Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (PNAD Contínua), do IBGE, divulgados nesta quinta-feira (14/05/2026), mostram que a taxa de desocupação na Bahia ficou em 9,2% no 1º trimestre de 2026, o menor índice para o período de janeiro a março em 15 anos de série histórica, iniciada em 2012. Apesar do resultado positivo na comparação histórica, o indicador subiu em relação ao 4º trimestre de 2025, quando estava em 8,0%, e colocou novamente o estado entre os piores desempenhos do país, com a segunda maior taxa de desemprego entre as 27 unidades da Federação, atrás apenas do Amapá, que registrou 10,0%.
Bahia tem melhora histórica, mas desemprego ainda supera média nacional
A taxa baiana de 9,2% ficou acima da média nacional, que chegou a 6,1% no mesmo período. O estado empatou com Pernambuco e Alagoas, ambos também com 9,2%, e permaneceu distante dos melhores resultados do país. Santa Catarina apresentou a menor taxa de desocupação do Brasil no 1º trimestre de 2026, com 2,7%.
O resultado revela uma combinação de sinais contraditórios. De um lado, a Bahia alcançou o menor desemprego para um primeiro trimestre em toda a série histórica da PNAD Contínua. De outro, o estado manteve um patamar de desocupação estruturalmente elevado, superior à média brasileira e entre os maiores do país.
A taxa de desocupação mede a proporção de pessoas de 14 anos ou mais que não estavam trabalhando, procuraram emprego e estavam disponíveis para assumir uma vaga. O indicador considera o universo da força de trabalho, formado por pessoas ocupadas e desocupadas.
Salvador e Região Metropolitana lideram desemprego no país
O cenário foi mais grave em Salvador e na Região Metropolitana de Salvador (RMS). A capital baiana registrou taxa de desocupação de 10,2% no 1º trimestre de 2026, acima da média estadual e superior aos resultados do 4º trimestre de 2025, quando o índice era de 8,2%, e do 1º trimestre de 2025, quando estava em 9,3%.
Com esse desempenho, Salvador voltou a apresentar a maior taxa de desocupação entre as capitais brasileiras, depois de ter encerrado 2025 na quarta posição. O dado evidencia a persistência de dificuldades no mercado de trabalho urbano da capital, especialmente no início do ano, período tradicionalmente marcado por ajustes sazonais.
Na Região Metropolitana de Salvador, a taxa de desocupação chegou a 11,2%, também acima dos índices registrados no trimestre anterior, de 9,5%, e no 1º trimestre de 2025, de 9,9%. A RMS manteve a maior taxa de desemprego entre as 21 regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE.
Número de trabalhadores cai no trimestre, mas bate recorde para o período
A alta da taxa de desocupação entre o 4º trimestre de 2025 e o 1º trimestre de 2026 ocorreu em razão de dois movimentos simultâneos: a queda no número de pessoas ocupadas e o aumento do contingente de pessoas em busca de trabalho.
Entre janeiro e março de 2026, a Bahia tinha 6,451 milhões de pessoas ocupadas, número 2,7% menor que o registrado no trimestre anterior, quando havia 6,628 milhões de trabalhadores. Em termos absolutos, o estado perdeu 177 mil ocupados no intervalo.
Apesar da queda trimestral, o contingente de trabalhadores cresceu na comparação anual. Em relação ao 1º trimestre de 2025, quando havia 6,244 milhões de pessoas ocupadas, a Bahia registrou aumento de 207 mil trabalhadores, alta de 3,3%. Com isso, o estado atingiu o maior número de pessoas trabalhando para um 1º trimestre desde o início da série histórica.
Desocupados chegam a 657 mil, mas número é o menor para o período
A população desocupada na Bahia chegou a 657 mil pessoas no 1º trimestre de 2026. O número representa alta de 13,9% em relação ao 4º trimestre de 2025, com acréscimo de 80 mil pessoas procurando trabalho.
