Neste domingo (19/04/2026), em Hanôver, na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da abertura da Hannover Messe 2026 — considerada a maior feira industrial do mundo — e defendeu a construção de um novo paradigma de desenvolvimento baseado em multilateralismo justo e equilibrado, ao mesmo tempo em que apresentou o Brasil como destino estratégico para investimentos em setores como energia limpa, minerais críticos e indústria 4.0.
Durante o pronunciamento, Lula afirmou que o atual sistema multilateral não reflete a realidade geopolítica contemporânea nem assegura participação equilibrada entre as nações. Segundo ele, a concentração de poder em instituições internacionais contribui para desigualdades e instabilidade política.
O presidente também relacionou o avanço do extremismo global às falhas do modelo econômico vigente, destacando que os ganhos da integração de mercados não têm sido distribuídos de forma equitativa. Nesse contexto, defendeu reformas estruturais em organismos internacionais, com ênfase na Organização das Nações Unidas (ONU).
Ao abordar o Conselho de Segurança da ONU, Lula afirmou que alguns membros permanentes atuam sem respaldo efetivo na Carta da organização, o que compromete a legitimidade do sistema internacional.
Protecionismo, comércio global e reforma da OMC
Outro ponto central do discurso foi a crítica ao retorno do protecionismo econômico em meio às crises internacionais. Lula classificou essa tendência como uma resposta simplista a desafios complexos, alertando para os riscos de fragmentação das cadeias globais de valor.
O presidente defendeu o fortalecimento da cooperação internacional e apontou a necessidade de reformar a Organização Mundial do Comércio (OMC), destacando a paralisação das negociações multilaterais e a ausência de avanços concretos nas últimas conferências.
Segundo ele, a incorporação dos interesses do Sul Global é condição indispensável para garantir legitimidade e eficácia às instituições internacionais no século XXI.
Acordo Mercosul-União Europeia e integração econômica
Lula também citou o Acordo Mercosul-União Europeia como exemplo de cooperação estratégica em oposição ao unilateralismo. O pacto prevê a criação de um mercado integrado com cerca de 720 milhões de habitantes e um PIB agregado de aproximadamente US$ 22 trilhões.
O acordo estabelece a eliminação de tarifas sobre cerca de 95% dos produtos exportados para a União Europeia, ampliando significativamente o acesso de bens sul-americanos ao mercado europeu.
O presidente ressaltou que a integração produtiva tende a fortalecer cadeias de suprimento, gerar empregos e ampliar investimentos, consolidando uma agenda de crescimento compartilhado entre os blocos.
Energia limpa e liderança brasileira
No campo energético, Lula destacou o papel do Brasil como referência global em transição energética. O país possui matriz elétrica com cerca de 90% de fontes limpas, além de políticas voltadas à expansão dos biocombustíveis.
Entre os dados apresentados, o presidente mencionou:
- Redução de 50% do desmatamento na Amazônia nos últimos três anos
- Queda de 32% no Cerrado
- Uso consolidado de combustíveis como etanol e biodiesel
- Potencial para produzir hidrogênio verde a baixo custo
Lula argumentou que a transição energética não é apenas uma estratégia econômica, mas um imperativo climático global, reforçando compromissos assumidos na COP30, em Belém.
Minerais críticos e política industrial
O discurso também abordou a relevância dos minerais críticos para a economia global, especialmente na produção de baterias, painéis solares e tecnologias digitais.
O Brasil, segundo Lula, possui:
- Maior reserva mundial de nióbio
- Segunda maior de grafita e terras raras
- Terceira maior de níquel
O presidente defendeu que esses recursos sejam utilizados como instrumentos de desenvolvimento, com agregação de valor e transferência de tecnologia, evitando a dependência de exportação primária de commodities.
Cenário econômico e políticas internas
Ao apresentar o panorama econômico brasileiro, Lula destacou indicadores positivos desde 2023, como crescimento acima da média global, aumento da renda e redução do desemprego.
Entre as medidas citadas:
- Programa de neoindustrialização com foco em economia verde
- Ampliação do financiamento industrial, superior a US$ 125 bilhões
- Fortalecimento da ciência e tecnologia
- Expansão do sistema de pagamentos instantâneos Pix
O presidente também mencionou o projeto de lei que propõe a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.
Relações Brasil-Alemanha e oportunidades de investimento
A participação na Hannover Messe integra a estratégia de fortalecimento das relações bilaterais entre Brasil e Alemanha, com foco em:
- Descarbonização da indústria
- Cooperação em tecnologia e inovação
- Investimentos em cadeias produtivas sustentáveis
- Integração industrial e digital
Lula afirmou que o Brasil se apresenta como parceiro confiável em um cenário global de instabilidade, com ambiente favorável a investimentos estrangeiros e segurança jurídica.











Deixe um comentário