Na quarta-feira (08/04/2026), em entrevista concedida ao canal ICL Notícias no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo federal enviará ao Congresso Nacional, ainda nesta semana, um Projeto de Lei (PL) para o fim da escala de trabalho 6×1, defendendo a redução da jornada semanal sem diminuição de salários. Segundo o presidente, a proposta se baseia no aumento da produtividade proporcionado pelos avanços tecnológicos e busca melhorar as condições de vida dos trabalhadores. Lula declarou confiança na aprovação da medida pelo Legislativo e ressaltou que o texto permitirá ajustes por meio de negociações coletivas.
Proposta prevê redução da jornada sem perda salarial
O presidente enfatizou que a proposta do governo não implicará qualquer redução de remuneração. Segundo ele, a lógica da medida está associada ao ganho de produtividade obtido com a modernização tecnológica.
De acordo com Lula, a evolução dos processos produtivos permitiu maior eficiência no trabalho, o que justificaria uma redução da carga horária sem prejuízo financeiro ao trabalhador. O argumento central é que o aumento da produção, aliado à tecnologia, compensa a diminuição das horas trabalhadas.
Durante a entrevista, o presidente também reforçou que a proposta representa uma atualização das relações de trabalho diante das transformações econômicas e tecnológicas, destacando que o país precisa avançar nesse campo para acompanhar padrões mais modernos de organização laboral.
Benefícios sociais e impacto na qualidade de vida
Lula destacou que o fim da escala 6×1 poderá gerar impactos diretos na qualidade de vida dos trabalhadores, com ampliação do tempo disponível para atividades pessoais, familiares e educacionais.
Entre os benefícios apontados, estão:
- Maior tempo para educação e qualificação profissional
- Ampliação do convívio familiar
- Redução do desgaste físico e mental
- Incentivo ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal
O presidente também relacionou a proposta à necessidade de reestruturação social, afirmando que a organização do trabalho deve considerar aspectos como saúde mental e divisão de responsabilidades domésticas.
Além disso, ressaltou que a juventude tem demandado jornadas mais flexíveis, o que reforça a necessidade de adaptação das normas trabalhistas à realidade contemporânea.
Tecnologia e produtividade no centro do debate
Outro eixo central da proposta é a relação entre avanços tecnológicos e distribuição dos ganhos econômicos. Lula argumentou que o aumento da produtividade ao longo das últimas décadas não foi acompanhado por melhorias proporcionais nas condições de trabalho.
Ao citar sua experiência como metalúrgico, o presidente destacou que a introdução de máquinas ampliou significativamente a produção industrial, mas os benefícios desse ganho foram majoritariamente apropriados pelas empresas.
Nesse contexto, a redução da jornada aparece como uma forma de redistribuir os ganhos da produtividade, alinhando progresso tecnológico a melhorias concretas para os trabalhadores.
Flexibilidade para diferentes setores e negociação coletiva
O governo sinalizou que o projeto não será rígido e permitirá adaptações conforme as especificidades de cada setor econômico.
Lula afirmou que:
- Categorias com características próprias poderão negociar condições específicas
- A legislação deve prever margens para acordos coletivos
- Não haverá imposição uniforme para todos os segmentos
Essa abordagem busca evitar distorções e permitir que setores com necessidades operacionais diferenciadas possam ajustar a jornada por meio de sindicatos e negociações formais.
Debate no Congresso e propostas em tramitação
O envio do PL ocorre em paralelo à tramitação de propostas no Congresso Nacional que tratam do mesmo tema.
Atualmente, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara analisa propostas que preveem:
- Jornada de 36 horas semanais
- Modelos como a escala 4×3 (quatro dias de trabalho e três de descanso)
- Possibilidade de compensação de horas mediante acordo coletivo
Enquanto uma das propostas prevê implementação em até 360 dias, outra estabelece um período de transição de até 10 anos, evidenciando divergências sobre o ritmo das mudanças.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, indicou que o debate poderá avançar também por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC), o que ampliaria o escopo da discussão.
Modelo de desenvolvimento e estratégia econômica
Lula associou a proposta à necessidade de construção de um novo modelo de desenvolvimento econômico, capaz de consolidar o Brasil como uma economia desenvolvida.
Segundo o presidente, o país dispõe de:
- Capital humano qualificado
- Sistema universitário estruturado
- Capacidade produtiva instalada
Para ele, o desafio central reside na tomada de decisões políticas que viabilizem avanços estruturais, incluindo reformas no mercado de trabalho.
A proposta de redução da jornada, nesse contexto, é apresentada como parte de uma agenda mais ampla de modernização econômica e social.








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