MST realiza ato na Alba em memória de Eldorado dos Carajás e encerra marcha estadual na Bahia

Na sexta-feira (17/04/2026), milhares de trabalhadores rurais participaram de um ato político na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), em Salvador, durante sessão especial que marcou os 30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás. O episódio, ocorrido em 17 de abril de 1996, no Pará, resultou na morte de 21 trabalhadores sem terra e deu origem ao Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária. A mobilização reuniu cerca de dois mil participantes e também simbolizou o encerramento da Marcha Estadual pela Reforma Agrária na Bahia.

A atividade foi conduzida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) com forte carga simbólica. Durante a sessão, os participantes realizaram intervenções com cantos, ritos e elementos característicos da chamada “mística” do movimento. Um dos momentos centrais foi a disposição de caixões ao longo dos corredores da Alba, em referência aos trabalhadores assassinados no massacre de 1996.

A iniciativa buscou reafirmar a memória do episódio e destacar a permanência da pauta da reforma agrária no cenário político e social brasileiro. A escolha do espaço institucional da Assembleia Legislativa conferiu caráter formal ao ato, inserindo a mobilização no debate público estadual.

O evento também consolidou o encerramento da Marcha Estadual pela Reforma Agrária, iniciada em Feira de Santana no dia 8 de abril. Ao longo de mais de 120 quilômetros, os manifestantes percorreram o trajeto até Salvador, onde chegaram na quarta-feira (15/04/2026), culminando no ato político.

Presença de autoridades e lideranças amplia alcance institucional

A sessão especial contou com a presença de autoridades políticas, representantes do governo estadual e lideranças de movimentos sociais. Entre os participantes estiveram os deputados federais Valmir Assunção, Fátima Nunes e Lídice da Mata, além do deputado estadual Marcelino Galo.

Também participaram integrantes do Executivo estadual, como o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, e a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Fabya Reis. Representantes de órgãos federais e institucionais, como o Incra e a Superintendência de Patrimônio da União, também estiveram presentes.

No campo acadêmico e social, destacaram-se a vice-reitora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Dayse Lago, e lideranças nacionais do MST, como Evanildo Costa e Eliane Oliveira, reforçando o caráter plural da mobilização.

Discurso político destaca trajetória do movimento

Durante o ato, o presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), Tássio Brito, discursou sobre a trajetória histórica do MST e o significado político da luta pela terra. Em sua fala, afirmou que ações como a realizada na Alba representam uma continuidade de reivindicações sociais e políticas ao longo das últimas décadas.

Segundo Brito, o movimento surgiu em oposição a estruturas históricas de concentração de terras e desigualdade social. Ele também associou a atuação do MST a mudanças políticas mais amplas no país, mencionando a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva como marco relevante no cenário nacional.

As declarações reforçaram o caráter político do ato, que articulou memória histórica, reivindicação social e posicionamento ideológico em torno da pauta da reforma agrária.

Estrutura e presença do MST na Bahia e no Brasil

O MST é apontado como o maior produtor de alimentos orgânicos do Brasil e o principal produtor de arroz orgânico da América Latina. O movimento reúne mais de 400 mil famílias assentadas em todo o país.

Na Bahia, a organização está estruturada em aproximadamente 150 assentamentos, com mais de 18 mil famílias assentadas. Esses números indicam a dimensão da atuação do movimento no estado e sua relevância na produção agrícola e na organização social no campo.

A realização da marcha e do ato político reforça a capacidade de mobilização do MST e sua permanência como ator relevante no debate sobre políticas agrárias no Brasil.

O MST realizou ato político na Alba em Salvador na sexta-feira (17/04/2026) para marcar os 30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, reunindo cerca de dois mil participantes. A mobilização encerrou marcha iniciada em Feira de Santana e contou com autoridades e lideranças. O evento destacou a memória histórica, a pauta da reforma agrária e a presença do movimento, que reúne mais de 400 mil famílias no país.
MST realiza ato na Alba em Salvador em memória dos 30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, reunindo milhares e encerrando marcha estadual pela reforma agrária na Bahia.

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