Brasília, segunda-feira, 25/05/2026 — A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, passou por uma mudança decisiva após a saída do advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, das negociações de colaboração premiada. O criminalista Sérgio Leonardo assumiu a condução da defesa e, segundo nota de sua assessoria citada no conteúdo fornecido, terá como principal tarefa “costurar um bom acordo de colaboração premiada” para o cliente. A movimentação ocorre em meio ao desgaste das tratativas com a Polícia Federal, à continuidade das conversas com a Procuradoria-Geral da República e à cobrança do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, por informações consideradas concretas, robustas e novas.
Mudança na defesa ocorre após rejeição de acordo pela Polícia Federal
A substituição na defesa ocorre depois de a Polícia Federal recusar os termos do acordo que vinha sendo negociado por Daniel Vorcaro. Segundo o texto fornecido, a PGR sinalizou que as conversas poderiam prosseguir, mas José Luis Oliveira Lima decidiu deixar o caso em meio ao desgaste com o relator no STF.
A saída de Juca representa uma alteração relevante na estratégia jurídica. O advogado vinha conduzindo as negociações da delação, mas a relação com André Mendonça teria se deteriorado diante da avaliação de que Vorcaro não estaria apresentando informações suficientes ou inéditas às autoridades.
A Folha de S.Paulo também informou que Oliveira Lima deixou a defesa após a rejeição da delação pela Polícia Federal, enquanto as negociações continuaram no âmbito da Procuradoria-Geral da República.
Sérgio Leonardo assume defesa com promessa de recomeçar tratativas
Sérgio Leonardo, criminalista mineiro de 47 anos, assume o caso afirmando enfrentar o maior desafio profissional de sua carreira. De acordo com o conteúdo fornecido, ele pretende atuar sozinho na defesa de Daniel Vorcaro e reorganizar a negociação da colaboração premiada.
O novo advogado pertence a uma família tradicional da advocacia criminal em Minas Gerais. É neto de Jair Leonardo, ex-presidente da OAB/MG e professor emérito de Direito Penal da Faculdade de Direito da UFMG, e filho de Marcelo Leonardo, também ex-presidente da OAB/MG, conhecido por atuar em casos de grande repercussão, como Mensalão e Lava Jato.
Entre 2022 e 2024, Sérgio Leonardo presidiu a OAB/MG. Atualmente, ocupa os cargos de conselheiro federal e procurador-geral da OAB Nacional, além de ter atuado em casos relacionados aos rompimentos das barragens de Fundão e Brumadinho, na defesa de executivos e conselheiros ligados à Vale.
STF cobra informações novas e rejeita delação seletiva
O ponto central do impasse está no conteúdo da colaboração. Segundo o material fornecido, André Mendonça teria indicado que não aceitará pressões, não admitirá seletividade nas informações e não homologará delação sem elementos novos e consistentes.
Esse ponto é decisivo porque a colaboração premiada, para ser aceita, precisa oferecer avanço real à investigação. Em casos complexos envolvendo sistema financeiro, agentes públicos, empresários e possíveis conexões políticas, a homologação depende da utilidade concreta das informações apresentadas.
Reportagem recente da Folha informou que Mendonça teve uma discussão dura com a defesa de Vorcaro por divergências sobre a delação. Segundo a publicação, o ministro avaliaria que as informações apresentadas estariam distantes do que já foi apurado pela Polícia Federal.
Negociação envolve possível devolução bilionária
Uma das possibilidades mencionadas nas tratativas seria a devolução de valores entre R$ 40 bilhões e R$ 60 bilhões. O montante, se confirmado em acordo formal, colocaria a negociação entre as maiores já discutidas em investigações financeiras no país.
Ainda assim, segundo o conteúdo fornecido, os primeiros sinais da negociação não teriam animado parte das autoridades. O problema não estaria apenas no valor a ser devolvido, mas na qualidade das informações oferecidas por Vorcaro.
Em investigações desse porte, a devolução de recursos pode ser relevante, mas não substitui a exigência de esclarecimento sobre autoria, funcionamento do esquema, beneficiários, operadores, eventuais agentes públicos envolvidos e mecanismos de ocultação patrimonial.
Caso Banco Master envolve suspeitas de fraude, corrupção e lavagem
As investigações sobre o Banco Master ganharam dimensão nacional diante das suspeitas de fraude financeira, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A Reuters informou que Daniel Vorcaro foi novamente preso em março de 2026 em investigação que apura, entre outros pontos, suposta tentativa de suborno de ex-integrante do Banco Central.
A apuração também atingiu outros personagens do sistema financeiro. Em abril de 2026, a Polícia Federal prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, em investigação ligada ao Banco Master. Segundo a Reuters, a apuração envolve suspeitas sobre a criação e transferência de carteiras de crédito falsas do Banco Master ao BRB, além de alegações de pagamento de vantagens indevidas.
O caso também passou por mudança de relatoria no Supremo. O ministro Dias Toffoli se declarou impedido ou afastou-se da condução do inquérito após questionamentos sobre supostas menções ao seu nome em material extraído de celular de Vorcaro, e o processo foi redistribuído a André Mendonça. Toffoli negou irregularidades, segundo reportagem da Reuters.
Relações políticas aumentam sensibilidade do caso
O caso Banco Master extrapolou a esfera financeira e passou a ter reflexos políticos. A Reuters noticiou que o senador Flávio Bolsonaro confirmou ter se reunido com Daniel Vorcaro após a prisão e posterior soltura com tornozeleira eletrônica, afirmando que a relação se limitava a tratativas sobre investimento em um filme ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Esse elemento amplia a sensibilidade institucional da investigação. A eventual delação de Vorcaro pode interessar à Polícia Federal, à PGR e ao STF não apenas pela dimensão econômica do caso, mas também por suas possíveis conexões com autoridades, agentes públicos e personagens políticos.
Nesse contexto, a exigência de André Mendonça por informações novas indica que o Supremo busca evitar uma colaboração meramente defensiva, usada apenas para reduzir riscos penais sem entregar fatos capazes de alterar o rumo das apurações.
O que aconteceu nos últimos eventos do caso
Os acontecimentos recentes podem ser resumidos em uma sequência de movimentos jurídicos e institucionais:
- A Polícia Federal rejeitou o acordo de colaboração premiada que vinha sendo negociado por Daniel Vorcaro.
- A PGR manteve aberta a possibilidade de continuidade das tratativas.
- O advogado José Luis Oliveira Lima deixou a defesa após o impasse.
- O criminalista Sérgio Leonardo assumiu o caso e passou a tentar reconstruir a negociação.
- O ministro André Mendonça sinalizou que não aceitará informações seletivas, repetidas ou sem valor probatório novo.
- A hipótese de devolução de R$ 40 bilhões a R$ 60 bilhões entrou no radar, mas ainda não teria sido suficiente para convencer autoridades.
O núcleo do conflito está na diferença entre o que Vorcaro estaria disposto a entregar e aquilo que as autoridades consideram necessário para justificar a homologação da delação.








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