Na noite de sexta-feira (03/04/2026), o Papa Leão XIV presidiu pela primeira vez a tradicional Via-Sacra no Coliseu, em Roma, reunindo mais de 30 mil fiéis em um dos ritos centrais da Semana Santa. Ao longo das 14 estações, o Pontífice carregou pessoalmente a cruz, associando o percurso de Cristo ao sofrimento humano contemporâneo, com referências a guerras, abusos de poder e à dignidade ferida de populações vulneráveis.
Celebração reúne milhares e reforça tradição litúrgica
O Coliseu voltou a se consolidar como espaço simbólico de memória cristã ao acolher a celebração da Sexta-Feira Santa. A cerimônia foi marcada pelo silêncio, pela iluminação de tochas e pela presença de famílias, jovens, religiosos, peregrinos e turistas de diversas nacionalidades.
O Papa percorreu cinco estações no interior do anfiteatro romano e outras nove na área externa, conduzindo a oração de forma contínua e solene. A cruz foi carregada durante todo o trajeto, em um gesto que reforçou o simbolismo penitencial e contemplativo do rito.
A participação massiva de fiéis, muitos com velas acesas, evidenciou a dimensão global da celebração, que combina tradição histórica com forte apelo espiritual contemporâneo.
Meditações conectam Evangelho às crises atuais
As reflexões da Via-Sacra foram elaboradas pelo franciscano padre Francesco Patton e inspiradas nos relatos evangélicos da Paixão, bem como nos escritos de São Francisco de Assis, em referência aos 800 anos de sua morte.
Ao longo das estações, as meditações estabeleceram paralelos entre o sofrimento de Cristo e os desafios do mundo atual, destacando:
- Conflitos armados e guerras em diferentes regiões
- Abusos de poder e violações de direitos humanos
- Violência contra populações vulneráveis
- Sofrimento de mães, famílias e vítimas anônimas
A figura de Simão de Cirene foi utilizada como símbolo daqueles que auxiliam o próximo, incluindo voluntários, agentes humanitários e profissionais da comunicação que atuam em contextos de risco.
Oração franciscana reforça dimensão espiritual da celebração
Ao término da Via-Sacra, o Papa recitou a oração “Omnipotens”, atribuída a São Francisco de Assis, destacando a necessidade de conformar a vontade humana à vontade divina.
Antes da oração, Leão XIV enfatizou que a vida cristã deve ser entendida como um processo contínuo de transformação espiritual, orientado pela relação com Deus. A invocação reforçou a ideia de purificação interior e busca pela graça divina como caminho para seguir os passos de Cristo.
A celebração foi encerrada com a tradicional bênção inspirada no Livro dos Números, também associada à espiritualidade franciscana, na qual o Pontífice invocou proteção, misericórdia e paz sobre os presentes.
Encerramento marcado por mensagem de esperança
O rito foi concluído em clima de recolhimento, característico do período que antecede o Sábado Santo. Após saudar autoridades e participantes, o Papa retornou ao Vaticano, encerrando uma celebração que combinou tradição litúrgica, reflexão contemporânea e forte apelo espiritual.
A Via-Sacra no Coliseu reafirma-se, assim, como um dos momentos mais emblemáticos da Semana Santa, reunindo elementos históricos, religiosos e sociais em uma mesma narrativa simbólica.








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