Fim da escala 6×1 beneficiaria 596,5 mil trabalhadores na Bahia e ampliaria jornada 5×2 no estado

A Bahia teria 596.501 trabalhadores diretamente beneficiados com o fim da escala 6×1, segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgado na segunda-feira (25/05/2026) no contexto da proposta do Governo Federal para reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, garantir dois dias de descanso remunerado e impedir redução salarial. O estado já possui 1.237.883 trabalhadores em escala 5×2, o equivalente a 67,48% do total identificado, enquanto 32,52% ainda atuam no modelo com seis dias de trabalho e apenas um dia de descanso semanal. Em âmbito nacional, cerca de 14,9 milhões de trabalhadores seriam alcançados pela transição para o modelo 5×2, dentro de um universo de 44,7 milhões de pessoas com jornada identificada.

Bahia tem quase 600 mil trabalhadores na escala 6×1

O levantamento indica que a Bahia concentra 596.501 trabalhadores atualmente inseridos na escala 6×1. Esse contingente representa a parcela da população ocupada formalmente identificada no estado que teria alteração direta na rotina semanal caso a proposta seja aprovada pelo Congresso Nacional.

Na prática, a mudança significaria a substituição do modelo com seis dias consecutivos de trabalho e um dia de repouso por uma organização com cinco dias de trabalho e dois dias de descanso remunerado. A medida alcançaria principalmente segmentos com grande presença de jornadas prolongadas, como comércio, serviços, indústria e logística.

A Bahia também soma 1.237.883 trabalhadores já inseridos no regime 5×2, número que equivale a 67,48% do total identificado pelo MTE no estado. O dado revela que a escala 5×2 já é majoritária entre os trabalhadores baianos, mas ainda convive com um contingente expressivo submetido à escala 6×1.

Redução da jornada semanal alcançaria 1,69 milhão de baianos

Além do fim da escala 6×1, a proposta do Governo Federal prevê a redução do limite semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem redução salarial. Na Bahia, essa mudança teria alcance ainda mais amplo: 1.697.593 trabalhadores seriam beneficiados pela diminuição da carga horária semanal.

Os dados nacionais apontam que 38,6 milhões de trabalhadores informaram cumprir jornadas superiores a 40 horas semanais. Desse total, 37,2 milhões trabalham atualmente 44 horas por semana, enquanto 1,4 milhão atuam em jornadas entre 40,1 e 43,9 horas.

A proposta foi formalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril de 2026, com envio ao Congresso Nacional em regime de urgência constitucional. Segundo o Planalto, o projeto busca consolidar o modelo 5×2, reduzir a jornada máxima semanal e preservar integralmente os salários dos trabalhadores atingidos pela mudança.

Governo defende mudança como prioridade trabalhista

O fim da escala 6×1 foi apresentado pelo Governo Federal como uma das prioridades da agenda trabalhista de 2026. A proposta prevê dois dias de repouso semanal remunerado, reorganização da jornada e vedação a qualquer corte nominal ou proporcional de salário.

Em pronunciamentos oficiais, o governo argumenta que a mudança busca ampliar o tempo disponível para convivência familiar, lazer, estudo, cultura e descanso. A Secretaria de Comunicação da Presidência também relaciona a proposta à melhoria das condições de trabalho e à preservação da renda dos empregados.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, tem defendido publicamente que a redução da jornada, sem corte salarial, pode contribuir para melhorar o ambiente laboral, reduzir adoecimentos e faltas e ampliar a produtividade. A posição do governo é que a alteração da escala deve ser acompanhada da redução da carga semanal, para evitar apenas a redistribuição das horas do sábado para os demais dias da semana.

Impacto nacional chega a 14,9 milhões de trabalhadores

No Brasil, o levantamento do MTE identificou a jornada de 44,7 milhões de trabalhadores. Aproximadamente um terço desse total ainda atua em regime 6×1, o que corresponde a cerca de 14,9 milhões de pessoas potencialmente beneficiadas pela mudança para a escala 5×2.

A distribuição regional mostra concentração mais elevada no Sudeste, com 7 milhões de trabalhadores na escala 6×1. Em seguida aparecem o Sul, com 2,9 milhões; o Nordeste, com 1,97 milhão; o Centro-Oeste, com 1,34 milhão; e o Norte, com 751,7 mil.

Entre os estados, São Paulo lidera em números absolutos, com 4,28 milhões de trabalhadores atualmente na escala 6×1. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 1,46 milhão; Rio de Janeiro, com 1,05 milhão; Santa Catarina, com 1,04 milhão; e Paraná, com 1,03 milhão.

Comércio e serviços tendem a concentrar efeitos da mudança

A escala 6×1 é frequente em setores que exigem funcionamento contínuo, atendimento ao público ou operação em finais de semana. Por isso, comércio, serviços, logística, indústria e atividades de apoio aparecem entre os segmentos mais sensíveis à mudança.

Para os trabalhadores, o principal efeito seria a ampliação do tempo de descanso semanal. Para as empresas, o tema envolve reorganização de turnos, revisão de escalas, gestão de pessoal e eventual adaptação de custos operacionais, especialmente em atividades que funcionam aos sábados, domingos ou em regime de atendimento prolongado.

A discussão também tem dimensão social. A escala 6×1 impõe apenas um dia de descanso por semana, o que reduz o tempo disponível para família, qualificação profissional, atividades culturais e recomposição física. O governo sustenta que a mudança pode gerar reflexos positivos na qualidade de vida e na produtividade, embora o debate no Congresso deva incluir preocupações empresariais sobre custos, transição e regras de implementação.


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