fluxo pode levar meses, mesmo em cenário de cessar-fogo, mantendo a pressão sobre custos de energia e inflação global.

Direito internacional e disputas sobre navegação

Outro ponto de tensão envolve propostas do Irã de impor taxas à passagem de navios pelo estreito. Especialistas destacam que a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) não permite a cobrança unilateral pela simples travessia, limitando taxas apenas a serviços específicos, como apoio portuário.

A discussão reforça a complexidade jurídica da crise, que combina elementos de direito internacional, soberania territorial e segurança marítima.

Estrutura do Conselho limita respostas multilaterais

O episódio reforça o papel central — e controverso — do mecanismo de veto no Conselho de Segurança. Embora a resolução tenha obtido apoio expressivo, a oposição de dois membros permanentes inviabilizou qualquer ação formal.

O Conselho é composto por 15 países, sendo cinco permanentes com poder de veto:

  • China
  • França
  • Rússia
  • Reino Unido
  • Estados Unidos

Para aprovação de qualquer resolução, são necessários ao menos nove votos favoráveis e ausência de veto, condição que frequentemente paralisa decisões em contextos de disputa geopolítica direta.

*Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Poder360, Metrópoles, CNN, Revista Veja e Agências Brasil, Reuters, RFI, Sputnik e BBC Brasil.


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