Éden Valadares mira Flávio Bolsonaro e diz que campanha de 2026 deve expor trajetória do senador do PL

O secretário Nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou nesta quarta-feira (06/05/2026) que a eventual candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deverá ser enfrentada pelo partido com foco na exposição de sua trajetória pública, nas denúncias que marcaram sua carreira política e na vinculação direta ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em declaração de forte tom político, o dirigente petista classificou o filho mais velho do ex-presidente como “enrolado” e “malandro”, ao sustentar que parte expressiva do eleitorado ainda desconhece o perfil do senador, apontado pelo bolsonarismo como nome para a disputa presidencial de 2026. A fala ocorre em meio ao acirramento da polarização eleitoral e à divulgação de pesquisas que indicam cenário competitivo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro.

PT aposta na desconstrução política de Flávio Bolsonaro

Éden Valadares afirmou que o quadro eleitoral segue marcado por forte polarização e que a principal novidade da disputa será a consolidação de Flávio Bolsonaro como candidato do campo anti-Lula. Segundo o dirigente, o equilíbrio observado nas pesquisas nesta fase ainda reflete um cenário inicial, no qual parte do eleitorado não teria conhecimento suficiente sobre a trajetória do senador.

Está claro que o Brasil segue em um quadro de forte polarização. É natural que as pesquisas apontem equilíbrio na disputa, com acirramento nas intenções de voto. Mas a novidade destas eleições será o candidato anti-lulista”, declarou o secretário do PT.

A avaliação do partido é que a campanha presidencial poderá alterar a percepção pública sobre Flávio Bolsonaro. Para Éden, o senador ainda não foi submetido ao mesmo grau de escrutínio nacional enfrentado por candidatos presidenciais com maior exposição pública. A estratégia, conforme declarações recentes do dirigente, será apresentar ao eleitorado a trajetória do parlamentar, seus cargos públicos e as controvérsias associadas ao seu nome.

Dirigente petista associa senador a denúncias e à influência do pai

Ao criticar Flávio Bolsonaro, Éden Valadares afirmou que a ascensão política do senador estaria diretamente vinculada ao capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro. O dirigente petista disse que o parlamentar seria “apagado” e não teria apresentado projeto relevante em oito anos de mandato no Senado.

O filho escolhido por Bolsonaro para ser candidato é um senador apagado, sem nenhum projeto relevante aprovado em oito anos de mandato. Sua trajetória é marcada por denúncias de corrupção, lavagem de dinheiro, rachadinhas e envolvimento com criminosos da milícia”, declarou Éden.

As acusações mencionadas pelo dirigente devem ser tratadas como declarações políticas atribuídas ao PT, não como conclusão judicial. Flávio Bolsonaro já foi alvo de acusações em investigações associadas ao período em que exerceu mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, mas parte desses procedimentos teve desdobramentos judiciais favoráveis à defesa ou foi atingida por decisões que fragilizaram provas e acusações. A agência Associated Press registrou, ao tratar da candidatura do senador, que ele enfrentou acusações de peculato posteriormente rejeitadas.

Campanha deve explorar desconhecimento do eleitorado

Na avaliação de Éden Valadares, o presidente Lula tende a ampliar vantagem quando a campanha presidencial intensificar o debate sobre o perfil do adversário. O dirigente afirmou que muitos eleitores ainda não identificariam com clareza qual filho de Jair Bolsonaro estaria sendo apresentado como candidato.

A sociedade vai conhecer melhor a história real de Flávio apenas quando o processo eleitoral começar de verdade. Penso eu: o quadro vai mudar. Hoje, muitas pessoas nem sabem ao certo sobre qual filho de Bolsonaro estão falando. É o 01? 02? 03?”, afirmou.

Em seguida, Éden elevou o tom e declarou que a campanha mostrará que “o filho de Bolsonaro escolhido como candidato a presidente é o enrolado, o malandro, o metido com coisa errada”. A fala sinaliza uma estratégia de confronto direto, embora dirigentes petistas também tenham indicado, em declarações anteriores, a intenção de apresentar críticas com base em fatos, trajetória e comparação política, evitando depender apenas de adjetivações.

Flávio Bolsonaro aparece como nome do PL para enfrentar Lula

Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro, consolidou-se como nome do PL para a eleição presidencial de 2026 após receber apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. A definição reposicionou o campo conservador e reduziu o espaço para outras alternativas que vinham sendo consideradas pela direita, entre elas o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

A escolha de Flávio reforça a centralidade da família Bolsonaro no campo oposicionista. Ao mesmo tempo, transfere para a disputa presidencial o debate sobre o legado do governo anterior, as investigações envolvendo aliados e familiares do ex-presidente e a tentativa do bolsonarismo de manter coesão nacional em torno de um candidato com sobrenome eleitoralmente reconhecido.

Pesquisas recentes indicam disputa acirrada em diferentes estados e mostram que Lula e Flávio Bolsonaro aparecem como polos centrais da corrida presidencial. Levantamento divulgado pelo Poder360 com base em pesquisa Quaest aponta vantagem de Lula em cinco estados e de Flávio em outros cinco em cenários de segundo turno, o que reforça a leitura de uma eleição nacionalizada e altamente polarizada.

Disputa deve combinar biografia, rejeição e legado político

A ofensiva do PT contra Flávio Bolsonaro aponta para uma campanha centrada em três eixos: biografia do candidato, legado político da família Bolsonaro e comparação direta com Lula. A estratégia busca reduzir a vantagem simbólica do sobrenome Bolsonaro entre eleitores conservadores e, ao mesmo tempo, ampliar a rejeição ao senador em segmentos moderados.

Do lado bolsonarista, a candidatura de Flávio tende a explorar a fidelidade ao ex-presidente, o discurso de continuidade do projeto político de direita e pautas conservadoras, especialmente segurança pública, economia e oposição ao governo Lula. Nesta quarta-feira, o senador voltou a defender propostas na área de segurança pública, incluindo mudanças na maioridade penal, em discurso voltado ao eleitorado conservador.

O embate, portanto, não se limita à comparação entre dois nomes. Trata-se de uma disputa entre narrativas políticas: de um lado, o PT tenta enquadrar Flávio Bolsonaro como herdeiro de um projeto marcado por controvérsias institucionais; de outro, o PL procura apresentá-lo como continuidade do bolsonarismo e alternativa ao lulismo.


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