Na comparação com o mesmo período de 2025, porém, houve redução expressiva. O total de desocupados ficou 15,4% abaixo do registrado um ano antes, o equivalente a menos 119 mil pessoas nessa condição.
O IBGE associa parte desse movimento à sazonalidade do mercado de trabalho. No início do ano, costuma haver encerramento de contratos temporários ligados ao comércio, serviços, festas e férias, ao mesmo tempo em que mais pessoas retomam a busca por emprego após o período de fim de ano.
Desalento cai no ano, mas Bahia mantém maior contingente do país
A população desalentada na Bahia chegou a 426 mil pessoas no 1º trimestre de 2026. O número subiu 0,8% frente ao trimestre anterior, com acréscimo de 3 mil pessoas, mas caiu 20,4% em relação ao 1º trimestre de 2025, o equivalente a menos 109 mil desalentados em um ano.
Mesmo com a melhora anual, a Bahia permaneceu com o maior número absoluto de desalentados do Brasil, posição que ocupa ao longo de toda a série histórica da PNAD Contínua. No país, havia 2,683 milhões de desalentados no 1º trimestre de 2026.
São considerados desalentados os trabalhadores que estão fora da força de trabalho, não procuraram emprego, mas aceitariam uma vaga se houvesse oportunidade. O desalento costuma refletir barreiras persistentes de acesso ao mercado, como falta de experiência, escassez de vagas, idade avançada, juventude ou ausência de oportunidades na localidade.
Capital e região metropolitana perdem ocupados em ritmo mais intenso
Em Salvador, havia 1,220 milhão de pessoas ocupadas no 1º trimestre de 2026. O número representa queda de 2,6% frente ao trimestre anterior, com redução de 33 mil trabalhadores. Em relação ao 1º trimestre de 2025, a ocupação também recuou, com perda de 16 mil pessoas, ou 1,3%.
O número de desocupados na capital chegou a 138 mil pessoas, alta de 23,2% na comparação com o 4º trimestre de 2025. Em termos absolutos, foram mais 26 mil pessoas procurando trabalho. Na comparação anual, houve aumento de 12 mil desocupados, avanço de 9,5%.
Na Região Metropolitana de Salvador, o número de ocupados ficou em 1,677 milhão, com queda de 49 mil trabalhadores frente ao trimestre anterior e de 46 mil em relação ao 1º trimestre de 2025. O contingente de desocupados chegou a 211 mil pessoas, alta de 16,6% no trimestre e de 11,2% no ano.
Emprego com carteira assinada atinge recorde histórico
A queda na ocupação baiana entre o 4º trimestre de 2025 e o 1º trimestre de 2026 foi quase generalizada entre as formas de inserção no mercado de trabalho. A exceção foi o grupo dos empregados do setor privado com carteira assinada.
Esse segmento chegou a 1,797 milhão de trabalhadores, com alta de 1,7% frente ao trimestre anterior. Foram 30 mil pessoas a mais nessa condição, o que levou o emprego formal com carteira ao maior patamar da série histórica, considerando todos os trimestres.
O avanço da formalização contrasta com a retração dos trabalhadores por conta própria e dos empregados do setor público. Os trabalhadores por conta própria caíram 3,2%, com perda de 60 mil pessoas, enquanto os empregados do setor público recuaram 5,7%, com redução de 55 mil ocupados.
Informalidade recua e chega ao menor nível para um 1º trimestre
A redução dos trabalhadores por conta própria e o aumento dos empregados com carteira assinada contribuíram para a queda da informalidade no mercado baiano. No 1º trimestre de 2026, havia 3,265 milhões de trabalhadores informais no estado.
O número representa queda de 3,9% em relação ao 4º trimestre de 2025, quando havia 3,398 milhões de informais. Em termos absolutos, foram 133 mil trabalhadores informais a menos.
A taxa de informalidade ficou em 50,6%, abaixo dos 51,3% registrados no trimestre anterior e dos 52,5% observados no 1º trimestre de 2025. Foi a menor taxa de informalidade para um período de janeiro a março nos 15 anos de série histórica.
