O prefeito José Ronaldo anunciou nesta sexta-feira (22/05/2026), no Paço Municipal Maria Quitéria, a desapropriação de imóveis contíguos à sede da Prefeitura para implantação de um novo Centro Administrativo Municipal de Feira de Santana, destinado a concentrar secretarias e serviços públicos em área central da cidade. A medida, formalizada por decreto municipal, alcança imóveis pertencentes ao Centro Administradora de Imóveis Ltda., com acessos pela Avenida Getúlio Vargas, Avenida Senhor dos Passos e entorno da Rua José Joaquim Seabra, em área superior a 4,7 mil metros quadrados, segundo as informações apresentadas pela gestão. O prefeito também tratou de temas associados à reorganização administrativa, preservação da vitalidade econômica do centro, avanço das compras online, expansão urbana, Zona Azul, funcionamento das secretarias e desafios estratégicos para o comércio local.
Desapropriação viabiliza novo Centro Administrativo Municipal
A desapropriação anunciada por José Ronaldo envolve imóveis vizinhos à sede da Prefeitura de Feira de Santana, incluindo áreas onde funcionaram, segundo o prefeito, o antigo Hotel Caruá, a residência da família do ex-deputado Áureo de Oliveira Filho e o Colégio Santanópolis, instituição tradicional da cidade. O objetivo declarado é transformar o conjunto de edificações e áreas de estacionamento em um Centro Administrativo Municipal, com capacidade para abrigar parte relevante da estrutura administrativa do município.
De acordo com o prefeito, a iniciativa foi antecedida por estudos realizados ao longo dos últimos meses e por negociações conduzidas com os proprietários dos imóveis. José Ronaldo afirmou que o pagamento será feito com base em avaliação da Caixa Econômica Federal, apresentada como referência oficial para definição do valor imobiliário. A gestão municipal sustenta que a medida não se limita à aquisição patrimonial, mas inclui projeto de recuperação dos prédios e adequação dos espaços para uso público.
O anúncio foi classificado pelo próprio prefeito como a maior desapropriação já realizada pelo Município de Feira de Santana. A declaração amplia a dimensão política e administrativa da medida, pois coloca a iniciativa como marco de gestão e de reorganização física da máquina pública. Há, contudo, um ponto que exige conferência documental: enquanto o material-base menciona o Decreto nº 14.532, de 22 de maio de 2026, a transcrição do pronunciamento registra leitura do Decreto nº 14.523. Para publicação final, recomenda-se verificar o número correto no Diário Oficial do Município.
Reorganização das secretarias e redução de imóveis alugados
José Ronaldo afirmou que a implantação do Centro Administrativo tem como finalidade reunir secretarias que atualmente funcionam em imóveis alugados ou em estruturas dispersas. O prefeito disse que seu desejo é reduzir, tanto quanto possível, a dependência da administração municipal em relação a prédios locados, concentrando serviços em imóveis próprios e próximos ao Paço Municipal. A proposta, segundo ele, busca ampliar a funcionalidade, facilitar deslocamentos internos e melhorar o atendimento à população.
O prefeito esclareceu, no entanto, que nem todas as secretarias serão transferidas para o novo complexo. Educação, Saúde, Fazenda, Planejamento, Administração, Controladoria, PROCON, Casa do Trabalhador, Fundação Egberto Costa e Superintendência Municipal de Trânsito foram citados em diferentes condições de funcionamento. Algumas pastas já ocupam imóveis próprios; outras permanecerão onde estão por razões operacionais; e a Secretaria de Saúde, segundo o gestor, deverá voltar a funcionar em prédio próprio após obras e licitação específica.
A distribuição dos órgãos revela que o Centro Administrativo será concebido como estrutura de concentração parcial, não como sede única de toda a administração municipal. Essa definição é relevante para evitar expectativa pública incompatível com a realidade operacional da Prefeitura. O desafio será demonstrar, por meio de projeto executivo, cronograma, orçamento e critérios de ocupação, quais secretarias serão efetivamente transferidas, quais permanecerão em prédios próprios e qual economia será obtida com a redução de aluguéis.
