A Prefeitura de Feira de Santana realizou, nesta terça-feira (07/04/2026), uma solenidade oficial no Salão Nobre do Paço Municipal Maria Quitéria para marcar os 100 anos do edifício, símbolo histórico e administrativo da cidade, com destaque para o discurso do prefeito José Ronaldo de Carvalho, a programação cultural e o tombamento da pintura do intendente José Freire de Lima, reconhecida como patrimônio cultural municipal.
A celebração reuniu autoridades, representantes da sociedade civil e membros da administração municipal em um evento que evidenciou o papel do Paço como centro político, administrativo e simbólico de Feira de Santana ao longo de um século. O edifício, cuja construção teve início em 1921 e foi concluída em 1926, consolidou-se como referência institucional da cidade.
Durante a cerimônia, o prefeito José Ronaldo enfatizou a relevância histórica do espaço, destacando sua permanência como eixo da vida pública municipal.
“O Paço Municipal representa a trajetória de Feira de Santana ao longo de um século. Nosso compromisso é manter viva essa história, preservando suas características e garantindo que esse patrimônio continue sendo referência para as futuras gerações”, afirmou.
A programação incluiu apresentação da Sociedade Filarmônica 25 de Março, reforçando o caráter cultural da solenidade, além da inauguração de novos elementos na galeria institucional, como a fotografia do ex-prefeito Colbert Martins Filho.
Discurso do prefeito destaca preservação e continuidade histórica
O discurso de José Ronaldo ocupou posição central na solenidade, com ênfase na preservação do patrimônio histórico como instrumento de continuidade institucional. O prefeito também ressaltou os investimentos realizados na revitalização do prédio, reforçando a necessidade de manutenção da memória urbana.
Ao abordar o centenário, José Ronaldo destacou que o Paço não se limita à função administrativa, mas representa uma síntese da evolução política da cidade. Segundo ele, preservar o edifício significa manter viva a identidade histórica de Feira de Santana, conectando passado e presente.
A fala do gestor dialoga com uma visão tradicional da administração pública, na qual os edifícios institucionais funcionam como marcos de estabilidade, permanência e autoridade — elementos historicamente associados à formação das cidades brasileiras.
Pintura de José Freire de Lima é tombada como patrimônio cultural
Um dos momentos mais simbólicos da cerimônia foi o tombamento oficial da pintura do intendente José Freire de Lima (1835–1903), figura relevante na formação administrativa do município. A obra, datada de 1902, passa a integrar formalmente o patrimônio cultural da cidade.
O prefeito destacou que se trata do primeiro quadro tombado no município, ressaltando seu valor histórico e simbólico. A peça foi restaurada pelo artista plástico Vivaldo Lima, responsável também por intervenções anteriores no próprio Paço.
O tombamento foi formalizado por meio do Decreto nº 14.442, com base na legislação municipal de proteção ao patrimônio. A partir dessa medida, a obra passa a contar com regime especial, incluindo:
- Proibição de destruição ou descaracterização
- Necessidade de autorização para intervenções
- Inclusão no Livro do Tombo Municipal
- Responsabilidade de conservação atribuída ao poder público
Segundo o secretário de Cultura, Cristiano Lôbo, a preservação da obra ultrapassa o valor artístico: “Preservar a imagem de José Freire de Lima é também preservar a memória de um período que ajudou a moldar o município”.
História do Paço revela formação política de Feira de Santana
O secretário de Planejamento, Carlos Brito, destacou que a construção do Paço Municipal está diretamente associada ao processo de modernização urbana da cidade. A obra foi iniciada em 1921 e concluída em 1926, com investimento equivalente a cerca de R$ 49,2 milhões em valores atuais.
Ao longo de sua história, o edifício abrigou múltiplas funções públicas, incluindo:
- Sede da Prefeitura
- Câmara de Vereadores
- Biblioteca Municipal
- Fórum e serviços administrativos
Essa concentração reflete o modelo administrativo tradicional do início do século XX, em que os centros de poder reuniam funções políticas, administrativas e culturais em um único espaço.
O presidente da Câmara Municipal, Marcos Lima, ressaltou ainda o papel histórico do Legislativo na construção do prédio e reconheceu a atuação da atual gestão na preservação do patrimônio.
Valorização da memória e identidade cultural feirense
A solenidade reforçou o entendimento do Paço Municipal como elemento central da identidade cultural de Feira de Santana. Para autoridades presentes, o edifício funciona como marco físico da memória coletiva, conectando gerações e consolidando a narrativa histórica da cidade.
A escolha de destacar a pintura de José Freire de Lima no contexto do centenário reforça essa dimensão simbólica, ao resgatar figuras históricas ligadas à formação do poder local.
Ao completar 100 anos, o Paço reafirma sua função como referência institucional e cultural, mantendo-se ativo na administração pública e preservando elementos arquitetônicos e artísticos originais.










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