Queda de Salvador no Índice de Progresso Social reacende debate sobre gestão municipal de ACM Neto e Bruno Reis, afirma deputado Robinson Almeida

Na terça-feira (14/04/2026), a divulgação do Índice de Progresso Social (IPS) de 2025, que posicionou Salvador como a quarta pior capital do país em qualidade de vida, reacendeu o debate político na Bahia. O deputado estadual Robinson Almeida (PT) atribuiu o resultado a problemas estruturais não solucionados durante a gestão do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil), contestando declarações recentes do pré-candidato ao governo estadual, que afirmou ter promovido avanços significativos em áreas como saúde e infraestrutura.

A capital baiana perdeu quatro posições no ranking nacional em relação ao ano anterior, o que, segundo Robinson Almeida, evidencia um descompasso entre discurso político e indicadores sociais. Para o parlamentar, os dados do IPS revelam fragilidades persistentes em áreas essenciais, como acesso a serviços públicos e qualidade de vida urbana.

De acordo com o deputado, os resultados apontam para problemas estruturais históricos, que não teriam sido enfrentados de forma eficaz ao longo das administrações municipais anteriores. Ele sustenta que a permanência de Salvador entre as piores capitais no índice reforça a necessidade de revisão das políticas públicas adotadas.

As declarações foram feitas em resposta a uma entrevista concedida por ACM Neto à rádio Baiana FM, na qual o ex-prefeito destacou avanços em setores como saúde e infraestrutura urbana.

Saúde e acesso a serviços públicos no centro do debate

Ao comentar a área da saúde, Robinson Almeida questionou a efetividade das melhorias apontadas pelo ex-prefeito. Segundo ele, a ampliação da atenção básica e da rede de urgência não se traduz, necessariamente, em acesso real e eficiente aos serviços pela população.

O parlamentar destacou dificuldades enfrentadas por moradores no acesso a consultas, especialistas e atendimento regular, sugerindo que a qualidade da atenção primária permanece insuficiente em diversos bairros da capital.

A crítica reforça um dos eixos centrais do IPS, que avalia não apenas a existência de serviços, mas sua capacidade de atender de forma adequada às demandas da população.

Educação e desempenho em alfabetização infantil

Outro ponto abordado foi o desempenho de Salvador na educação básica. Robinson Almeida citou dados de 2024 do Ministério da Educação, segundo os quais a capital ficou na última colocação entre as capitais no índice de alfabetização infantil.

Para o deputado, o indicador evidencia falhas estruturais no sistema educacional municipal, especialmente em etapas fundamentais do processo de aprendizagem. Ele argumenta que resultados dessa natureza comprometem o desenvolvimento social e econômico a longo prazo.

A crítica insere-se em um contexto mais amplo de avaliação de políticas públicas, no qual indicadores educacionais são considerados determinantes para medir a eficiência da gestão pública.

Desigualdade social e indicadores econômicos

O desempenho de Salvador no IPS também foi associado, pelo parlamentar, a fatores socioeconômicos como renda, habitação, saneamento e acesso a oportunidades. Segundo ele, os dados refletem uma realidade marcada por desigualdades persistentes.

No campo econômico, Robinson Almeida destacou a elevada taxa de desemprego, a informalidade e os baixos rendimentos médios da população, elementos que impactam diretamente a qualidade de vida urbana.

Esses fatores são componentes centrais do Índice de Progresso Social, que avalia dimensões como bem-estar, oportunidades e necessidades humanas básicas, oferecendo uma visão abrangente das condições sociais.

Mobilidade urbana e desafios nas periferias

A mobilidade urbana também foi alvo de críticas. O deputado apontou redução na oferta de transporte público por ônibus e dificuldades enfrentadas por moradores de regiões periféricas, indicando um cenário de deslocamento precário e isolamento urbano.

Ele mencionou o sistema metroviário como um dos principais avanços na infraestrutura de mobilidade, ressaltando sua importância para mitigar problemas históricos de transporte na capital.

A questão da mobilidade é considerada estratégica no IPS, uma vez que influencia diretamente o acesso a serviços, emprego e educação.


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