Quem é considerado trabalhador informal
Segundo a classificação utilizada na PNAD Contínua, entram na informalidade:
- empregados do setor privado sem carteira assinada;
- empregados domésticos sem carteira assinada;
- trabalhadores por conta própria sem CNPJ;
- empregadores sem CNPJ;
- auxiliares em negócio familiar.
Administração pública e construção puxam queda da ocupação
Entre os dez grupamentos de atividades econômicas pesquisados, cinco registraram queda no número de trabalhadores na Bahia entre o 4º trimestre de 2025 e o 1º trimestre de 2026.
A maior redução ocorreu no grupo de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que perdeu 82 mil trabalhadores, recuo de 6,2%. O contingente caiu de 1,324 milhão para 1,242 milhão de pessoas ocupadas.
A segunda maior perda foi observada na construção, com redução de 50 mil trabalhadores, queda de 9,5%. O setor passou de 526 mil para 476 mil ocupados no período.
Na direção oposta, o grupamento de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas teve o maior saldo positivo, com acréscimo de 20 mil trabalhadores, alta de 3,2%.
Na comparação anual, administração pública e agropecuária avançam
Em relação ao 1º trimestre de 2025, o grupamento de administração pública apresentou o maior saldo positivo de trabalhadores, com crescimento de 106 mil pessoas, avanço de 9,3%.
A agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura também teve desempenho positivo, com acréscimo de 60 mil trabalhadores, alta de 6,8%, chegando a 946 mil pessoas ocupadas.
A indústria geral, por sua vez, registrou a maior perda anual de trabalhadores. O setor caiu 8,2%, com redução de 48 mil pessoas, ficando em 540 mil ocupados no 1º trimestre de 2026.
Rendimento médio cresce na Bahia, em Salvador e na RMS
O rendimento médio real mensal dos trabalhadores baianos foi de R$ 2.483 no 1º trimestre de 2026. O valor representa aumento de 3,7% em relação ao trimestre anterior, quando estava em R$ 2.394, e alta de 8,9% frente ao 1º trimestre de 2025, quando era de R$ 2.279.
Apesar do crescimento, a Bahia manteve o segundo menor rendimento médio entre os 27 estados, acima apenas do Maranhão, que registrou R$ 2.240. O dado indica que o mercado de trabalho baiano avança em formalização e ocupação, mas ainda preserva uma estrutura salarial baixa em comparação com outras unidades da Federação.
Em Salvador, o rendimento médio real mensal chegou a R$ 3.568, alta de 12,2% frente ao 4º trimestre de 2025 e de 14,1% na comparação anual. Com isso, a capital deixou de ter o segundo menor rendimento médio entre as capitais e passou a ocupar a quinta menor posição.
Na Região Metropolitana de Salvador, o rendimento médio foi de R$ 3.313, aumento de 10,3% frente ao trimestre anterior e de 10,5% em relação ao 1º trimestre de 2025. A RMS também melhorou sua posição relativa, passando do segundo menor rendimento entre as regiões metropolitanas pesquisadas para o sexto menor.
Massa de rendimento chega a R$ 15,7 bilhões
A massa de rendimento real habitual de todos os trabalhos na Bahia chegou a R$ 15,703 bilhões no 1º trimestre de 2026. O indicador cresceu 0,9% frente ao 4º trimestre de 2025 e 12,1% em relação ao 1º trimestre do ano anterior.
A massa de rendimento representa a soma dos rendimentos do trabalho de todas as pessoas ocupadas. Por isso, é um indicador relevante para medir o volume de dinheiro em circulação na economia estadual.
O avanço da massa de rendimento, combinado ao crescimento anual da ocupação e à redução da informalidade, sugere melhora qualitativa em parte do mercado de trabalho. A permanência de alta desocupação, entretanto, limita o alcance social desses ganhos.








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