Na quarta-feira (06/05/2026), durante a Index Bahia, considerada a maior feira de negócios do estado, a BYD apresentou os bastidores do desenvolvimento de seu motor híbrido flex, tecnologia criada para atender às características do mercado brasileiro e prevista para ser produzida em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. O projeto, desenvolvido ao longo de cerca de 18 meses, mobilizou engenheiros brasileiros e chineses, além de fornecedores nacionais, com o objetivo de combinar eletrificação, eficiência energética e o uso estratégico do etanol na transição para uma mobilidade de menor impacto ambiental.
BYD apresenta tecnologia híbrida flex na maior feira de negócios da Bahia
A participação da BYD na Index Bahia ocorre em um momento de expansão da presença industrial da montadora no estado. A companhia utiliza o evento para apresentar sua estratégia de inovação, sustentabilidade e adaptação tecnológica ao mercado brasileiro, com destaque para o desenvolvimento do sistema híbrido flex que será integrado ao ciclo produtivo da empresa em Camaçari.
Segundo a empresa, o projeto reforça o papel da Bahia no processo de reindustrialização verde, conceito associado à atração de investimentos industriais vinculados à economia de baixo carbono, à inovação tecnológica e à geração de empregos qualificados. A operação da BYD no estado já reúne mais de 4 mil colaboradores diretos, dos quais cerca de 90% são baianos, conforme dados divulgados pela companhia.
A presença da montadora na feira também amplia o debate sobre os caminhos da nova indústria automotiva no Brasil. Ao apresentar uma solução híbrida adaptada ao uso do etanol, a BYD busca posicionar o país como um polo relevante de inovação fora da China, especialmente em razão da matriz energética brasileira, da tradição no uso de biocombustíveis e da necessidade de soluções compatíveis com um território de grandes dimensões.
Motor híbrido flex foi desenvolvido em 18 meses
O desenvolvimento do motor híbrido flex da BYD partiu de uma avaliação estratégica sobre as particularidades brasileiras. A empresa identificou que uma solução importada, sem adaptação técnica profunda, não responderia integralmente às condições do país, onde convivem uma matriz elétrica majoritariamente renovável, ampla disponibilidade de etanol e limitações na infraestrutura de recarga em determinadas regiões.
De acordo com Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD Brasil e head de marketing e comercial da BYD Auto, a tecnologia foi concebida para dialogar com a realidade energética nacional. Segundo ele, o Brasil exige soluções próprias, capazes de combinar eletrificação, eficiência energética e combustíveis renováveis.
“O Brasil não comporta soluções importadas sem adaptação profunda. Estamos falando de um mercado com matriz elétrica majoritariamente limpa, ampla oferta de etanol e, ao mesmo tempo, desafios relevantes de infraestrutura de recarga em um território de dimensões continentais. Foi dessa leitura que surgiu a decisão de desenvolver um híbrido plug-in capaz de priorizar o uso do etanol”, afirmou Baldy.
Tecnologia DM-i combina eletrificação e etanol
O sistema apresentado pela BYD utiliza a tecnologia DM-i, sigla para Dual Mode Intelligence, desenvolvida para permitir uma operação híbrida mais eficiente. Em trajetos urbanos, o veículo pode circular em modo 100% elétrico, com autonomia de até 110 quilômetros em modelos como o BYD Song Pro, conforme informações divulgadas pela companhia.
Em deslocamentos mais longos, o motor a combustão passa a atuar de forma complementar. Ele pode funcionar como gerador de alta eficiência para recarregar a bateria ou trabalhar em conjunto com o motor elétrico quando há maior necessidade de potência. Essa combinação busca reduzir o consumo de combustível e ampliar a autonomia do veículo, sem depender exclusivamente da infraestrutura de recarga.
A opção pelo sistema híbrido plug-in flex representa uma tentativa de integrar a eletrificação ao perfil energético brasileiro. Em vez de apostar apenas na substituição imediata dos motores a combustão por modelos totalmente elétricos, a BYD procura explorar uma rota intermediária, na qual o etanol assume papel relevante como combustível renovável no processo de transição energética.
