O prefeito de Gongogi, Adriano Mendonça (Avante), fez, nesta terça-feira (26/05/2026), declarações críticas ao tratamento que, segundo ele, recebia no grupo político liderado por ACM Neto (União Brasil) durante as eleições estaduais de 2022 e afirmou apoio ao governador Jerônimo Rodrigues (PT). Em fala pública, o gestor municipal disse que prefeitos não eram ouvidos pela oposição e relatou que, em determinadas agendas, “nem no palco” os aliados podiam subir. A manifestação ocorre em um contexto de reacomodação política no interior da Bahia, com prefeitos que apoiaram ACM Neto em 2022 migrando para a base governista.
Prefeito afirma que prefeitos não eram ouvidos no grupo de ACM Neto
Adriano Mendonça afirmou que a dinâmica política vivenciada no grupo de ACM Neto contrastava com o ambiente encontrado na base governista. Segundo o prefeito, reuniões com gestores municipais, nas quais os prefeitos são chamados a se manifestar e participar da articulação política, não ocorriam da mesma forma no campo oposicionista.
“Isso aqui é uma reunião importante com prefeitos e isso nunca aconteceu lá. A gente não era ouvido. Nem no palco a gente podia subir. Nem os deputados podiam”, declarou o prefeito de Gongogi. A fala expõe uma crítica direta ao modelo de relação política estabelecido, segundo ele, entre a liderança oposicionista e aliados do interior baiano.
O prefeito também afirmou que, apesar do incômodo à época, manteve o apoio dado em 2022 por compromisso político assumido. “Ali eu já estava nervoso, mas tinha dado a minha palavra e não podia voltar atrás”, disse Mendonça, ao explicar sua permanência temporária no grupo de ACM Neto durante a disputa eleitoral passada.
Rompimento com a oposição e adesão à base governista
Na mesma manifestação, Adriano Mendonça declarou que decidiu deixar o grupo de ACM Neto e seguir alinhado ao governador Jerônimo Rodrigues. O prefeito afirmou que sua decisão foi motivada por insatisfações acumuladas e pela avaliação de que a base governista teria maior abertura para o diálogo com os municípios.
“Fique tranquilo, governador, que Adriano Mendonça tem um nome a zelar. Eu nunca fui moleque. Nós estamos juntos, vamos lutar e vamos ganhar a eleição”, afirmou o gestor municipal, em declaração dirigida a Jerônimo Rodrigues.
O movimento de Adriano Mendonça se soma a outras movimentações recentes registradas no cenário político baiano. O Jornal Grande Bahia noticiou, em abril de 2026, que o prefeito de Gongogi já havia rompido com ACM Neto, criticado a oposição e declarado apoio a Jerônimo Rodrigues após investimentos no município.
Interior da Bahia ganha peso na reorganização das alianças
A declaração do prefeito de Gongogi reforça a centralidade do interior da Bahia na disputa política estadual. Em um estado marcado por forte capilaridade municipal, o apoio de prefeitos costuma ter peso relevante na mobilização territorial, na articulação com lideranças locais e na construção de palanques regionais.
O movimento também ocorre em meio a uma série de episódios envolvendo prefeitos que se distanciaram do grupo de ACM Neto e passaram a sinalizar apoio ao governo estadual. Em abril de 2026, o Jornal Grande Bahia registrou que o governador Jerônimo Rodrigues ampliou sua base política ao atrair prefeitos da oposição em Salvador, em movimento interpretado como pressão sobre o grupo liderado pelo ex-prefeito da capital baiana.
Em maio de 2026, o portal também publicou reportagem sobre prefeitos que criticaram ACM Neto em Guanambi e defenderam a interiorização do Programa de Governo Participativo do governador Jerônimo Rodrigues, o que indica que o tema tem se repetido em diferentes regiões do estado.
Disputa de 2022 permanece como referência política
As declarações de Adriano Mendonça remetem diretamente à eleição estadual de 2022, quando ACM Neto e Jerônimo Rodrigues disputaram o governo da Bahia em segundo turno. O resultado daquele pleito redefiniu o equilíbrio político no estado e segue influenciando as alianças municipais para o ciclo eleitoral seguinte.
Na eleição de 2022, Jerônimo Rodrigues venceu ACM Neto no segundo turno, consolidando a continuidade do grupo governista no comando do Estado da Bahia. A base de dados do Tribunal Superior Eleitoral reúne informações oficiais sobre candidaturas e contas eleitorais, constituindo referência institucional para consulta sobre o pleito.
Embora a fala de Adriano Mendonça tenha tom político, ela revela um ponto recorrente nas disputas estaduais: a relação entre lideranças de capital e prefeitos do interior. Em campanhas majoritárias, a capacidade de escuta, presença regional e interlocução com gestores municipais pode influenciar diretamente a formação de alianças.








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