Guerra na Ucrânia: Presidente Vladimir Putin fala em possível fim do conflito, mas analista afirma que Rússia “não está disposta a fazer concessões”

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou no sábado (09/05/2026) que a guerra na Ucrânia “está se aproximando do fim” e declarou estar disposto a se reunir com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. As declarações ocorreram horas após o líder russo criticar a Otan e defender a ofensiva militar russa durante as comemorações do “Dia da Vitória”, data que marca o triunfo soviético sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

Apesar do discurso sobre uma possível aproximação do fim do conflito, os combates entre Rússia e Ucrânia continuaram durante o fim de semana, mesmo após o anúncio de um cessar-fogo pelos Estados Unidos. Bombardeios, ataques de drones e confrontos em diversas regiões foram registrados por ambos os lados.

Em entrevista à RFI, o analista geopolítico Ulrich Bounat, pesquisador associado do think tank francês Euro Créative e especialista em Europa Central e do Leste, avaliou que as declarações de Putin não representam uma mudança significativa na estratégia russa e afirmou que o Kremlin continua sem demonstrar disposição para concessões políticas ou territoriais.

Analista vê estratégia de comunicação semelhante à dos EUA

Segundo Ulrich Bounat, as declarações de Putin fazem parte de uma estratégia voltada tanto para o cenário internacional quanto para a opinião pública interna da Rússia.

O especialista afirmou que o presidente russo tenta transmitir à população a ideia de que o conflito está próximo do encerramento, em um contexto de desgaste econômico e crescente impacto da guerra sobre o cotidiano dos russos.

De acordo com o analista, o Kremlin monitora constantemente a percepção pública sobre o conflito, enquanto enfrenta uma população que, segundo ele, “nunca compreendeu totalmente a guerra na Ucrânia”. Bounat destacou que a pressão econômica interna obriga Putin a sinalizar perspectivas de encerramento da ofensiva militar.

Putin associa fim da guerra a vitória russa

Ulrich Bounat ressaltou que, para Moscou, a ideia de “fim da guerra” está vinculada a uma percepção de vitória estratégica e não necessariamente à disposição para negociações amplas com Kiev.

Segundo o pesquisador, as declarações recentes de Putin não devem ser interpretadas como abertura para concessões relacionadas aos territórios ocupados ou às exigências russas sobre segurança regional.

O analista comparou a postura do líder russo à estratégia de comunicação utilizada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que frequentemente afirma que conflitos internacionais estão próximos de uma solução.

Bounat afirmou que o discurso político russo busca criar uma expectativa de resolução sem alterar os objetivos centrais do Kremlin no conflito ucraniano.

Alemanha rejeita proposta de mediação de Gerhard Schröder

O governo russo também propôs que o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder atue como mediador em possíveis negociações de paz entre Rússia e Ucrânia.

Aliado histórico de Putin, Schröder governou a Alemanha entre 1998 e 2005 e mantém relações próximas com o Kremlin há cerca de duas décadas. A proposta foi recebida com ceticismo pelo governo alemão.

Neste domingo (10/05/2026), autoridades de Berlim afirmaram que a sugestão faz parte de uma “estratégia híbrida” da Rússia e classificaram a iniciativa como mais uma entre diversas “falsas ofertas” feitas por Moscou durante o conflito.

O governo alemão declarou ainda que um teste concreto de credibilidade seria a ampliação do cessar-fogo temporário anunciado anteriormente.

Lideranças alemãs questionam neutralidade de Schröder

A reputação política de Gerhard Schröder sofreu desgaste na Alemanha após sua recusa em condenar a invasão russa iniciada em 2022. A postura gerou críticas dentro do próprio Partido Social-Democrata (SPD), legenda à qual pertence.

O político social-democrata Michael Roth declarou ao jornal Tagesspiegel que “um mediador entre Rússia e União Europeia não pode ser amigo de Putin”.

Roth também afirmou que qualquer mediador deve ser aceito prioritariamente pela Ucrânia. Segundo ele, nem Moscou nem os países europeus podem impor unilateralmente um representante para conduzir as negociações.

O atual governo alemão integra a coalizão liderada pelo chanceler Friedrich Merz.

Cessar-fogo anunciado pelos EUA não se concretiza

O cessar-fogo anunciado na sexta-feira (08/05/2026) pelo governo dos Estados Unidos não foi implementado efetivamente no campo de batalha. Rússia e Ucrânia continuaram trocando acusações de violações da trégua durante o fim de semana.

Autoridades ucranianas informaram neste domingo (10/05/2026) que a Rússia lançou 27 drones de longa distância e realizou quase 150 confrontos militares em diferentes áreas da linha de frente nas últimas 24 horas.

Segundo Kiev, uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas em ataques russos na região de Zaporíjia, no sudeste da Ucrânia. Bombardeios também deixaram cerca de 20 feridos em Kharkiv, Kherson e Dnipro.

Do lado russo, o governador da região de Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, afirmou que um soldado russo ficou ferido após um ataque de drone ucraniano.

Rússia e Ucrânia relatam intensificação de ataques

O Estado-Maior da Ucrânia informou ter registrado 7.704 ataques de drones e 2.021 bombardeios de artilharia realizados pelas forças russas contra posições ucranianas.

Já o Exército russo declarou que as tropas ucranianas realizaram 676 disparos de artilharia e tanques, além de 6.331 ataques de drones e oito ofensivas de infantaria nas últimas 24 horas.

Os relatos reforçam o cenário de continuidade das hostilidades, apesar das iniciativas diplomáticas e dos anúncios de cessar-fogo apresentados nos últimos dias por diferentes governos envolvidos no conflito.

*Com informações da RFI.


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