Centro da cidade, comércio e risco de esvaziamento urbano
Ao justificar a escolha da área central, José Ronaldo relacionou a desapropriação a uma preocupação mais ampla: evitar que o centro de Feira de Santana perca vitalidade econômica, fluxo de pessoas e relevância institucional. O prefeito citou exemplos de esvaziamento em centros urbanos, mencionando situações observadas em São Paulo e no centro antigo de Salvador, para defender que a permanência de órgãos públicos no núcleo tradicional da cidade pode ajudar a preservar o comércio, os serviços e a circulação cotidiana de moradores.
O prefeito relacionou a medida à necessidade de preservar o comércio tradicional de Feira de Santana. “Feira de Santana é uma cidade que nasceu do comércio, embora hoje tenha uma grande indústria, mas o comércio ainda é grande”, declarou. Segundo ele, a presença de secretarias, servidores e usuários dos serviços públicos no centro pode contribuir para manter circulação de pessoas e atividade econômica na região.
O prefeito afirmou que Feira de Santana nasceu ligada ao comércio e ainda mantém forte atividade comercial, embora tenha se consolidado também como importante polo industrial. Ele citou que o município seria o segundo parque industrial da Bahia, atrás apenas de Camaçari, e mencionou cerca de 36.800 empregos industriais, além de exportações para os Estados Unidos estimadas em aproximadamente US$ 80 milhões, o equivalente a cerca de R$ 400 milhões.
A fala do prefeito também incorporou preocupação com as compras online, a descentralização do comércio para bairros e avenidas em expansão, e o risco de fechamento de lojas físicas. Ele citou o crescimento de polos comerciais no Tomba, Cidade Nova, Avenida Artêmia Pires e no eixo da Avenida José Alexandrino de Souza, nas proximidades da Fraga Maia e da chamada Avenida do Papagaio. A leitura apresentada é clara: a Prefeitura enxerga o novo Centro Administrativo como instrumento de política urbana, não apenas como solução burocrática.
Zona Azul, mobilidade e expansão imobiliária
A questão do estacionamento apareceu como um dos pontos centrais do anúncio. O prefeito afirmou que parte da área desapropriada será destinada a vagas para servidores e usuários dos serviços públicos.
“Tem estacionamento para os funcionários, tem estacionamento para as pessoas que vão precisar resolver os assuntos nas secretarias”, disse, ao defender a funcionalidade do local.
José Ronaldo também associou a reordenação do centro à retomada da Zona Azul. Segundo ele, a publicação do procedimento ocorreu no Diário Oficial, com etapas para recebimento e análise de propostas.
“Está no Diário Oficial de hoje a publicação da Zona Azul, com datas marcadas já para recebimento de proposta, análise de proposta e a realização do leilão da Bolsa de Valores de São Paulo”, afirmou.
Ao comentar a expansão urbana, o prefeito citou o crescimento de polos comerciais fora do centro, como Tomba, Cidade Nova, Artêmia Pires e o eixo da Avenida José Alexandrino de Souza. “Se a gente [não agir], aí vai o centro comercial para lá, a pessoa não vem mais comprar aqui”, afirmou, indicando preocupação com a descentralização econômica e com a perda de atratividade do centro tradicional
Diagnóstico da gestão municipal: centralização administrativa como resposta urbana
O conjunto das declarações indica que a gestão municipal busca responder simultaneamente a três problemas: dispersão administrativa, pressão sobre o centro comercial e mudanças econômicas provocadas pela digitalização do consumo. A desapropriação dos imóveis vizinhos à Prefeitura, portanto, não deve ser interpretada apenas como aquisição de patrimônio público, mas como tentativa de reorganizar a presença do poder municipal no centro tradicional de Feira de Santana.
O diagnóstico apresentado pelo prefeito é coerente ao reconhecer que o comércio físico enfrenta concorrência crescente das vendas online, da expansão de novos polos comerciais e da mudança nos hábitos de consumo. Ao mesmo tempo, a solução proposta dependerá de execução rigorosa. A simples instalação de secretarias no centro não garante, por si só, revitalização econômica, melhoria da mobilidade ou fortalecimento do comércio. Para produzir impacto duradouro, a medida precisará ser articulada com estacionamento rotativo, transporte público eficiente, segurança urbana, calçadas adequadas, acessibilidade e política ativa de ocupação dos imóveis vazios.








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