Governador Jerônimo e presidente Lula autorizam nova etapa do VLT e avanço da Linha 1 do metrô em Salvador

Salvador, quinta-feira (02/04/2026) — O governador Jerônimo Rodrigues, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Casa Civil, Rui Costa, autorizou a publicação do edital para a Expansão Oeste do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), no trecho Baixa do Fiscal–Retiro, e assinou a ordem de serviço para o início das obras do Tramo IV da Linha 1 do metrô de Salvador, que ligará a Estação da Lapa à futura Estação Campo Grande. A agenda, realizada na capital baiana, marcou mais um passo na ampliação da infraestrutura de mobilidade urbana, com investimentos federais e estaduais voltados à integração do transporte sobre trilhos, à redução do tempo de deslocamento e à melhoria do acesso entre diferentes regiões da cidade.

Durante a agenda oficial, as autoridades visitaram as obras do VLT na Praça Onze de Dezembro, onde um dos trechos já se encontra em fase de testes operacionais. O empreendimento é tratado como uma das principais frentes de reconfiguração do transporte público em Salvador, especialmente nas áreas historicamente mais afetadas por limitações de deslocamento, como o Subúrbio Ferroviário.

O projeto do VLT conta com aproximadamente R$ 1,1 bilhão em investimentos do Governo Federal, que também participa da implantação dos sistemas de telecomunicação e sinalização, além de financiar estudos voltados à expansão do transporte sobre trilhos na Região Metropolitana de Salvador, com menção a municípios como Simões Filho, Camaçari e Alagoinhas. A participação federal reforça a dimensão estratégica da obra e amplia o alcance da política de mobilidade para além da capital.

Na prática, a expectativa em torno do novo sistema já mobiliza moradores e trabalhadores da cidade. O ambulante José Carlos Santos, de 38 anos, relatou que acompanha o avanço das obras e associa o projeto a uma perspectiva concreta de transformação no cotidiano. Segundo ele, a dificuldade histórica de transporte na região faz com que o andamento do VLT seja visto como um sinal de melhora para o acesso ao trabalho, ao estudo e à circulação urbana.

Integração entre modais é tratada como eixo central do projeto

Ao comentar o andamento das intervenções, Jerônimo Rodrigues destacou que o principal ganho estrutural das obras é a integração entre diferentes modais de transporte. A proposta, segundo o governador, é organizar um sistema mais conectado, capaz de articular áreas distintas da cidade e ampliar as opções de deslocamento da população.

A diretriz de integração aparece como elemento central tanto no VLT quanto na ampliação do metrô. Em Salvador, onde a demanda por conexões mais eficientes entre bairros periféricos, centro e áreas de serviços é recorrente, a articulação entre trilhos, estações e corredores urbanos tende a redefinir fluxos de mobilidade e a reduzir a dependência de trajetos longos e fragmentados.

Nesse contexto, a ampliação do VLT não é apresentada apenas como expansão física da malha, mas como parte de um redesenho do sistema de transporte metropolitano. A conexão entre trechos, a interoperabilidade entre meios de transporte e a cobertura territorial do serviço são fatores que podem influenciar diretamente a rotina urbana, sobretudo em regiões de maior densidade populacional e menor oferta histórica de infraestrutura.

Expansão do metrô inclui ligação entre Lapa e Campo Grande

Outro anúncio da agenda foi a assinatura da ordem de serviço para o Tramo IV da Linha 1 do metrô, trecho que fará a ligação entre a Estação da Lapa e a futura Estação Campo Grande, com cerca de 1,1 quilômetro de extensão. Para essa etapa, o investimento previsto é de aproximadamente R$ 1,5 bilhão em recursos federais.

Ao destacar a obra, o presidente Lula associou a retomada dos investimentos em infraestrutura à melhoria concreta das condições de vida da população. Em sua fala, tratou a mobilidade como vetor de inclusão social, ressaltando que projetos dessa natureza dependem de planejamento e continuidade de investimento público.

A expansão da Linha 1 em direção ao Campo Grande tem peso estratégico por envolver uma área central e simbólica da cidade, com potencial de ampliar a capilaridade do sistema metroviário. A conexão com a Lapa, um dos principais nós de transporte de Salvador, tende a reforçar a função estruturante do metrô na organização do deslocamento urbano.

Impacto econômico também é citado pelo governo

O ministro Rui Costa enfatizou que os investimentos em mobilidade produzem efeitos que extrapolam o transporte propriamente dito. Segundo ele, obras dessa magnitude também geram empregos, movimentam a economia e produzem impactos indiretos em setores ligados à construção, aos serviços e à dinâmica urbana.

Esse argumento costuma acompanhar grandes projetos de infraestrutura, sobretudo quando há combinação entre recursos públicos, execução de obras de longa duração e repercussão territorial. No caso de Salvador, a associação entre mobilidade e atividade econômica ganha peso diante da necessidade de ampliar a competitividade urbana e melhorar as condições de circulação de trabalhadores e consumidores.

Ao mesmo tempo, o discurso econômico reforça a narrativa de que a infraestrutura de transporte não deve ser vista apenas como despesa pública, mas como investimento com potencial de retorno social e produtivo. A efetividade desse retorno, no entanto, dependerá do ritmo de execução, da qualidade da integração e da capacidade de operação futura do sistema.

VLT de Salvador terá 43,7 quilômetros e 50 paradas

O VLT em implantação em Salvador terá cerca de 43,7 quilômetros de extensão e 50 paradas, distribuídas em três trechos. As obras estão em andamento desde 2024 e representam uma das mais amplas intervenções recentes no sistema de transporte da capital baiana.

O primeiro trecho liga a Ilha de São João à Calçada e ao Comércio, com cerca de 60% das obras concluídas. O segundo trecho conecta Paripe a Águas Claras, com aproximadamente 40% de execução, prevendo integração ao metrô. Já o terceiro trecho vai de Águas Claras a Piatã, ampliando o acesso ao miolo urbano e à Orla.

Quando concluído, o sistema deverá consolidar uma nova malha de deslocamento sobre trilhos em Salvador, conectando áreas periféricas, eixos centrais e regiões de expansão urbana. A promessa institucional é de um modelo mais articulado, com maior capacidade de integração e melhores condições de circulação para a população.

O que foi autorizado na agenda em Salvador

  • Publicação do edital para a Expansão Oeste do VLT, no trecho Baixa do Fiscal–Retiro
  • Ordem de serviço para o início das obras do Tramo IV da Linha 1 do metrô
  • Continuidade da implantação do VLT de Salvador, com trechos em obra e um deles já em testes operacionais
  • Reforço da participação do Governo Federal no financiamento, sinalização, telecomunicações e estudos de expansão regional

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