PT Bahia participa de Marcha Estadual pela Reforma Agrária que liga Feira de Santana a Salvador

Na quarta-feira (08/04/2026), a militância do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia passou a integrar a Marcha Estadual pela Reforma Agrária, mobilização organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que teve início em Feira de Santana e seguirá até Salvador, em um percurso superior a 120 quilômetros, reunindo famílias acampadas e assentadas de diversas regiões do estado em torno de pautas ligadas à redistribuição de terras, produção agrícola e direitos sociais no campo.

A marcha foi estruturada como uma ação itinerante, com deslocamento progressivo ao longo de nove dias, encerrando-se em 17 de abril, data simbólica vinculada à luta pela reforma agrária no Brasil. Durante o trajeto, os participantes devem realizar atividades políticas, debates públicos e ações de mobilização social, ampliando a visibilidade das reivindicações históricas dos trabalhadores rurais.

A iniciativa reúne integrantes do MST, militantes partidários e apoiadores da causa agrária, consolidando um espaço de articulação entre movimentos sociais e atores políticos. A presença do PT Bahia reforça o alinhamento entre a agenda do partido e as pautas defendidas pelos movimentos de trabalhadores rurais organizados.

A mobilização também busca promover diálogo com a sociedade urbana ao longo do percurso, destacando temas como acesso à terra, segurança alimentar e modelos sustentáveis de produção agrícola.

Marcha resgata memória do Massacre de Eldorado do Carajás

Nesta edição, a Marcha Estadual pela Reforma Agrária é marcada pela lembrança dos 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, ocorrido em 1996, considerado um dos episódios mais emblemáticos da violência no campo no Brasil. O ato integra a mobilização sob o lema “Por Memória, Justiça e Reforma Agrária Popular”, enfatizando a necessidade de responsabilização histórica e reconhecimento das vítimas.

A referência ao episódio reforça a dimensão simbólica da marcha, conectando as reivindicações atuais às lutas históricas dos trabalhadores rurais. O massacre permanece como um marco de tensão entre movimentos sociais, forças de segurança e disputas fundiárias no país.

A rememoração também serve como instrumento político e pedagógico, mobilizando novas gerações em torno da pauta da reforma agrária e da defesa de direitos no campo.

Proposta de Reforma Agrária Popular amplia escopo da pauta

Segundo o presidente do PT Bahia, Tássio Brito, a proposta de Reforma Agrária Popular defendida pelo MST vai além da redistribuição de terras, incorporando princípios de sustentabilidade, produção de alimentos saudáveis e reorganização das relações sociais no meio rural.

De acordo com o dirigente, o modelo defendido prioriza práticas agroecológicas e a valorização dos recursos naturais, com foco na produção sem uso intensivo de insumos químicos. Ele também destacou que o MST mantém posição relevante na produção de arroz orgânico na América Latina, com experiência consolidada ao longo de mais de uma década.

A marcha, nesse contexto, é apresentada como um espaço de debate sobre os desafios contemporâneos da agricultura, incluindo a convivência entre diferentes modelos produtivos e as tensões estruturais associadas à concentração fundiária.

Integração com a Jornada Nacional de Lutas

A mobilização na Bahia integra a Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, programada para ocorrer entre os dias 13 e 17 de abril em diversas regiões do país. Neste ano, o movimento nacional adota o lema “Em defesa da Reforma Agrária Popular: basta de violência contra os povos e a natureza”, ampliando o escopo das discussões para questões ambientais e sociais.

A articulação nacional confere maior amplitude política à marcha estadual, inserindo a mobilização baiana em um contexto mais amplo de reivindicações coordenadas em nível nacional.

Além da pauta fundiária, a jornada aborda temas como preservação ambiental, segurança alimentar e enfrentamento à violência no campo, reforçando a interseção entre questões agrárias e agendas sociais contemporâneas.

A Marcha Estadual pela Reforma Agrária, iniciada em 08/04/2026 em Feira de Santana, reúne MST e PT Bahia em percurso de 120 km até Salvador. A mobilização relembra os 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás e integra a Jornada Nacional de Lutas. O movimento defende a Reforma Agrária Popular, com foco em sustentabilidade, produção agroecológica e justiça social, ampliando o debate sobre o modelo agrário brasileiro.
Militantes do MST e integrantes do PT Bahia iniciam marcha em Feira de Santana, nesta quarta-feira (08/04/2026), com destino a Salvador, em mobilização pela reforma agrária.

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