Engenharia foi adaptada ao etanol brasileiro
O projeto exigiu ajustes técnicos específicos. Segundo a BYD, foram reforçados componentes internos do motor, como os pistões, para adequação às características do etanol brasileiro e da gasolina comercializada no país. Também foi desenvolvida uma nova ECU, ou Engine Control Unit, responsável pelo gerenciamento da mistura de combustível e pelo desempenho do sistema.
Ao todo, o desenvolvimento mobilizou cerca de 120 profissionais da BYD, além de parceiros fornecedores no Brasil. A empresa classifica esse processo como uma “tropicalização profunda”, expressão usada para indicar que a tecnologia não foi apenas importada, mas redesenhada para funcionar de maneira compatível com as condições locais.
Esse ponto é relevante porque parte da indústria automotiva tem reduzido a aposta em tecnologias flex, especialmente diante da pressão global por veículos elétricos. A BYD, no entanto, adota no Brasil uma estratégia distinta: incorporar o etanol ao seu projeto de eletrificação, reconhecendo a importância histórica e operacional desse combustível na matriz brasileira de transporte.
Brasil é tratado como mercado estratégico para inovação
Para Tyler Li, presidente da BYD no Brasil, a transição energética precisa considerar as condições específicas de cada país. Ele afirma que, no caso brasileiro, o etanol deve ser compreendido como ativo estratégico para a mobilidade de menor impacto ambiental.
“Na BYD, sustentabilidade e inovação caminham juntas. Nossa atuação global em descarbonização parte da convicção de que as soluções para o futuro da mobilidade precisam dialogar com a realidade de cada mercado. No Brasil, isso passa pelo reconhecimento do etanol como um ativo estratégico da transição energética”, declarou Tyler Li.
A afirmação indica que a companhia não pretende apenas replicar no Brasil o modelo de eletrificação aplicado em outros mercados. A estratégia envolve adaptar a tecnologia global da BYD ao conjunto de condições econômicas, energéticas e territoriais do país, especialmente em um cenário no qual a infraestrutura de recarga ainda se desenvolve de forma desigual.
Nesse contexto, a produção em Camaçari ganha importância industrial e simbólica. A cidade, que já ocupou posição relevante na cadeia automotiva brasileira, passa a ser apresentada pela BYD como base para uma nova etapa da indústria automotiva no Nordeste, agora associada à eletrificação, à inovação e à descarbonização.
Produção em Camaçari reforça debate sobre reindustrialização verde
A instalação da BYD em Camaçari é tratada pela empresa como parte de um movimento mais amplo de reindustrialização nacional. O conceito envolve a retomada da capacidade produtiva em setores estratégicos, mas com incorporação de novas tecnologias, redução de emissões e maior integração com cadeias de valor sustentáveis.
No caso da Bahia, a presença da montadora amplia a relevância do estado no debate sobre mobilidade elétrica e híbrida. A combinação entre base industrial existente, localização logística e disponibilidade de mão de obra regional fortalece o argumento de que o Nordeste pode desempenhar papel mais ativo na nova fase da indústria automotiva brasileira.
A participação da empresa na Index Bahia também cumpre função institucional. Ao levar profissionais para debater tecnologia, inovação e sustentabilidade, a BYD busca aproximar sua estratégia industrial de fornecedores, governos, consumidores e demais atores econômicos envolvidos na transformação do setor automotivo.
Principais pontos apresentados pela BYD
Entre os elementos destacados pela companhia durante a feira estão:
- Motor híbrido flex desenvolvido para o Brasil;
- Projeto realizado ao longo de aproximadamente 18 meses;
- Participação de 120 profissionais da BYD e fornecedores nacionais;
- Adaptação técnica ao uso de etanol e gasolina brasileira;
- Produção prevista em Camaçari, na Bahia;
- Integração entre eletrificação, biocombustíveis e eficiência energética;
- Mais de 4 mil colaboradores diretos na operação baiana, sendo cerca de 90% baianos.







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