O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs nesta terça-feira (03/03/2026) que a eventual proposta de lei para o fim da escala 6×1 seja construída de forma conjunta entre empregados, empregadores e governo federal. A declaração foi feita na abertura da Segunda Conferência Nacional do Trabalho, realizada na capital paulista até o dia 5 de março, no Anhembi. O governo estuda encaminhar o texto ao Congresso Nacional, caso avalie que o debate não avance na velocidade considerada adequada.
Segundo Lula, a construção prévia de um acordo entre as partes pode evitar que o tema seja definido unilateralmente pelo Legislativo. Para o presidente, será mais vantajoso que trabalhadores e empresários negociem antes da tramitação formal da proposta.
“É melhor vocês construírem negociando do que vocês terem que engolir uma coisa aberta [vinda do Congresso], e depois ter de recorrer à Justiça do Trabalho”, afirmou.
“Tanto será melhor para nós se o que sair for o resultado de um acordo entre os empresários, os trabalhadores e o governo”, acrescentou.
O presidente também declarou que o Executivo não adotará posição unilateral nas discussões. “Não iremos prejudicar os trabalhadores. E também não queremos contribuir com o prejuízo da economia brasileira. Nós queremos contribuir para, de forma bem pensada, bem harmonizada, encontrar uma solução”, disse.
Governo avalia projeto de lei sobre a escala 6×1
A discussão sobre o fim da jornada 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e folga um — integra a agenda trabalhista do governo em 2026. A proposta envolve também o debate sobre a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, medida que enfrenta resistência de setores empresariais.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou mais cedo que o governo poderá enviar um projeto de lei em regime de urgência ao Congresso Nacional caso considere que as negociações não avancem. A avaliação do Executivo é que o tema exige definição institucional diante do impasse entre diferentes setores.
Durante o evento, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou a necessidade de engajamento social no debate, enquanto a ministra do Planejamento, Simone Tebet, defendeu o fim da escala 6×1 e contestou argumentos de que a mudança poderia comprometer a economia nacional.
Conferência do Trabalho discute diretrizes para o emprego
A Segunda Conferência Nacional do Trabalho reúne representantes do governo federal, centrais sindicais, entidades empresariais e especialistas para discutir políticas públicas voltadas ao mercado de trabalho. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o encontro tem como objetivo estabelecer diretrizes para a promoção do trabalho decente no Brasil, fortalecer o diálogo social e estimular a construção coletiva de propostas.
Realizado no Anhembi, em São Paulo (SP), o evento ocorre até o dia 5 de março e integra o calendário institucional da pasta. A pauta inclui temas como jornada de trabalho, negociação coletiva, produtividade, tecnologia e qualificação profissional.
A proposta de alteração da escala 6×1 tornou-se um dos principais pontos de convergência — e também de divergência — entre representantes de trabalhadores e do setor produtivo.









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