Deputado Robinson Almeida rebate João Roma e defende política de segurança pública do governador Jerônimo na Bahia

O deputado estadual Robinson Almeida (PT) rebateu críticas feitas nesta terça-feira (26/05/2026) pelo ex-ministro João Roma ao Governo da Bahia após a divulgação do Atlas da Violência 2025, levantamento produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O parlamentar classificou as declarações do adversário político como “discurso eleitoreiro” e afirmou que, apesar dos desafios históricos enfrentados pelo estado na área de segurança pública, os indicadores recentes apontam redução consecutiva de mortes violentas sob a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Robinson Almeida acusa João Roma de uso político da segurança pública

Robinson Almeida afirmou que João Roma tenta explorar eleitoralmente os dados de violência na Bahia sem considerar, segundo ele, a evolução recente dos indicadores estaduais. O deputado sustentou que a oposição busca transformar um problema estrutural em instrumento de disputa política, especialmente no contexto de preparação para as eleições de 2026.

O parlamentar também associou Roma ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, no qual o ex-ministro integrou a gestão federal. Robinson citou a condução da pandemia de Covid-19 como contraponto político às críticas feitas pelo ex-ministro. Segundo ele, Roma participou de um governo marcado por controvérsias na área sanitária e agora tenta se apresentar como defensor da vida.

Foi um governo marcado pela negligência, pelo negacionismo e pela desumanidade durante a pandemia. Roma fazia parte dessa gestão e agora tenta posar de defensor da vida”, afirmou Robinson Almeida, ao rebater as críticas do ex-ministro.

Atlas da Violência 2025 reacende debate sobre homicídios na Bahia

O Atlas da Violência 2025 informou que o Brasil registrou, em 2023, 45.747 homicídios, com taxa de 21,2 mortes por 100 mil habitantes, o menor patamar em 11 anos, segundo o Ipea. O levantamento, porém, também mostra que as maiores taxas de homicídios permanecem concentradas em estados das regiões Norte e Nordeste.

No recorte estadual, dados divulgados pela imprensa com base no Atlas apontam a Bahia entre os estados com maior número absoluto de homicídios registrados em 2023. A Folha de S.Paulo informou que a Bahia contabilizou 6.616 homicídios registrados naquele ano, além de taxa de 43,9 homicídios por 100 mil habitantes, ficando atrás do Amapá na taxa proporcional.

O estudo do Ipea e do FBSP utiliza bases nacionais, como o Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, e analisa homicídios por recortes territoriais, etários, raciais e de gênero. A metodologia também considera discussões sobre subnotificação e mortes violentas com causa indeterminada, aspecto relevante para leitura comparativa entre estados.

Governo da Bahia aponta queda recente de mortes violentas

Robinson Almeida defendeu que os dados mais recentes da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) indicam trajetória de queda nas mortes violentas. Segundo o parlamentar, os resultados decorrem de investimentos em inteligência policial, tecnologia, integração das forças de segurança e ampliação do efetivo com contratação de policiais e bombeiros.

Dados oficiais recentes do Governo da Bahia informam que o estado registrou, no primeiro quadrimestre de 2026, redução de 23% nos crimes graves contra a vida, com 1.119 casos no período, contra 1.449 ocorrências no mesmo intervalo de 2025. O governo também informou que abril de 2026 teve o menor número de mortes violentas para o mês nos últimos 14 anos.

Em março de 2026, a SSP-BA já havia divulgado que a Bahia registrou, em 2025, redução de 13% nos crimes violentos letais intencionais e queda de 9,5% no total de mortes violentas intencionais. Segundo a pasta, houve ainda redução de mortes por intervenção policial nos dois primeiros meses de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Fevereiro de 2026 teve menor número de mortes violentas em 14 anos

Em fevereiro de 2026, a Bahia contabilizou 258 mortes violentas, segundo dados consolidados pelas Polícias Civil e Científica, resultado apontado como o menor para o mês nos últimos 14 anos. O índice representou queda de 24,3% em relação a fevereiro de 2025, quando foram registradas 341 ocorrências.

Os indicadores citados pela SSP-BA abrangem homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Esses dados são usados pelo governo estadual para sustentar que a política de segurança pública apresenta redução gradual da letalidade, embora a Bahia permaneça sob forte pressão estatística em levantamentos nacionais.

O governo Jerônimo enfrenta o problema com trabalho, investimento e presença do Estado. Diferente da oposição, que tenta transformar a dor das vítimas em palanque eleitoral”, afirmou Robinson Almeida.

Deputado cita Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e Banco Master

Para Robinson Almeida, João Roma ignora deliberadamente indicadores recentes para construir narrativa de oposição ao Governo da Bahia. O deputado avaliou que o tema da segurança pública será explorado no processo eleitoral de 2026, especialmente porque envolve uma das áreas mais sensíveis da administração estadual.

Robinson Almeida também cobrou explicações do campo bolsonarista sobre reportagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo o deputado, João Roma deveria esclarecer controvérsias associadas ao grupo político que representa antes de atacar a política de segurança pública da Bahia.

Antes de atacar a Bahia com oportunismo, Roma deveria explicar os escândalos do grupo político que representa”, declarou Robinson Almeida.

A declaração amplia o escopo do embate político ao deslocar a discussão da segurança pública para acusações envolvendo aliados nacionais da direita. Do ponto de vista jornalístico, a crítica deve ser apresentada como posicionamento político do parlamentar, sem equivaler automaticamente a conclusão factual sobre responsabilidades individuais ainda sujeitas a apuração por órgãos competentes.


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